Archive for Abril, 2008

BRASIL, O NINHO DO FUTURO


Em breve o mundo será muito diferente do que conhecemos hoje, diz, Jim O’Neill, director de pesquisas económicas do Grupo do Banco de Investimentos Goldman Sachs. Os rumos dos negócios cada vez mais dependerão do sucesso ou do fracasso destes quatro países. O’Neill refere-se ao Brasil, Rússia, Índia e China. Para eles foi criada a sigla BRIC, referenciando-os como os grandes países emergentes do século XXI. A sua ascensão vai incorporar no mercado um vastíssimo número de consumidores que mudarão o rumo da economia mundial.


Em 2050, os BRICs, serão as maiores potências económicas do mundo; ultrapassando a União Europeia e o ainda em crescimento Estados Unidos da América (perderão posição perante a China). Juntos, os países do BRIC, representam uma força global poderosíssima: mais de 40% da população mundial e um PIB de mais de 85 triliões de dólares. As funções dentro do BRIC naturalmente ficariam definidas: o Brasil serviria como fornecedor de alimentos; a Rússia, de petróleo e gás natural; a Índia, de mão-de-obra e a China, de tecnologia.


O Brasil desempenhará o papel de país exportador agro-pecuário tendo como principais produtos a soja, a carne. Tudo isso será necessário para alimentar mais de 40% da população mundial. A cana-de-açucar também desempenhará papel fundamental na produção de combustíveis renováveis e ecológicos, como o álcool e a recente atracção, o biodisel. Além de fornecer matérias-primas essenciais a países em desenvolvimento, como o petróleo, o aço e o alumínio, que também são encontrados nos parceiros latinos, fortemente influenciados pelo Brasil, como a Argentina, Venezuela e Bolívia. Mas talvez o mais importante papel do Brasil esteja nas suas reservas naturais de água, na fauna e na flora, ímpares em todo o mundo, que em breve ocuparão o lugar do petróleo na lista de desejos dos líderes políticos de todos os países. O Brasil ficaria, assim, em 5º lugar no ranking das maiores economias mundiais, em 2050.


O Brasil é, com efeito, avassalador. Intenso. Deslumbrante. Repleto de problemas e de maravilhas. É conveniente e fascinante estar atento ao seu desenvolvimento rumo ao futuro e testemunhar como, no presente, resolverá os muitos problemas que o afectam. O Brasil é dos BRICs o único país que poderá resolver o seu problema de comida e de energia (Celeiro do Mundo, como já foi conhecido. A ideia volta a ressurgir em força).

Foquemos agora as coisas desagradáveis que afectam o país do Corcovado: as favelas são incontroláveis na droga e no crime de toda a espécie. É um país dentro de outro e nenhum deles quer perder a sua independência. Têm acordos com o poder porque também têm muito poder. Há anos, decretaram nas favelas que iam fechar a Baixa e, adiantaram o dia, hora, duração e locais e aconteceu mesmo como disseram, apesar do Governo ter mandado polícia para a rua, garantindo que protegia quem abrisse o comércio e quem fosse trabalhar.


Há dois anos, entre o Natal e a Passagem de Ano, desceram à cidade e roubaram para mostrar que podiam e mataram. Muito. E têm, na Amazónia, fornos ilegais onde queimam árvores vulgares e raras sem diferença, para fazerem carvão e vender. Centenas de quilómetro de fornos artesanais que se vêem por satélite (sabe-se onde estão) e só uma parte é que é fechada (de cada vez) porque senão tira trabalho a muita gente que, em seguida, entraria na ilegalidade. O Brasil tem agora o dengue que está a matar muito mais do que dizem as estatísticas oficiais. E têm mesmo muita corrupção, a todos os níveis da sociedade.

A maioria dos problemas do Brasil são inerentes a todos os outros países, com maior ou menor intensidade. Mas, há particularidades que são muito brasileiras. No mau e no bom. Vamos ao bom. É-me impossível descrever a beleza do país, por dois motivos: não o conheço, mas do que vejo constantemente, através das técnicas avançadas que superam a vulgar foto, sinto que o conheço e, se não soubesse (!) que Deus é português, concordaria que Ele é mesmo brasileiro! A beleza é estonteante e imensa.

Vamos, atentamente, falar de algumas coisas magníficas que o Brasil tem: excelente Televisão, na programação emitida. Muito bom Cinema (em ascensão constante). E têm a música popular brasileira, MPB, de toda a espécie, que só por si é um mundo à parte (fabulosa). E, escreve-se muito bem (no meio de 170 milhões, é muito provável que o próximo Jorge Amado (que almoçava quase todos os domingos num restaurante ao lado da minha casa) já tenha nascido. Escreve-se em língua portuguesa que mesmo sendo do Brasil, é portuguesa!


Aliás, as variações do português no interior do Brasil são imensas e adoptadas por tanta gente que acabam por constituir novos ramos da língua. Há sítios em que se fala português mais incompreensível que o açoriano mais fechado e, são 10 milhões a fazê-lo. É, também, o país do imaginário que funde ciência e religião ao ponto de dar doutoramentos universitários em saberes, fruto dessas associações. E, ainda têm o Nordeste e o Pantanal (que deve ser uma loucura para os sentidos quando, ali, perto da Fonte da Natureza, muito ainda em estado puro, se deve sentir que o olhar e a Alma se espraiam silenciosamente, tal não será a força apelativa) cada um maior que países inteiros, e ainda têm mesmo sertão e coronéis que mandam em quintas do tamanho do Alentejo e Algarve, juntos. O Brasil vai mandar cada vez mais na América Latina, à medida que os EUA enfraquecerem

Estou a escrever sobre um país maravilhoso! O Brasil já há 10 que tem quatro sistemas alternativos de abastecimento de carros e, dois deles, de combustíveis tirados de culturas (a nível mundial há controvérsia sobre o tema). Há 10 anos!!!. Nas bombas, todos os dias. Têm 90% do potencial para todos os novos medicamentos a descobrir nas próximas décadas só a estudar a Amazónia. E, claro, têm o Carnaval do Rio (a folia mundial.Tanta beleza e espectacularidade! O Céu tem mesmo preferidos…) e não contentes com isso têm mais dois ou três tão bons ou melhores, mais conhecidos internamente, como o da Baía e o de Salvador. Por curiosidade: o do Rio e São Paulo, são de invenção portuguesa, e o da Baía e Salvador, são de inspiração angolana. São as maiores e melhores festas do mundo. Devem ver-se do Espaço.

Mas, além do Carnaval, ainda há o Natal em Gramado e Canela, no Sul, para os lados de Porto Alegre. Têm as festas natalícias e do chocolate, talvez das mais grandiosas que existam. Mais suíças e alemãs que as originais, mas a falar brasileiro. Lá, não há a mínima dúvida, é tudo imenso; vejamos, descobriram um mar de petróleo maior que a Península Ibérica que os colocou do dia para a noite no 3º lugar mundial. Ainda têm gás natural nas mesmas dimensões e outra coisa ainda mais preciosa: água doce no subsolo do Rio Grande do Sul. Além dos rios que em caudais somados têm (quase) mais que o resto do mundo junto.E tem 170 milhões de contribuintes. 100 muito pobres e 70 de classe média e uns 7 milhões milionários e, talvez, 700 mil bilionários. É obra! E, em riqueza, ainda só vale pouco mais do que 10 vezes que Portugal, apesar de ter 17 vezes mais população e 1000 vezes pessoas mais ricas. E pensar que o Brasil (lindo) tem ainda tanto para crescer…


Uma gota de chuva
A mais, e o ventre grávido
Estremeceu, da terra.
Através de antigos
Sedimentos, rochas
Ignoradas, ouro
Carvão, ferro e mármore
Um fio cristalino
Distante milênios
Partiu fragilmente
Sequioso de espaço
Em busca de luz.

Um rio nasceu.

Vinicius de MoraesO Rio


PARA ELE, BASTOU!


Particularmente nunca achei que Filipe Menezes conseguisse levar a bom porto o seu barco, na liderança do PSD. Sentia nele uma certa fragilidade (a vida já me provou que sensibilidade com política, não resulta e as suas lágrimas de despedida, ontem, no discurso do Congresso Nacional do PSD revelaram como é sensível) mas não sei explicar bem o porquê, ou talvez aquela dualidade Menezes-Santana me confundisse, provocava-me duas sensações bem diferentes: Santana era o líder e Menezes apenas estava. De vez enquando.


Não quero ser injusta para com o ex-presidente do PSD uma personalidade esclarecida, honestíssimo, inteligente, com um carácter muito humano, admirado por todos que com ele lidam diariamente. Mas, um partido político para não dizer que se assemelha a uma selva, é deselegante fazê-lo, posso dar uma imagem mais comedida: uma reserva, espaço amplo por onde correm com poder verdadeiras forças da Natureza. Na minha análise simplista imagino que não deva ser difícil liderar um partido político, quem chega a essa posição tem, seguramente, currículo para isso, difícil é conseguir ter coração e jogo de cintura para as conspirações dos bastidores, já para não falar em traições, decepções e afins. Por muito selectivo que se tente ser, ser-se-à sempre apanhado pela surpresa, nem sempre agradável.


Filipe Menezes, a partir do momento em que não se sentia bem com o ambiente que o rodeava, quer na Imprensa, quer no interior do seu partido e, principalmente, com aqueles que militavam na sua ala, fez o que tinha a fazer e -lo com dignidade. Disse basta e não voltou com a palavra atrás (sente-se que lhe deve ter custado, um sonho é sempre um sonho e deixar de lutar por ele por opção própria, requer análise consciente e uma frieza de emoção que mais não é do que lucidez). A partir desse momento abriram-se as portas às novas possibilidades e os futuros candidatos a líder do PSD começaram a aparecer. Sim, escolher quem consiga ganhar as eleições de 2009, vai ser uma tarefa destemida (muitos pensam que Sócrates ganha, com tranquilidade).


Neste momento fervilham as opiniões, os acordos, definem-se tácticas, arranjam-se e multiplicam-se apoios e fazem-se previsões. Tudo é tentado ao pormenor. Para muitos, o líder ideal, de todos os nomes já adiantados (surgiu, inesperadamente (!), Santana Lopes apoiado por João Jardim, que disse para Manuela Ferreira Leite prestar um bom serviço ao partido e não se candidatar) será a Salazar do PSD, Ferreira Leite (conhecida pelo seu rigor financeiro). Se for outro qualquer nome não lhes parece que vá vingar. Se a ex-ministra vier a ser escolhida, alguns pensam que passará para o povo o sinal de agora é a sério e a doer. E o povo vai apreciar. Conseguirá arrumar o partido que corre o perigo de ver a malta nova demais a pensar que já chegou a hora deles.


Diria eu, então e Marcelo Rebelo de Sousa? É inteligente (pertence ao grupo de pessoas que nasce de 30 em 30 anos, uma geração), arguto, atento, sabedor, reúne uma diversidade de qualidades (e defeitos, por certo) que fazem dele o melhor comunicador televisivo e um político sempre dentro do vulcão, sem se queimar; fala, analisa, pontua, antevisiona. E quanto a futuro líder? Bom, julgo que essa não é a sua praia. Rebelo de Sousa há muito que tem um encanto pelo rosa do Palácio de Belém. Não o estou a ver concorrer, novamente, a líder do PSD. E Rui Rio? Tudo indica que ele não quer descer aos mouros. É pena, talvez pudesse ser o melhor de todos os candidatos. E o tão falado Santana Lopes? Está a ser aquilo em que ele é bom: um mestre de cerimónias bem falante e telegénico, mas esta não é, mais uma vez, a festa em que vá ganhar o Óscar. Todavia, tenho de acrescentar que achei pouco inspirada a forma como foi destituído do cargo quando era Primeiro-Ministro (assumido a 17 de Julho de 2004).


Por seu lado, Alberto João Jardim surgiu, inesperadamente, como potencial candidato. Foi por pouco tempo mas foi exaltante e apoiantes não lhe faltaram; portanto, já não pode argumentar que não tem soldados, mas o Presidente da Madeira é um político inteligente e, creio que, apesar de ter sentido o abraçar de uma aspiração (ser líder no Continente), resistiu. As razões só ele sabe e o futuro dirá se agiu bem ou não. João Jardim, ao longo dos seus 30 anos à frente dos destinos na Madeira fez bom trabalho, soube captar ajudas comunitárias e da República e traduziu isso em obra feita (Cavaco Silva disse no discurso de despedida, na sua recente visita à Madeira, que Jardim não precisava de elogios, a obra realizada falava por ele).


Outros argumentam que João Jardim não sabe fazer uma coisa importantíssima que Portugal precisa urgentemente: trabalhar em competitividade. E, outros ainda, definem-no como o Robin dos Bosques dos Tempos Modernos: soube tirar à CEE e à República para as sucessivas obras na Madeira. Mas ficará na História pelo trabalho feito na sua ilha. Fez dela uma verdadeira e sedutora pérola que trata por “tu” a linguagem do turismo. Se ele fosse menos extrovertido, muitas vezes desrespeitador, seria notável.


A 31 de Maio, segundo os resultados das directas antecipadas, haverá um presidente ou uma presidente do PSD erguendo a bandeira da continuação de algo que ameaçava autodestruição, já para não falar em fusão com o PS, segundo opinião de alguns treinadores de bancada política. Que ganhe o melhor. Parece uma frase feita e até pode ser mas, além disso, é já uma esgotado ambição de quem deseja uma Oposição esclarecida para enfrentar o Governo, ajudando-o, provocando-o, exigindo, com firmeza. Portugal fica a ganhar e os portugueses também. É que andamos numa fase em que, por vezes, o que apetece é emigrar.


Quanto a emigrar por emigrar, se quiser ir para onde o governo é profissional ao ponto dos governantes terem contratos por objectivos e passarem diversos graus ao longo de mais de 15 anos para chegarem a um lugar com poder político e decisivo, então vá, por exemplo, a Singapura, à Malásia. O futuro dos regimes políticos é o que estão a fazer nestes países em termos de classe política.
A Malásia ainda tem uns assuntos sobre direitos e liberdades para acertar mas, mesmo assim, está bem melhor do que aquele outro regime que revolucionou as democracias com os conceitos de Liberdade, Fraternidade e Igualdade, que inaugurou esse período de Luz da Civilização … limpando os opositores com a guilhotina.

Tenho a certeza de que hoje somos senhores do nosso destino, que a tarefa que temos perante nós não está acima das nossas forças;que as aplicações e dificuldades que ela acarreta não estão para lá da minha capacidade e resistência física. Enquanto tivermos fé na nossa própria causa e uma indomitável vontade de ganhar, a vitória não nos será negada.

Winston Churchill


O SILÊNCIO DOS BONS


Sou patriota, gosto do meu País. Respeito-o e orgulho-me dele, apesar das muitas, mas muitas, maleitas que o afectam. Só que o País, em si, não tem culpa. Nós, sim, os portugueses, somos responsáveis pelo que de bom e de mau o caracteriza e o define. Claro que há as influências internacionais, há as ameaças futuras vindas das mudanças climáticas e, consequentemente dos países que pouco (ou nada) fazem para travar a destruição do planeta; há uma ameaça nova: a guerra do pão! É que a subida dos cereais está a atirar para fomes sem regresso, dentro de três, cinco, anos, milhões de pessoas que sustentam a sua base de alimentação nos cereais (caso do arroz, por exemplo); a subida do petróleo e do custo do dinheiro que afectará cada vez mais a vida financeira do País, que tudo parece indicar vai sentir os reflexos da crise que, dizem os analistas, afectará fortemente a Espanha e nós, portugueses, mais indefesos, mais pobres, vamos ter menor capacidade de manobra.



Sabe-se que o ritmo da economia da América mexe com o mundo inteiro, faz lembrar a imagem que é habitual usar-se para demonstrar a ligação da Terra com o Universo: uma borboleta bate as asas nos Alpes e forma-se um tsunami nas Caraíbas. E a América, economicamente também está mal. Vejam-se os recentes resultados: subida do petróleo, verbas exorbitantes desviadas para a guerra no Iraque, a crise no campo financeiro relacionado com o crédito à habitação. A fragilidade é tanta que dar a Casa Branca a Obama, excelente, mas sem experiência, é um risco. Pelo menos é inquietante. Os tempos futuros mostram-se difíceis mas, ainda estamos a tempo de fazer uma paragem na voragem das realidades e reconhecermos que há países que devido a vários factores -uma boa governação é vital-, conseguem vencer a pobreza.


Como? Dar a resposta certa, não sei. Sei, porém, que milagres não são impossíveis, mas demoram muito… Tenho a certeza que ninguém, no caso português, que esteja em São Bento (o Presidente da República não tem poderes governativos) consegue puxar pelo País se o Povo não ajudar. É uma dedução muito pueril, mas é mesmo assim: o povo português nem sempre tem sabido ajudar quem nos tenta governar. Já tivemos bons, maus, assim-assim, péssimos, excelentes governantes e nós parece que somos como António Variações (admiro-o muito, note-se)…Só estamos bem onde não estamos… Só queremos o que não temos…atitude que reflecte insatisfação, indecisão, leviandade e imaturidade.



Para Portugal desejo o melhor e, curiosamente, recebi hoje, através da Net, claro, um artigo, ilustrado magnificamente, só que não sei de quem é, por isso não faço a citação da fonte que gostaria e deveria fazer. Fala na Suíça, um país que conheço muito bem e onde familiares muito próximos foram emigrantes. Não quero com isto dizer que a Suíça seja perfeita. Nem pensar. Não, não é (não há países perfeitos) mas é, seguramente, um país onde se vive bem. Aqui fica a ideia de um viajante da Net, para pensarmos um pouco. Não nos faz nada mal. Lembre-se que o futuro não lhe vai oferecer Impulse

A diferença entre países pobres e ricos não é a idade do país. Isto está demonstrado por países como a Índia ou o Egipto, que têm mais de cinco mil anos, e, ainda, se debatem com muita pobreza. Por outro lado, o Canadá, a Nova Zelândia, a Austrália, que há 150 anos eram inexpressivos, hoje são países desenvolvidos e ricos. A diferença entre países pobres e ricos também não reside nos recursos naturais e disponíveis. O Japão possui um território limitado, 80% montanhoso, inadequado para a agricultura e para a criação de gado, mas é a segunda economia a nível mundial. O Japão é uma imensa fábrica flutuante, que importa matéria-prima do mundo inteiro e importa produtos manufacturados.



Outro exemplo é a Suíça que não planta cacau, mas tem o melhor chocolate do mundo. No seu pequeno território cria animais, cultiva o solo apenas quatro meses no ano. No entanto, fabrica lacticínios da melhor qualidade. É um país pequeno que passa uma imagem de segurança, ordem e trabalho, pelo que se transformou no cofre-forte do mundo.

No relacionamento entre gestores dos países ricos e os seus homólogos dos países pobres, fica demonstrado que não há qualquer diferença intelectual. A raça ou a cor de pele, também não são importantes. Os emigrantes rotulados como preguiçosos nos seus países de origem, são a força produtiva dos países europeus ricos.Onde está então a diferença? Está no nível de consciência do povo, no seu espírito. A evolução da consciência deve constituir o objectivo primordial do Estado, em todos os níveis do poder. Os bens, os serviços, são apenas meios. A Educação (para a vida) e a Cultura ao longo dos anos, deve estar nas consciências colectivas, estruturadas nos valores eternos da sociedade: moralidade, espiritualidade e ética


Solução-síntese: transformar a consciência do povo português. O processo deve começar na comunidade onde vive e convive o cidadão. A comunidade quando está politicamente organizada em Associação de Moradores… Clubes de Mães… Clube dos Idosos… etc., transforma-se num micro-estado. As transformações desejadas pela Nação para Portugal serão efectuadas nesses micro-estados, que são os átomos do organismo nacional –confirma a Física Quântica. Ao analisarmos a conduta das pessoas nos países ricos e desenvolvidos constatamos que a grande maioria segue o paradigma quântico, isto é, a prevalência do espírito sobre a matéria, ao adoptarem os seguintes princípios de vida:

1 – A ética como base
2 – A integridade
3– A responsabilidade
4- O respeito pelas leis e pelos regulamentos
5 – O respeito pelos direitos dos outros cidadãos
6 – O amor ao trabalho
7 – O esforço pela poupança e pelo investimento
8 – O desejo de superação
9 – A pontualidade

Somos como somos porque vemos os erros e, apesar disso, encolhemos os ombros e dizemos: Não interessa… A preocupação de todos, deve ser com a sociedade que é a causa, e não com a classe política que é o efeito. Só assim conseguiremos mudar o Portugal de hoje. Vamos agir. Reflictamos sobre o que disse Martin Luther King:

-O que é mais preocupante, não é o grito dos violentos, dos corruptos, dos desonestos ou dos sem ética. O que é mais preocupante, é o silêncio dos que são bons.

O BENFICA VAI DERROTAR O DRAGÃO


Tinha prometido a mim própria que não me meteria tão depressa neste aquário do futebol, porque não são as minhas águas, mas a verdade é que não resisti e, confesso, nem fiz muito esforço. É um desafio provocador que me impede de versar outros temas. Que adiantaria, hoje, tentar falar, sei lá, das eleições americanas (é um assunto fascinante, os resultados terão reflexos no mundo inteiro) se estou constantemente a tentar perceber o que teria levado Chalana a substituir Di Maria (a desgraça começou aqui, o argentino estava a irritar até à medula os sportinguistas, dentro e fora do campo de Alvalade…).

Não deixo, porém, de realçar que foi um jogo arrepiante, admirável, emotivo, apaixonante -puxou pelos 37 mil espectadores in loco-, bom, até para os derrotados (teve 10 minutos soberbos). Foi um derbi com as nuances próprias de encontros desta envergadura. Oito golos, é obra! Talvez tenha sido o melhor jogo do Sporting nesta época, e a dinâmica inicial do Benfica, confirmou que ali, ainda, há o potencial inerente ao prestigiado Clube da Águia. Como se passa de vencer por 2 a 0 a perder por 5 a 3?! Só pode ter si mesmo partida dos deuses. O que eles se devem ter divertido!

Antes de começar a explicar o que me fez a focar novamente os movimentos do esférico, acrescento que admiro Chalana, não me esqueço que ele apanhou um Benfica aos bocados, de um dia para o outro, depois de alguns iluminados se terem dado ao luxo de dispensar um treinador na primeira fase da época. E não se esqueçam que quando Camacho chegou, os bons do plantel já estavam a brilhar noutras paragens. Venderam tanto que fez impressão, nem o Simão escapou (também não sei se ele estava interessado em escapar…).

Então foi assim. Era uma quarta-feira calma, sereníssima, até ao momento em que o jogo se preparava para começar, na Televisão, e a Catarina, que é uma espevitada jovenzinha de seis anos, se equipou, como manda a lei e se sentou (emocionada, por certo) no sofá que deve ser uma bancada aberta, em directo, para o campo já que a Catarina vibra tanto (ela acompanha o desafio com um apito na boca, para total desespero da mãe, diga-se) que quem a aprecia fica tonta com os movimentos vertiginosos da pequena.

Eu não sei se ela percebe alguma coisa daquilo, pois basta entrar a bola na baliza, seja de quem for, para armar um verdadeiro carnaval. Ela é benfiquista até às unhas dos pés. E não sei porquê! Em casa ninguém aprecia futebol, os pais nunca a levaram a ver nenhum jogo, ninguém fala de futebol e a Dona Catarina, aos três anos, já era uma ferrenha benfiquista. Há cada mistério! Mas mais, se falarmos na Selecção Nacional, então o caso muda ainda mais de figura: vira loucura total. Ela berra, fala, chama pelo Ronaldo, mesmo que ele não esteja em campo. E o slogan Portugal…PortugalPortugal, acorda oz vizinhos.

Acho que só sabe esse nome. Na verdade eu não entendo nada daquele entusiasmo. Sei que ela faz uma festa e que há três pontos fixos: Benfica, Selecção Nacional, Ronaldo, aliás, 4, esquecia-me do Scolari. E pronto, fica por aqui. Mas que se farta de divertir, lá isso farta. Só que ontem foi-se deitar a chorar e soluçava, dizendo, muito condoída:

Isto não é justo. Não é justo… E o caso ficou feio a partir do momento em que a mãe se começou a rir do inesperado pranto. Senhores, a petiz ficou fera.

Vá lá saber-se da dimensão da desilusão. Ver o seu Benfica ganhar e acabar a perder foi muito complicado para a sua cabeça, mas foi muito emotivo. Hoje, acordou fresca como uma alface e já nem se lembrava, penso, do Benfica, nem do Sporting, nem sequer da bola. Isto faz-me tentar pensar no fenómeno que é o futebol, que galvaniza multidões em todo o mundo e ataca, todas as classes sociais, todas as idades e todos os sexos. Curiosíssimo. Gostava de entender o âmago da questão, mas não entendo. Voltando ao Benfica, recordo que ele vai enfrentar no próximo domingo, o poderosíssimo Tri Dragão, no seu campo, por certo esgotadíssimo, rodeado de apoiantes azuis, uma claque aguerrida, capaz de fazer tremer o mais temerário David.

Só que desta vez, a Águia vai voar tão alto que vai sair do Porto, com três golões, três pontos, debaixo do braço. E, a partir daí ruma a Angola para distribuir maravilha. Nesta sua derrota em Alvalade associo o caso ao que aconteceu com a terceira posição (injusta, claro) do Ronaldo, na classificação do Melhor Jogador do Mundo, desde logo achei que só lhe fez bem: ele é muito jovem, já tem tudo, se lhe faltam metas para alcançar, é insípido! Assim, Ronaldo, por certo furioso, tal como eu que votei nele, reuniu talento, raiva, directrizes e teve um 2008 empolgante.

Assim será com o Benfica. Já não espaço para panaceias. Se a culpa é do presidente, dos técnicos, dos preparadores físicos, do departamento médico, das botas, das meias, da forma como gerem o Clube, acabou. Terminou. Já foi. A partir de agora não há espaço para mais paninhos quentes. Façam ou não eleições antecipadas, pensem bem nos reforços que vão adquirir para a próxima temporada, não tornem o Benfica num entreposto comercial, resolvam o caso do Rui Costa (é um Maestro, merece apoteose), não continuem a obrigar o Petit a sair de gatas do campo, de tão esgotado que está. Parem, pensem e decidam cerebralmente. As emoções ficam para os relvados.

O Benfica não morreu em Alvalade; teve, apenas, um ligeiro desmaio na praia do desconforto



OS DIAMANTES DO CÉU DO NAMIBE


Os desertos (cobrem 33,7 milhões de km2 da superfície terrestre, com uma população de 500 milhões de pessoas) fascinam-me e, em paralelo, amedrontam-me. São espaços imensos e magníficos que para se abraçarem de peito aberto é necessário dominar a difícil arte de conhecê-los para, assim, os poder entender e testemunhar em toda a sua exótica espectacularidade e diversidade. Há desertos quentes, frios, todos imensos, encerrando valiosas potencialidades e sofrendo profundas e constantes agressões humanas e, actualmente, também climáticas.

Pessoalmente só entrei dentro do deserto do Namibe (Angola). Nele existe a maior duna de areia do mundo (cerca de 383m.), a sua área é de cerca de 50.000km2, estendendo-se por 1.600 km ao longo do litoral do Atlântico, no sul angolano. Percorrer o rendilhado das ondas aos pés das dunas viradas para o Cunene, é algo de irreal. Foi um passeio inesquecível, eram nove jipes e 3 motas todo-o-terreno, numa excursão barulhenta e entusiasmada, preparada para conhecer aquele que é considerado o deserto mais antigo do mundo (80 milhões de anos) e, sendo a sua maior parte desabitada sei que aí vivem, pelo menos, os Mucubais, um povo reservado, dizem que pouco expansivo mas de grandes tradições. Há anos atrás, elegeu Riquita, Miss Angola, como sua rainha. E ela ficou deslumbrante e régia nas vestes tribais.

A incursão no Namibe foi um dia de pura fascinação (e agitação) que aumentava de descoberta em descoberta. Deserto, para mim, estará sempre envolto na surpreendente imagem de Lawrence da Arábia (um grandioso filme de David Lean, premiado com sete Óscares) quando PeterToole, de olhos azuis brilhantes como água, vestindo alvas vestes, em cima do seu cavalo de neve, de longas, sedosas e soltas crinas, rodopiava, feliz, antes de partir para uma das suas batalhas. Uma cena arrebatadora.


No Namibe, tive oportunidade de ver muitas, imensas, de todos os tamanhos, as exóticas Welwitschia Mirabilis (havia uma pequenina no cinema Miramar, em Luanda), planta que só existe neste deserto e pode durar mais de 100 anos. Almocei à sombra das dunas, deliciei-me ao olhar a maciez das areias, lisas, brilhantes que quando marcadas por isoladas pegadas me fizeram lembrar, novamente, a grandiosidade de Lawrence da Arábia. O meu plano visual era idêntico ao captado pela visão de Lean. Surpreendente.

Achei fascinante a descoberta, aquela lonjura de areia a perder de vista e até o calor do dia parecia não incomodar, tal era o encantamento da aventura. Regressei ao cair da tarde a Moçâmedes e não ousei passar a noite no interior do Nabime. Hoje, sinto pena por não o ter feito, dizem os sabedores no assunto, que a noite é o mais fascinante no deserto. Não há paz nem liberdade maiores do que a sentida debaixo das estrelas enormes e brilhantes como diamantes no céu. A sensação, dizem, é única e, enfeitiçante. Não me aventurei por medo do desconhecido, provavelmente. Ou pela sensação de isolamento e aridez. Neste sector o deserto Atacama (no norte do Chile) é o recordista mundial em aridez: durante 45 anos, entre 1919 e 1964, não recebeu uma gota de chuva!

No tocante a desertos a minha vida não é muito diversificada, até agora. Pezinhos nas areias do Namibe e sobrevoar, por diversas vezes, o deserto do Saara (o maior de todos seguido pelo Gobi, na Ásia e um dos mais quentes –pode chegar aos 60º-, ao lado do Kalahari), o lugar mais quente do planeta, com 9.065.000 km2, quase do tamanho da Europa, recheado de caminhos para caravanas e frondosos oásis e, apesar de ir bem escudada dentro do avião nos dez mil pés de altitude, confesso que a emoção não deixou de ser intensa e intimidante. A grandiosidade, as dunas, rochas, os recortes, os mares de areia, de muitas tonalidades, não permitiam desviar o nariz da janela redonda que se abria para um mundo de grandeza, de mistério e de total encantamento. Curioso, apesar de não dominar bem o assunto quando penso em desertos, sinto liberdade.

Alguns especialistas acreditam que os desertos possam vir a tornar-se em fontes de energia limpas do século XXI. Argumentam que uma área de 800 km por 800km de um deserto como o Saara poderia capturar energia solar suficiente para gerar todas as necessidades mundiais de electricidade. O não aproveitamento desse recurso deve-se ao facto de os países desenvolvidos continuarem a preferir a contínua exploração petrolífera e ao enriquecimento das empresas que se dedicam à sua extracção. (BBC)