OS GOLOS DE MANTORRAS SABEM A MEL


Quando hoje escutava um programa desportivo na Antena Um, apanhei indirectamente no ar uma declaração feita não sei por quem que me deixou verdadeiramente encantada O termo exacto é: deliciada. Achei de uma ternura tocante. Sei que era um alto responsável do futebol angolano (não tive tempo de apanhar o nome) e, referindo-se à breve deslocação do Benfica (o Glorioso) a Angola, quando lhe perguntaram onde gostaria de ver Mantorras jogar, disse esta maravilha:

– Gostava que jogasse na primeira parte no Benfica, e, na segunda, na equipa angolana (não sei se foi por esta ordem), mas esses aspectos técnicos não sou eu que decido, nem sei se é possível, mas gostava…

A pessoa que proferiu este pensamento conquistou-me. É preciso ter uma visão muito ampla, um imenso sentido patriótico e um não menos sentido desportivo para dar esta pérola ao jornalista…Gostava de o ver jogar nos dois lados. Mas, é mesmo lindo! Andámos já, anos e anos, em lutas terríveis (Portugal e Angola) e, hoje, civilizada e democraticamente, pensamos e agimos como pessoas de bem, não permitindo que as más lembranças se cruzem com a actualidade e muito menos com o futuro.

A voragem dos tempos modernos não se caracteriza por uma vastidão homens que não têm receio de unir a inteligência à sensibilidade e torná-la pública. Ele estava a falar do nº 9, avançado do Benfica que, em minha fraquíssima opinião, reconheço, deveria ter sido um segundo Eusébio no Clube das Águias mas, a vida, o clube, os médicos, o destino, ou, simplesmente o joelho, não o têm tratado bem. Apesar disso, e admiro sem reservas essa postura, Mantorras tem demonstrado uma força de vontade e uma verticalidade que impressiona. Já o vi desanimado, mas nunca o vi atirar a toalha ao chão, e a sua luta mental e física, não deve ter sido nada fácil. Já deve ter passado as passas do Algarve.


Quando Mantorras surgiu –eu e as minhas intuições- pensei: vai revolucionar o Benfica. Revolucionar, não revolucionou mas já tirou o Clube da Segunda Circular de muitos apertos quando, em momentos cruciais, funciona como um S.O.S., fita a bola e, poderosamente, remata à baliza. Os golos de Mantorras sabem a mel. São doces, apaziguam. Não sei muitos pormenores sobre a deslocação do Benfica, no final da temporada a Angola onde já esteve em 2002, disputando a Taça da Paz. Sei que vai aí permanecer oito dias, defrontar a selecção angolana, contactar com elementos jovens de vários clubes para fomentar o desenvolvimento do futebol naquele país. A partida do Benfica tanto pode ser a 12 como a 19. Porquê? Simples! Se chegar ao Jamor a 18 (s-i-m), partirá no dia seguinte, mas se as coisas não forem muito místicas, embarcará a 12. Estão a entender, não é? Meias-finais…eliminação ou não.

Enfim, Luanda que se prepare; o Benfica vai chegar aí, com as estrelas do plantel de Chalana, além de Filipe Vieira, Eusébio, a águia Vitória, e realizar-se-ão exposições de troféus, fotos de momentos inesquecíveis, além, claro, de desafios onde Mantorras por certo jogará. Em que lado do campo ele se irá movimentar? E isso é verdadeiramente importante? Temos de admitir que qualquer estratégia é excelente quando os campos cheios de adeptos vibrarem em uníssono e calorosamente frente à dinâmica praticada nos relvados. Essa é a verdadeira missão cultural do futebol: juntar, unir, nas bancadas, apoiantes de clubes diferentes que respeitam e admiram mutuamente.


Não sei se é dos regulamentos ou não um jogador, numa partida de futebol, jogar nos dois campos, mas era bonito!
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