SABEDORIA DE MÃE


Para mim, o aliciante de ser blogger é poder criar, escrever o que e quando me apetece, sem barreiras ou imposições de qualquer espécie: nem tempo, nem espaço, nem tema. Sou (ou era?) uma diurna assumida mas, hoje, frequentemente, escrevo até às 2, 4 ou mesmo 6 horas da manhã, com uma frescura que a mim própria me surpreende. É um saborear (viciante), lento, desta liberdade absoluta que me agrada. Confesso. Mas, para lá da possibilidade de pensar e escrever não posso deixar de referir que o facto de se poder partilhar tudo, da poesia à receita requintada ou trivial, passando por artigos de opinião, focar a actualidade e desenvolvê-la ou dizer o que se pensa sobre uma personalidade nacional ou internacional, é aliciante.


Dá-nos poder decisório é certo (às vezes, podemo-nos sentir ser uns bem intencionados treinadores de bancada da vida) mas aumenta-nos a responsabilidade. Acho que estamos nos primeiros tempos dos blogues; o futuro reservar-lhe-á uma importância notória onde criar e partilhar serão as estruturas sólidas da maneira de sentir o palpitar do mundo, da vida, e levar, através desta infinita janela informática, ecos de análise ou sensibilidade que ecoarão pelos quatro cantos do Globo. Diariamente recebo muitas mensagens e, se por vezes, me debato na dúvida se devo ou não publicar temas que não estão assinados outras há que, apesar disso, pelo tema, ou por análise, acho que devo cumprir o sagrado mandamento de qualquer blogger: partilhar. O texto que se segue (não sei de quem é) não vai mudar nada nem ninguém, mas tem uma mensagem. Não é minha mas, uma vez mais, através do meu blogue, sou intermediária de uma leitura que pode agradar, pelo menos, a uma pessoa. Valerá a pena.

***


Uma manhã, a minha mãe, muito sábia, convidou-me a dar um passeio no bosque e eu aceitei com prazer. A certa altura, deteve-se numa clareira e depois de um pequeno silêncio perguntou-me:


– Além do cantar dos pássaros, ouves mais alguma coisa?


Concentrei-me bem e alguns segundos respondi: –Estou a ouvir um barulho de uma carroça.


– Isso mesmo, disse a minha mãe: É uma carroça vazia…


– Como pode saber que a carroça está vazia, se ainda não a vimos?


Ora, respondeu minha mãe. É muito fácil saber se uma carroça está vazia por causa do barulho. Quanto mais vazia, maior é o barulho que faz!


Tornei-me adulto e, até hoje, quando vejo uma pessoa a falar demais, a gritar (no sentido de intimidar), tratando o próximo com indelicadeza, agressividade e prepotência, interrompendo a conversa de todos e, querendo demonstrar que é a dona da razão e da verdade absoluta, tenho a impressão de escutar a voz da minha mãe sussurrando-me ao ouvido:

…Quanto mais vazia a carroça, mais barulho faz…


Somos formados e moldados por aquilo que amamos
(Goethe)

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