O Tratado de Lisboa

Hoje, ao testemunhar pela televisão a assinatura do Tratado de Lisboa,não pode deixar de sentir que estava a ver Portugal num acto oficial de grande impacto, de extrema importância. Um passo dado no nosso e pelo nosso País e,aí, partilhei da emoção-orgulho- que o Primeiro Ministro não foi capaz de ocultar.

O futuro encarregar-se-à de clarificar essa mesma importância e demonstrar como um país de tão reduzidas dimensões terá tanta influência no respirar da Europa, como ponte que unirá margens, pessoas,projectos, acordos e continentes.

Embuída desse espírito lembrei um artigo que publiquei na “Nova Gente, em 1977…”É frequente ouvir dizer-se que o mundo está em convulsões e a Europa em crise. Política, económica e socialmente os europeus anseiam por um espaço forte e unido mas debatem-se com divisões e abismos. Uma grande percentagem está preocupada com a manutenção da família, com o dinheiro para uma boa alimentação, com os estudos dos filhos e com as despesas médias que são sempre assustadoras.

Está mais do que provado de que as privações económicas afectam o espírito e o corpo por isso, pode dizer-se que existem milhares de europeus psicologicamente afectados. Há uma teoria que vai tomando força: a felicidade de uma nação está intimamente ligada à quantidade de dias de Sol que tem por ano! Isso recorda a taxa de suicídios que existe nos países escandiavos (exceptuando a Noruega), apesar do seu excelente nível de vida. Nos países mediterrâneos, africanos, latinos, americanos, Extremo Oriente, essa taxa é baixa.

Sabe-se que o desejo comum das pessoas, seja qual for o país, é a natural melhoria do nível de vida, mas focando o tema verificamos que os habitantes da América Latina, África, Extremo Oriente, gostariam de mudar-se paras grandes cidades. Curiosamente, nos países mais desenvolvidos mais de metade da população adoraria viver, se pudesse, em pequenas cidades, vilas ou mesmo áreas rurais.

A religião também é variada a nível mundial, vai-se do agnóstico Japão, à misticidade de Itália. No Japão, Bélgica, Holanda e Luxemburgo há baixos índices de criminalidade. O mesmo não acontece na América Latina, Estados Unidos e África. Os escandinavos, neste sector, caracterizam-se pela calma e civismo.. Os norte-americanos, australianos e escandinavos são considerados dos povos mais sociáveis do Globo. Os menos, tudo parece indicar que sejam as nações comunistas e a maioria dos países árabes o que, obviamente, não quer dizer que não existam habitantes da URSS alegres e felizes e árabes profundamente simpáticos.

Nós somos de um país preparado para agarrar a Europa com uma França e Inglaterra fortes; uma Finlândia e Alemanha pontas de lança ou uma Itália que vigia o Mediterrâneo. Quanto mais olho o mapa do mundo mais me fascino e mais me preocupo. O futuro não é fácil, mas analisando a actividade dos políticos portugueses mais me entusiasmo com a visão de Eurico da Fonseca: “A energia do futuro vem do sol, do mar e do vento”.

É que enquanto o mundo sente convulsões -a Europa não foge à crise-, Portugal guarda na manga um trunfo de mestre: É um país virado ao Sol, banhado pelo Atlântico, e acariciado por ventos. Não é bom ser português?

Já em 1977 acreditava que Portugal tinha um trunfo na manga.E hoje, passados três décadas, fiquei com outras certezas:Portugal, continua virado ao Sol. Blair nunca faltaria na foto de família, nos Jerónimos (mesmo correndo o risco de escandalizar digo que para mim Blair tem rasgos do “leão” que tinha palavra fluente, pintava e até ganhou o Nobel).

E já que estou em confidências (que não devem interessar a ninguém, reconheço) também afirmo que apesar de não ter votado nele, de não gostar, nos primeiros tempos, da sua trajectória política, hoje, acho que Sócrates é o mais brilhante político português desde o tempo de Marcelo Caetano. E, para finalizar, acrescento que ele e Cavaco Silva são mesmo capazes se “safar” Portugal até os portugueses mudarem de mentalidade…

A Democracia é assim mesmo! Dá direito à opinião. Subi ao banquinho e falei para a brisa que passava neste momento numa rua tortuosa e linda, escondida na neblina de Sintra.

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