…SENHOR, ENSINA-ME A VIVER…


Senhor, ensina-me a entender o que não percebo. Ensina-me a aceitar, a perdoar, tal como peço que perdoes as minhas faltas. Ensina-me, Senhor. Ensina-me a encontrar o que procuro. Mostra-me os caminhos correctos da vida e perdoa a minha fragilidade humana. Ensina-me, Senhor. Ensina-me a não desesperar quando a lâmina empunhada por mão que considerava amiga me retalha as costas e a Alma. Compreende, Senhor, a minha angústia, o meu desencanto e não permitas que me afogue no pântano o ódio. Dá-me a mão, Senhor. Ajuda-me a entender, a superar. Orienta-me, Senhor, nos dias negros de tempestades bravias quando a força das marés me apanha desprevenida e me atira, sem doçura, ao encontro doloroso das arestas que ferem, magoam e dilaceram.


Senhor, protege-me quando, levada pelo bramir dos ventos em fúria, fico frágil como folha e rodopio no ar sem direcção nem fim. Senhor, ouve a minha voz. Os meus soluços. Os meus ais. Entende a minha solidão, escuta o eco das minhas preces e segura-me (como prometes) na minha mão direita, lembrando-me que no Mundo não há poder mais forte do que o Teu. Não há tempestades maiores do que a Tua misericórdia, não há barreiras superiores ao Teu querer. Não há dificuldades maiores que a nossa força interior, o que muitas vezes esquecemos. Senhor, entende o bater descompassado de um coração em pânico, em ânsia, em medo. Entende e amansa-o. Adoça-o, controla-o. É tão difícil viver, Contigo lá em cima, onde as pontas dos meus dedos não chegam quando, em bicos dos pés, tento alcançar-te.


Entende-me, Senhor, quando na Tua imagem procuro entender o Teu olhar de luz que me reconforta e me anima. Quando elevo os olhos aos Céus e procuro a Tua mão estendida, pronta a agarrar a minha quando, desesperada, nem sei por onde caminhar. Senhor, como é difícil quando esqueço que Tu estás sempre a meu lado levantando-me quando caio em desespero ou em erro. Quando esqueço que quando desfaleço a montanha por onde resvalo não existe porque Tu, segurando-me nos braços, voltas a colocar-me na vida com ânimo redobrado. Senhor, meu, obrigada. Obrigada por esta Fé com tantas dúvidas e perguntas sem resposta, mas verdadeira. Por esta ânsia de entender o que não entendo. De pedir o que não sei. De esperar o que desejo. Obrigada. Obrigada por estares comigo, apesar de não o merecer. Mas estás! Por isso, quando Te imagino no Universo, sem princípio nem fim, fico menos só! Mais confiante e mais serena. Só que depois volto a errar, volto a chorar, volto a pedir. Volto a esperar e volto a receber. Obrigada. Senhor, ensina-ma a viver. Não me deixes perder na solidão. Ajuda-me a compreender o que não entendo nesta caminhada de marés bravias e de Sóis esplendorosos. Entendeste, Senhor, hoje, quando ao olhar o mar chorei, sem saber porquê?

Num mundo que se faz deserto, temos sede de encontrar um amigo.
(Antoine de Saint-Exupéry)
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7 responses

  1. Salvé! – alma de Sintra…Respondendo á frase última:"só se vê bem com o coração"!"o essencia(l) é invisível para os olhos"!Essa súplica ao Senhor deveria ser escutada primeiramente pela alma. Só ela sabe bem o projecto de que é portadora e como a encaminhar a si a ….chegar LÀ!É certo que se recebem bençãos, pelo que demonstramos "SER"! Mas muitas haverá para derramar, quando tomamos Consciência ou seja, quando assumimos a responsabilidade do trilho que um qualquer Caminho nos mostra por "sinais"…que é por ali! – e como o devemos percorrer.Só se sente solidão, quando nos desviamos de nos SENTIR como alma/Luz…ou seja: quando a atenção diária recai com mais incidência na matéria e no que se movimenta e descuramos o Sagrado que nos habita."estar no mundo…e não ser do mundo"!É essa visão e consistência na fé, que importa.Pensar e agir como alma e não como humana.Deixo por último uma frase que repito para mim:"QUE NADA ME PERTURBE"!E porque sentisse esse chamamento á amizade..se quiser tem aqui uma…e bem perto, porque estou em Sintra – aliás vim para cá há quase 6 anos por chamamento.Estou de mão estendida, pronta, se a quiser receber.Deixo aqui, um olhar terno e compassivoUm gesto sereno e carinhosoSempre…Mariz

    Novembro 16, 2009 às 1:24 am

  2. MEB

    Mariz, boa noite. Penso que é a primeira vez que a encontro aqui no meu cantinho. Obrigada por isso. Sensibiliou-me profundamente o seu comentário que é documento para ser lido, relido, pensado e, finalmente, desvendado na sua totalidade. Não é à primeira que consigo entrar na verdadeira essência da mensagem. São mais do que palavras, embora elas me lembrem como é vital escutar a linguagem do nosso coração e que o momento é de transformações profundas, a reclamar atenção permanente. Daí, mais "sinais" de contacto com a nossa Alma. É verdade. Eu sei. Essa sintonia é necessária para escutar as "directrizes". Obrigada por mo lembrar. Mariz,estender a mão a alguém, mesmo que não se conheça, é um acto tão elevado, me me toca profundamente. Obrigada. Não está de mão estendida! Eu, já a prendi na minha com a mais sincera gratidão.

    Novembro 16, 2009 às 7:05 pm

  3. Grata!Caminhemos, então!olhando o Amor em nós, é nesse Caminho que devemos seguir….Ninguém nos disse que seria fácil…fácil é pensar e falar….Sempre..Mariz

    Novembro 16, 2009 às 10:25 pm

  4. MEB

    MarizUma vez mais, obrigada! Pela Luz que encerra e transmite.

    Novembro 16, 2009 às 11:33 pm

  5. Minha boa amiga M.Elvira,Estou tão feliz que a minha querida Mariz tenha chegado até si, tão feliz que nem tenho palavras para decrever essa felicidade.Serão boas amigas, tenho a certeza absoluta, melhor…somos boas amigas.Desculpe a minha ausência por dois dias, estive ocupada sim, mas como costumo dizer…há sempre tempo para os amigos. Falhei, mas tentarei estar sempre o mais presente possível.Não vou fazer uma análise ao seu texto, a Mariz já o fez e lindamente, como sempre.Digo-lhe só que como sempre gostei muito.Parabéns.Ná

    Novembro 17, 2009 às 11:18 am

  6. MEB

    Boa AmigaBem-vinda, notei a sua ausência mas sei que não deve ser nada fácil estar tão presente em tanto lado, com tanta entrega. Obrigada. Ná, não me pergunte como mas, sem querer, apaguei um comentário seu. Sei que dizia que já conhecia o texto e ainda bem que o publiquei. Fiquei confusa! Como sabe o texto é meu. Como já o conhecia? Quando ia fazer esta pergunta vi que o seu comentário tinha-se esfumado!Já sabe como sou um susto e um perigo em informática. Desculpe. Se ele andar por aí, talvez apareça. Pois a Mariz surgiu aqui com um texto maravilhoso. Fiquei, confesso, muito feliz. Deve ser uma pessoa excepcional e amiga da Fernanda ainda por cima. Brindo a estes encontros.Beijinhos

    Novembro 17, 2009 às 6:14 pm

  7. Muito muito bonito.Parabéns pelo texto MEB!

    Novembro 19, 2009 às 12:53 am

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