A MAGIA DE OBAMA


Gosto de acompanhar as longas (e complicadas) eleições presidenciais americanas. Durante um ano os candidatos desgastam-se e, simultaneamente, arranjam tarimba. Surpreendem, decepcionam, galvanizam ou vão empalidecendo de discurso em discurso, de entrevista em entrevista. Não é um desafio para fracos. Nos vibrantes e coloridos comícios que os levam América dentro o percurso das primárias parece infindável, mas é aí que é escolhido o candidato que representará o Partido. Neste momento essa fase está definida: Barack Obama (Democrata) ganhou a Hillary Clinton e o senador de Illinois prepara-se para, a 4 de Novembro, defrontar McCain (Republicano).


Como é um tema que me interessa escrevi a 15 de Fevereiro, uma crónica com o título Três Presidentes na Casa Branca. Nessa altura, Hillary, ainda beneficiava de todo o estado de graça.


…As eleições americanas são um mundo! Nos bastidores tecem-se acordos de última hora, “cobram-se” lealdades, lembram-se promessas, há verdadeiras maratonas nos corredores que levarão um dos candidatos à Casa Branca. Pelos Democratas serão duas personalidades distintas na corrida: Hillary Clinton e Barack Obama. Apesar dos americanos estarem fartos de “dinastias” por capricho dos deuses ou voltas do destino, Bill Clinton será o Primeiro-Cavalheiro da América, Barack Obama Vice-Presidente (um dia será presidente) e Hillary Clinton, a Presidente…


Não é difícil verificar como me enganei em toda a linha. Ignorando a fulgurante comunicabilidade de Obama e a sua poderosa máquina eleitoral que lhe assegurou, meticulosamente, sucesso após sucesso, peguei novamente no tema e a 11 de Maio, escrevi, Os Empolgantes Discursos de Obama:


… Três Presidentes na Casa Branca (Hillary, Bill e Obama) seria bom, dadas as crises, em vários sectores, que a América está a viver, com reflexos no mundo e, tendo em conta as mudanças que se virão a operar com o aparecimento do poder da China, da Rússia, já para não falar de outros desafios como as fortes mudanças climáticas, a guerra do pão (o preço dos alimentos que ameaça fome para milhões de pessoas), o preço imparável do petróleo, as exorbitantes verbas aplicadas na guerra do Iraque, a instável situação financeira instalada na América. Uma imensa lista de preocupações.
A situação complicar-se-á, por isso, mais do que nunca, acho desajustada no tempo a nomeação de Obama. Ele será Presidente da América, um dia, mas não o deveria ser em 2008. Obama, contrariamente às ondas de exaltação em torno de si, é frágil. Não mudei de opinião mas, analisada a situação actual dos candidatos ou Hillary renasce das cinzas, ou Obama é eleito. E, se preferia o renascer da Fénix, acho que se as cinzas forem demasiado quentes para a apoteose, então que McCain seja o escolhido. A experiência é de ouro. O mundo precisa de líderes confiantes. Sabedores. Seguros…


Nesta altura já dominava o poder conquistado por Obama, na sua trajectória gloriosa nas primárias mas continuava a achá-lo frágil, inexperiente, para tamanha responsabilidade que é a de entrar, oficialmente, na Casa Branca e os reflexos da sua Administração no mundo. Embora o silêncio de McCain me confundisse, pensei ser estratégia. A 5 de Junho voltei ao tema com, O Sonho de Hillary:


…O desfecho de 4 de Novembro é imprevisível, penso que estas eleições para a Presidência da América são as mais renhidas dos últimos tempos e, em minha opinião, o jogo está assim no tabuleiro: metade da América não quer Hillary (inteligente, forte, segura) que, à partida, não esperava tão alto nível de rejeição por parte dos americanos. A outra metade não quer Obama (jovem, visionário, carismático e excelente orador), que surpreendeu pela positiva, apoiado por uma campanha estonteante e conquistando apoiantes de peso, em sectores diversos. O republicano e herói de guerra John McCain, defende a continuação das tropas americanas no Iraque, tem a “bênção” de Bush (os americanos estão saturadas da sua Administração), e mantêm a esperança de vencer os democratas…

A partir de sábado, a senadora de Nova Iorque (terminou o sonho de ser a primeira mulher presidente dos EUA) e o senador de Illinois, unir-se-ão na defesa da mesma linha de conduta que deixará Obama frente-a-frente ao republicano Jonh McCain que, tranquilo (tem tido tempo para preparar-se mental e fisicamente para o confronto), tem testemunhado o esforço, o desgaste, as derrotas e as vitórias dos dois rivais. As sondagens sobre Obama não são muito favoráveis, no confronto com o veterano McCain (se entrar na Casa Branca será o presidente mais idoso de sempre)…

O tempo passou, as análises feitas deram conclusões diferentes e, embora o tema seja o mesmo, confesso que neste momento não posso deixar de reconhecer que Obama surpreendeu e, inteligentemente, soube manter intocável a imagem à qual recentemente acrescentou estatuto internacional. Sem dificuldade recebeu o verdadeiro banho de multidão na Alemanha; França rendeu-se ao seu carisma e a fleuma britânica esfumou-se perante o candidato presidencial que tem já postura de Presidente. A Obamania conquista, presentemente, largos milhões de apoiantes. Há mesmo reputados jornalistas americanos que o descrevem já como o futuro inquilino da Casa Branca. Sem capacidades de futurologia, em rigor, ninguém saberá o que se passará na disputa com McCain. Inesperadamente, pode perder! Ou a sua vitória será facilmente confirmada? Se assim for, será que o vão deixar governar?

Problemas que vêm com a vitória são mais agradáveis do que os da derrota, mas igualmente difíceis.
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