HÁ QUE SALVAR O MUNDO!


A recordação da tragédia que se abateu sobre a Indonésia, há quatro anos, ainda hoje invade as imagens dos nossos pesadelos. A beleza paradisíaca do local e a consequente destruição deixou o Mundo em estado de choque, sentindo-se impotente para entender, aceitar e ajudar. O tremendo terramoto (o mais longo da história, durou 600 segundos) de 9.3 graus de magnitude (o mais forte registado em 40 anos), na escala de Richter, ocorrido no Oceano Índico, no norte de Sumatra, em 26 Dezembro de 2004 (causou mais de 300 mil mortos – 3 mil eram turistas e a maior parte estava na praia de Khao Lak), foi um dos piores desastres naturais da história, principalmente devido ao desencadeamento da gigantesca onda (o terramoto ocorreu a 9 mil metros de profundidade) e atingiu onze países banhados pelo Índico. Os cientistas dizem que Globalmente, este terramoto foi suficiente forte para fazer vibrar todo o Planeta em um centímetro. Quer dizer: todos os países foram afectados, apesar das ocorrências se terem verificado nas profundidades marítimas. Abriram-se fendas, inclinaram-se plataformas, deslocaram-se placas, foram criadas falhas no leito submarino. A energia libertada foi destruidora.


A grande maioria das vítimas encontrava-se na província indonésia de Ache, a mais próxima do epicentro. O maremoto, com ondas de 12 metros de altura que em seis horas percorreram 6500 quilómetros de distância lançou o terror e a morte em 12 países do sul da Ásia, da Oceânia e da costa oriental de África (Somália, Quénia). Todavia, as nações mais afectadas foram, sem dúvida, Indonésia, Sri Lanka, Índia e Tailândia.


Recordar este acontecimento -aviva emoções dolorosas-, ocorrido numa zona que, frequentemente, sofre destes poderosos impactos da Natureza, mostra por um lado a fragilidade humana; e, por outro, aviva a ideia de que somos sementes neste globo azul e transparente que estamos diariamente a agredir. Passaram-se quase quatro anos mas todos retêm as imagens do dramatismo ocorrido. Para além delas lembro uma entrevista que foi feita, creio que no segundo ou terceiro dia, após a catástrofe, a um líder de uma pobre e pequeníssima aldeia onde, milagrosamente, todos se salvaram (adoraria ter a transcrição desse diálogo que achei fascinante). Lamento não ter hoje as palavras certas proferidas pelo homem muito idoso e muito sábio. Mais ou menos penso que foi assim:


-…Quando vimos o mar recuar, sabíamos que ele estava a ganhar balanço para vir, em força, entrar na guerra que sempre teve com a terra e com as árvores. Ele vinha, uma vez mais, reclamar os seus direitos e marcar o seu território. É uma guerra que não é nossa. É dele e das árvores. Tínhamos de deixar o espaço livre para eles se entenderem. Sabemos isto porque aprendemos com os nossos antepassados os comportamentos do mar e, de geração, em geração, passamos os legados da nossa herança. Assim, deixamos o campo onde se iriam passar coisas terríveis e subimos o mais alto que nos foi possível. E só saímos quando eles tinham resolvido o problema. O mar e as árvores. Não morreu ninguém. Os nossos antepassados ensinaram-nos a entender, respeitar e a sobreviver a estas forças poderosas. Não era nada connosco. Só nos restava esperar. Nada do que pudéssemos fazer iria impedir a invasão do mar.

Ainda hoje me fascinam estas palavras. Elas são de uma simplicidade e de uma sabedoria tocante. A verdade é que apesar de tudo ter ficado destruído à sua volta, aquela aldeia sobreviveu! Passaram-se anos e o Globo, quer fustigado por violentíssimas alterações climáticas ou por agressões do homem, começa a ser um sítio perigoso para se viver. Os peixes morrem nos mares, nos rios. Em cada quilómetro quadrado dos oceanos milhões de toneladas de plástico (levam entre 100 e 400 anos a decompor-se) poluem e matam. O aquecimento global é uma ameaça em constante progressão. Entre muitas e muitas coisas a necessitarem de ser feitas, para minimizar os riscos os EUA têm de diminuir, até 2050, as emissões de gases de efeito de estufa até 90% e a Europa reduzir para metade. Pela primeira vez os EUA adiantaram, diria timidamente dado o que poluem, para 2025, uma redução dos gases. É pouco mas, dado que não ratificaram o Protocolo de Quioto, já é um começo.


Mil milhões de pessoas estão ameaçadas com a subida do nível das águas; no Árctico o gelo marinho atingiu o mínimo histórico em 2007; até 2050 as populações dos ursos polares, devido ao degelo, deverá sofrer uma quebra entre 66%; o degelo da calote polar do Árctico (está a diminuir desde 1978), em poucas décadas, pode ameaçar zonas da Europa (Portugal incluído); o desaparecimento das florestas, os resíduos nucleares, a contaminação das linhas de água, é ameaça. O aumento das emissões de dióxido de carbono, também o é. Desertificações, migrações e fome, já são uma realidade. O clima, em constantes alterações, aumentará as catástrofes naturais: cheias, secas, tornados, furacões, terramotos.


Diz quem sabe que, actualmente, há 50 pessoas capazes de salvar o Planeta. È o tempo certo para agirem com o seu saber e, nós, os leigos, na procura de conhecimentos para, diariamente, os pormos em prática. Unamos esforços em todos os cantos do mundo, façamos o que nos compete nesta luta desigual mas necessária, para salvar a única casa que abriga a Humanidade.

Necessitei de avistar a Terra a partir do espaço, em toda a sua beleza e fragilidade, para compreender que a tarefa mais urgente é estimar e preservar o planeta para as gerações futuras
Sigmund Jahn
(astronauta alemão)
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