Os Oceanos do Tempo

Hoje, ignoramos regras, estatutos, discursos arcaicos e vazios. Hoje, vamos olhar de frente, sem cedências, desmistificando falsos virtuosismos e os profetas do desalento. Hoje, ousamos ousar e provocamos os intocáveis que, escudados, gravitam nas esferas da ignorância anestesiada.

Hoje, é dia de acreditar no vigor da justiça, na sedução da inteligência, na consonância ambiciosa dos que trabalham, dos que não traem, não minimizam, não confundem. Hoje, sem “pompa e circunstância” dialogamos, com a verdade e ignoramos a táctica de dividir para reinar.

Hoje, é dia de fechar a porta à ironia e repudiar jogos de conveniência. Hoje, é dia apenas para estar e saborear. Repare, só por pensarmos e escrevermos, lentamente, abre-se uma janela por onde entram brisas renovadas e estimulantes! Sentimo-nos mais serenos, mais libertos e mesmo mais entusiasmados. A janela, neste caso, é a da Internet que, enigmaticamente, nos deixa na ponta dos dedos o pulsar do Mundo. E não só!

O ponto de encontro dos bloggers é uma riquíssima explosão de saberes e uma total liberdade de visões e opiniões quando atiram irreverentemente para o Globo páginas preciosas de criatividade. Diria que a Internet é uma pérola de procuras. E, por procuras, recordei algo que gosto de relembrar.


“…Percorri os Oceanos do Tempo para te encontrar…”.

Esta frase (linda) pertence a um filme de Copolla, “Drácula” e, obviamente, à partida, nada tem que ver com Portugal nem com os portugueses mas lembrei-me dela quando ao pensar neste jardim à beira-mar plantado (continua a ser, apesar de ondas bravias que por vezes nos atingem), berço dos maiores navegadores do mundo, que nos gloriosos séculos XV e XVI descobriram a maior parte das terras de África, América e Ásia. Portugal, maravilhoso nos seus 90 mil quilómetros quadrados debruçados pelos 800 quilómetros de costa inebriante e renovadamente bonita.


Portugal continua a ser lindo mas, sobretudo, continua a ser um país de essência. Há que senti-la e entendê-la. O desafio nem sempre é fácil! Por exemplo, saudade? O que é? Como a sente? Como a explica? Um estado de alma? Uma emoção? Um afecto? Apenas uma expressão? Seja o que na realidade sentir, saudade é muito palavra muito nossa. Nenhum país a tem no seu vocabulário.

É um estar não estando; é um querer não tendo; é um partir ficando; é um destilar de nostalgia. Não se sabe a sua origem. Há quem defenda que, um dia, foi dita por uma mãe ao despedir-se do filho que emigrava. Talvez sim, talvez não. É bem provável que seja uma herança genética que nos tocou profundamente e que soube resistir ao passar do tempo.

”…Percorri os Oceanos do Tempo para te encontrar…”.

É uma busca tão íntima e, simultaneamente, tão intensa, uma confissão solitária e sofrida que rivaliza com saudade. É um mescla de amor e de sofrimento pela ausência da pessoa amada. Ficava bem num fado! Por isso se Carlos do Carmo o cantasse seria um dolente fado de amor e de procura que poderia terminar assim: “e não te encontrei” ou “amei-te perdidamente”, antecedendo os acordes finais e vibrantes de uma guitarra em forma de coração.

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