Archive for Julho, 2008

ÁS VEZES HÁ DIAS ASSIM!…MAS, SÃO TÃO RAROS!!!

Marília e Coutinho formavam um casal amoroso. Jovens, bonitos, alegres, pareciam ter tudo para saborear a vida sem preopucações de maior, mas nem sempre o decorrer dos acontecimentos se concretiza na sequência exacta do que se deseja e do que parece ser lógico. Aquele tarde não era, de todo, uma tarde agradável. Chovia torrencialmente, o carro (inesperadamente) pára e o jovem casal vê-se numa localidade que não queria. Desconheciam o lugar, não sabiam o que fazer ao carro, não traziam muito dinheiro e, para completar o cinzento cenário, o telemóvel estava sem bateria. Não era sexta-feira, nem sequer dia 13. O que não importava muito, eles até não eram supersticiosos.

Coutinho sai do carro e ajuda Marília (não trazia sombrinha), um pouco desajeitadamente porque o nervosismo já se tinha instalado e desconcertava pensamentos e movimentos. Rapidamente, fecham a porta da viatura, dirigem-se, a correr, para um pequeno café mesmo em frente e pedem para fazer uma chamada, tentando resolver o problema do carro. Coutinho opta por apanhar um táxi e ir ter com um amigo mecânico que, habitualmente, o salvava em situações idênticas. Coloca o triângulo, acena a Marília e parte.

A jovem, molhada, indisposta, olha em volta e esboça um sorriso, mais do que amarelo. Não sabia bem o que dizer. Sentia-se deslocada. Olha em volta, repara numas raspadinhas expostas perto dos rebuçados e diz ao proprietário do pequeno café:

– Bom, como vou ter de estar aqui um pouco e não posso beber café, já bebi dois, vou comprar uma raspadinha. Nunca me sai nada, mas, olhe, é para passar o tempo.


O dono do café sorriu e adiantou:

-Nunca se sabe. Sair a alguém, sai. Geralmente não nos calha é a nós. Mas, ás vezes, há dias de sorte Qual prefere? pergunta.


Marília olhou atentamente as poucas que restavam e optou por uma, sem qualquer critério. Pagou. Escolheu uma das três mesas que havia e sentou-se numa delas. Reparou no movimento da rua, no cair da chuva que de miudinha não tinha nada, tirou uma moeda da carteira e começou a raspar. Lentamente. A finalidade era distrir-se um pouco até ao regresso do marido.

Passados alguns bons minutos, Marília, lívida, de olhos demasiado abertos, junto ao balcão fixa o dono do café que nessa altura dava a uma cliente um pastel de feijão. Surpreso, pergunta à jovem se estava bem ou se precisava de alguma ajuda.

-Não, não. Estou bem, obrigada.

E num movimento nervoso mostra ao senhor a raspadinha. Ele olha-a e escuta a jovem

-Saíram-me 6 mil euros!!!

O mistério não é um muro onde a inteligência esbarra, mas um oceano onde ela mergulha.

(Gustav Thibon)


CURIOSOS, INSATISFEITOS E DIFERENTES

Já deve ter dado por si a indagar sobre a personalidade que, ao longo da História, mais o impressionou. Não é tarefa fácil chegar a uma conclusão porque, felizmente, em todos os tempos muitos homens e mulheres –pela sua estatura moral, pela capacidade inventiva, pela amplitude de horizontes, pela bravura e sensibilidade- autenticaram, notavelmente, a sua passagem pela Terra e souberam, apesar das dificuldades e incompreensões de várias épocas, encontrar a forma de irromper da multidão.


Leonardo da Vinci, Newton, Chopin, por exemplo, ao darem o passo em frente que os transportou aos espaços da imortalidade ainda hoje continuam a fascinar gerações. O que os terá feito diferentes? Um conjunto de causas e circunstâncias, onde a curiosidade e a insatisfação não estiveram ausentes. Só as pessoas permanentemente curiosas e insatisfeitas têm a marca da diferença e são capazes de impulsos geniais, tal como Galileu, quando marcava o tempo da queda dos objectos que deixava cair da Torre de Pisa. Não era o desejo da glória que o movia, era o seu espírito curioso em acção.


Recordar a vida de homens assim aviva-nos a necessidade de abandonarmos, de vez em quando, a estrada de asfalto e aventurarmo-nos pelos campos. É preciso descobrir, hoje, qualquer coisa nova. É preciso, hoje, ter um pensamento novo.

Quando uma nova ideia alarga o espírito do homem, ele nunca mais volta à sua dimensão primitiva

Wendell Holmes


A AMEAÇA DA SOPA PLÁSTICA


Durabilidade, estabilidade e resistência a desintegração. Estas são as propriedades que fazem do plástico um dos produtos com maiores aplicações e utilidades ao consumidor final, também o tornam num dos maiores vilões ambientais. São produzidos anualmente cerca de 100 milhões de toneladas de plástico e cerca de 10% deste total acabam nos oceanos, sendo que 80% desta fracção vem de terra firme

No Oceano Pacífico há uma enorme camada flutuante de plástico, que já é considerada a maior concentração de lixo do mundo, com cerca de 1000 km de extensão. Vai da costa da Califórnia, atravessa o Havai, chega a meio caminho do Japão e atinge uma profundidade de mais ou menos 10 metros. Acredita-se que haja neste de lixo cerca de 100 milhões de toneladas de plásticos de todos os tipos. Pedaços de redes, garrafas, tampas, bolas, bonecas, patos de borracha, ténis, isqueiros, sacolas plásticas, malas e todo o que fôr possível ser feito com plástico. Segundo os seus descobridores, a mancha de lixo, ou sopa plástica, tem quase duas vezes o tamanho dos Estados Unidos.

O oceanógrafo Curtis Ebbesmeyer, que pesquisa esta mancha há 15 anos, compara-a a uma entidade viva, um grande animal que se movimenta livremente pelo Pacifico. E, quando passa perto do continente, as praias ficam cobertas de lixo. A bolha plástica actualmente está em duas grandes áreas ligadas por uma parte estreita. Referem-se a elas como bolha oriental e bolha ocidental. Um marinheiro que navegou pela área no final dos anos 90, disse que ficou atordoado com a visão do oceano de lixo plástico à sua frente.

-Como foi possível fazermos isto? Naveguei mais de uma semana sobre todo esse lixo!

Pesquisadores alertam para o facto de que toda a peça plástica que foi manufacturada, desde que este material foi descoberto e que não foi reciclada, ainda está em qualquer lugar. E, ainda, há o problema das partículas decompostas deste plástico. Segundo dados de Curtis Ebbesmeyer, em algumas áreas do Oceano Pacifico pode-se encontrar uma concentração de polímeros seis vezes mais do que o fitoplâncton, base da cadeia alimentar marinha. Segundo PNUMA (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente), este plástico é responsável pela morte de mais de um milhão de aves marinha todos os anos. Sem contar toda a outra fauna que vive nessa área, como tartarugas marinhas, tubarões e centenas de espécies de peixes.

Essa sopa plástica pode funcionar como uma esponja que concentra todo tipo de poluentes persistentes, ou seja, qualquer animal que se alimentar nestas regiões estará ingerindo altos índices de venenos, que podem ser introduzidos, através da pesca, na cadeia alimentar humana, fechando-se o ciclo, na mais pura verdade: o que fazemos à Terra retorna a nós, seres humanos (fontes: The Independent, Greenpeace, Mindfully e um e-mail amigo).



Se o Oceano Pacífico lhe parecer demasiado remoto e abstracto, situe o fenómeno no Atlântico, no Mediterrâneo, no Tejo, no Douro, no Côa, no Cávado. É que talvez não esteja muito longe de nós a ameaça, se as coisas continuarem assim. Antes de pegar num saco de plástico, pense. Antes de reciclar plástico, pense. Antes de comprar plástico, pense. Pense na sua saúde, na saúde do Planeta que vai deixar aos seus filhos e aos filhos dos seus filhos. Cuide da sua Casa Mundial. Espalhe a mensagem. Eu, estou a tentar fazê-lo!

Se tu amas uma flor que se acha uma estrela, é bom, de noite, olhar o céu. Todas as estrelas estarão floridas


A MAGIA DE OBAMA


Gosto de acompanhar as longas (e complicadas) eleições presidenciais americanas. Durante um ano os candidatos desgastam-se e, simultaneamente, arranjam tarimba. Surpreendem, decepcionam, galvanizam ou vão empalidecendo de discurso em discurso, de entrevista em entrevista. Não é um desafio para fracos. Nos vibrantes e coloridos comícios que os levam América dentro o percurso das primárias parece infindável, mas é aí que é escolhido o candidato que representará o Partido. Neste momento essa fase está definida: Barack Obama (Democrata) ganhou a Hillary Clinton e o senador de Illinois prepara-se para, a 4 de Novembro, defrontar McCain (Republicano).


Como é um tema que me interessa escrevi a 15 de Fevereiro, uma crónica com o título Três Presidentes na Casa Branca. Nessa altura, Hillary, ainda beneficiava de todo o estado de graça.


…As eleições americanas são um mundo! Nos bastidores tecem-se acordos de última hora, “cobram-se” lealdades, lembram-se promessas, há verdadeiras maratonas nos corredores que levarão um dos candidatos à Casa Branca. Pelos Democratas serão duas personalidades distintas na corrida: Hillary Clinton e Barack Obama. Apesar dos americanos estarem fartos de “dinastias” por capricho dos deuses ou voltas do destino, Bill Clinton será o Primeiro-Cavalheiro da América, Barack Obama Vice-Presidente (um dia será presidente) e Hillary Clinton, a Presidente…


Não é difícil verificar como me enganei em toda a linha. Ignorando a fulgurante comunicabilidade de Obama e a sua poderosa máquina eleitoral que lhe assegurou, meticulosamente, sucesso após sucesso, peguei novamente no tema e a 11 de Maio, escrevi, Os Empolgantes Discursos de Obama:


… Três Presidentes na Casa Branca (Hillary, Bill e Obama) seria bom, dadas as crises, em vários sectores, que a América está a viver, com reflexos no mundo e, tendo em conta as mudanças que se virão a operar com o aparecimento do poder da China, da Rússia, já para não falar de outros desafios como as fortes mudanças climáticas, a guerra do pão (o preço dos alimentos que ameaça fome para milhões de pessoas), o preço imparável do petróleo, as exorbitantes verbas aplicadas na guerra do Iraque, a instável situação financeira instalada na América. Uma imensa lista de preocupações.
A situação complicar-se-á, por isso, mais do que nunca, acho desajustada no tempo a nomeação de Obama. Ele será Presidente da América, um dia, mas não o deveria ser em 2008. Obama, contrariamente às ondas de exaltação em torno de si, é frágil. Não mudei de opinião mas, analisada a situação actual dos candidatos ou Hillary renasce das cinzas, ou Obama é eleito. E, se preferia o renascer da Fénix, acho que se as cinzas forem demasiado quentes para a apoteose, então que McCain seja o escolhido. A experiência é de ouro. O mundo precisa de líderes confiantes. Sabedores. Seguros…


Nesta altura já dominava o poder conquistado por Obama, na sua trajectória gloriosa nas primárias mas continuava a achá-lo frágil, inexperiente, para tamanha responsabilidade que é a de entrar, oficialmente, na Casa Branca e os reflexos da sua Administração no mundo. Embora o silêncio de McCain me confundisse, pensei ser estratégia. A 5 de Junho voltei ao tema com, O Sonho de Hillary:


…O desfecho de 4 de Novembro é imprevisível, penso que estas eleições para a Presidência da América são as mais renhidas dos últimos tempos e, em minha opinião, o jogo está assim no tabuleiro: metade da América não quer Hillary (inteligente, forte, segura) que, à partida, não esperava tão alto nível de rejeição por parte dos americanos. A outra metade não quer Obama (jovem, visionário, carismático e excelente orador), que surpreendeu pela positiva, apoiado por uma campanha estonteante e conquistando apoiantes de peso, em sectores diversos. O republicano e herói de guerra John McCain, defende a continuação das tropas americanas no Iraque, tem a “bênção” de Bush (os americanos estão saturadas da sua Administração), e mantêm a esperança de vencer os democratas…

A partir de sábado, a senadora de Nova Iorque (terminou o sonho de ser a primeira mulher presidente dos EUA) e o senador de Illinois, unir-se-ão na defesa da mesma linha de conduta que deixará Obama frente-a-frente ao republicano Jonh McCain que, tranquilo (tem tido tempo para preparar-se mental e fisicamente para o confronto), tem testemunhado o esforço, o desgaste, as derrotas e as vitórias dos dois rivais. As sondagens sobre Obama não são muito favoráveis, no confronto com o veterano McCain (se entrar na Casa Branca será o presidente mais idoso de sempre)…

O tempo passou, as análises feitas deram conclusões diferentes e, embora o tema seja o mesmo, confesso que neste momento não posso deixar de reconhecer que Obama surpreendeu e, inteligentemente, soube manter intocável a imagem à qual recentemente acrescentou estatuto internacional. Sem dificuldade recebeu o verdadeiro banho de multidão na Alemanha; França rendeu-se ao seu carisma e a fleuma britânica esfumou-se perante o candidato presidencial que tem já postura de Presidente. A Obamania conquista, presentemente, largos milhões de apoiantes. Há mesmo reputados jornalistas americanos que o descrevem já como o futuro inquilino da Casa Branca. Sem capacidades de futurologia, em rigor, ninguém saberá o que se passará na disputa com McCain. Inesperadamente, pode perder! Ou a sua vitória será facilmente confirmada? Se assim for, será que o vão deixar governar?

Problemas que vêm com a vitória são mais agradáveis do que os da derrota, mas igualmente difíceis.

UMA LÁGRIMA DO MAR…

Para o poeta, uma pérola é uma lágrima do mar; para os orientais é uma gota de orvalho solidificada; para as mulheres é uma jóia que usam em anéis, colares ou brincos. Para o químico é uma mistura de fosfato e carbonato, de calcário com um pouco de gelatina e, para os naturalistas, é, simplesmente uma secreção mórbida do órgão que, em determinados bivalves, produz a madre-pérola.

Júlio Verne
(20 Mil Léguas Submarinas)