HILLARY – O DISCURSO DA UNIÃO

Foto: Galeria Windows

É possível que dentro de uma hora Hillary Clinton, em Denver, esteja já a fazer na segunda noite da Convenção Nacional Democrata, o tão esperado discurso que muitos analistas e apoiantes (70%) consideram como o apelo ao futuro e ao equilíbrio da união partidária. A tarefa é muito difícil e Hillary sente nos ombros a responsabilidade de unir o Partido e convencer os seus apoiantes, no total representam 18 milhões de votos, a apoiar Barack Obama. Porém, estima-se que 30% deles, teimosamente, negam ou parecem negar-se a seguir a voz da candidata por eles escolhida que, em sua análise, continua a ser a melhor. E, não escondem: se não é ela, o voto irá para McCain!

Aqui está um cenário que tem de ser contrariado. Já sem os votos dos fieis seguidores de Hillary, o candidato republicano está empatado com o candidato democrata. A posição de Obama, neste momento, não é nada reconfortante. Hillary poderá ajudar. Talvez tenha de engolir alguns sapos mas como responsável patriota que há anos demonstra ser, ela não quer a vitória dos republicanos. Por isso, seguramente, pedirá aos milhares de assistentes que a 4 de Novembro votem em força em Obama.

A missão de Hillary é ingrata e tem várias vertentes: se por um lado se candidatou à Casa Branca era para ganhar mas, perdeu! Aceitou dignamente a derrota e quando muitos esperavam (e ela própria, talvez. Os Kennedy`s ainda estavam nos bastidores) que seria indicada para vice-presidente Barack Obama escolhe Joseph Biden. Assim, duplamente derrotada, a senadora de NY tem de ser, esta madrugada (em Portugal) a voz da noite, apaziguadora de exaltações e conduzir o seu discurso no apelo à união que ajudará a América nos novos rumos. E, se por um acaso estranho do destino -não é habitual diga-se, Hillary é uma política experiente, tem carisma e o dom de conquistar, galvanizar, plateias-, nada (hoje) lhe corresse bem e não conseguisse dominar os seus milhões de votantes o facto reverteria contra ela e a sua carreira política ficaria marcada por esse desaire. Hoje, é absolutamente necessário (para os democratas) que Obama saia em apoteose, apesar de Hillary, assim que subir ao palco da Convenção, enquanto lá estiver, ofuscar tudo e todos à sua volta. Mesmo Barack Obama!

Como diria em bom português estas eleições Presidenciais americanas são um verdadeiro bico-de-obra. É que apesar da Obamania a América continua dividida o que não é bom, por todos os motivos e até pelo braço de ferro que parece esboçar-se na actual rigidez das relações com a Rússia que, como se sabe, tem tendência para se fortalecer. Se ganha Obama, ele tem de ser o homem mais protegido do planeta e senhor de uma grande coragem fisica e mental, como reagirão os americanos? Se ganha McCain? Mais experiência, é certo mas, diz-se, a continuação da dinastia Bush.

Se Obama ganhar terá o senador Biden (65 anos) como vice. Dele diz-se que é uma pessoa que tudo lhe acontece. O bom e o mau, mas tem conseguido, sempre, renascer das dificuldades: duas candidaturas falhadas à presidência, um trágico acidente de viação (faleceu a mulher e a filha mais nova e dois filhos gravemente feridos. Voltou a casar e tem desse casamento uma filha). Tem sabido manter-se entre os fracassos e os êxitos. É profundamente católico e diz-se que traz sempre no bolso um terço. Se Obama for Presidente dos EUA, Biden será o primeiro vice-presidente católico na Casa Branca. Tem experiência política e sólidos conhecimentos de política internacional. É um excelente orador e uma (quase) vocação para gaffes. Em 2007 quando lançou a sua candidatura disse de Obama:

-É o primeiro candidato presidencial afro-americano articulado, brilhante, limpo e bem-parecido. Biden telefonou mais tarde a Obama garantindo-lhe que não o queria ofender.

Sobre a escolha de Biden, Hillary disse:

-É um líder experiente e servidor público devotado, e será um vice-presidente dinâmico e incisivo.


Obama, apresentou-o desta forma, num comício em Springfield, Illinois:

-Um líder pronto para ser presidente.

Se conheces o inimigo e te conheces a ti mesmo, não precisas de temer o resultado de cem batalhas. Se te conheces a ti mesmo, mas não conheces o inimigo, por cada vitória sofrerás também uma derrota. Se não te conheces a ti mesmo nem conheces o inimigo, perderás todas as batalhas.
(Sun Tzu)

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