Archive for Setembro, 2008

CAI NEVE EM…MARTE!!!

Foto: Sapo/Windows

Já 160 a.C. o astrónomo grego Hiparco se deixou fascinar por este ponto vermelho no céu chamado Marte e, ao analisá-lo, verificou que ele nem sempre se movia de Oeste para Leste. As observações do movimento aparente de Marte feitas por Tycho Brahe, em 1546, permitiram ao seu discípulo Johannes Kepler descobrir as leis dos movimentos dos planetas que deram suporte à teoria heliocêntrica de Copérnico. Em 1655, Christiaan Huygens construiu um telescópio (ampliação de 50x) e, em 1659, quando Marte se encontrava em oposição, decide examiná-lo e distingue manchas que assinala num esboço com uma marca em forma de V, o que é hoje identificado como Syrtis. O ano de 1877 foi um ano-chave para os estudos do planeta, já que se encontrava numa oposição muito mais próxima da Terra. E, assim, o astrónomo norte-americano Asaph Hall descobre os seus satélites naturais: Fobos e Deimos.

Marte, desde sempre provocou muita curiosidade (gerou-se a ideia de que o planeta foi ou é habitado e, na actualidade, pensa-se que poderá ser um destino futuro para resolver o problema terreno que, na altura, se debaterá com escassez de água, excesso de população…) e, também, em 1855, Percival Lowell espiou esse imenso deserto frio-, que é um dos mais visitados planetas por naves não tripuladas. Em 1965 recebeu uma sonda Mariner 4. Em 1971 aterra outra e, em 1976, recebe outras duas: as Viking 1 e 2. Em 97 a paisagem marciana tem um visitante estranho: um pequeno robot com uma missão especial e atribulada. Em 2004 outros dois possibilitam o envio de informações que chegam à Terra, sempre ansiosa por descobrir mais. Todavia, o maior volume de informações são obtidas pelas sondas que orbitam Marte, e que possibilitaram desconfiar mais sobre o Planeta Vermelho e as fortes marcas de erosão no terreno que deve ter sofrido erupções vulcânicas há um milhão de anos.

Desconfiados estavam (e estão) os cientistas sobre infiltrações de água, o precioso líquido cuja existência responderia a muitas interrogações: teria existido vida? Talvez sim, talvez não mas, as possibilidades aumentariam de ali ter existido vida microscópica se o gelo tivesse alguma vez ter sido água líquida. E, quando a sonda Phoenix tocou (25 de Maio. Terminará a missão em fins de 2008) o tão visitado solo marciano a NASA e a Agência Europeia, sentiram o sabor daquele distante gelo e rejubilaram ao ver (há horas) o laser da Phoenix detectar neve a cair das nuvens de Marte a uns quatro quilómetros de altura. Fantástico! Nunca ninguém tinha visto nada assim.

A comunidade científica internacional mais do que nunca quer ter certeza sobre o planeta que já nos tempos do passado longínquo tirou horas de sono aos babilónios e, mais tarde, aos gregos. As experiências vão continuar. Entretanto, a Phoenix, vai-se esgotando nas suas potencialidades e no princípio do novo ano deve já ser mais um pedaço de lixo a gravitar no Espaço. Não é muito poético mas esse terminar nunca será inglório. Dê as voltas que der, tenha as colisões que tiver ela será sempre a sonda que, pela primeira vez, deu possibilidades a estes confusos terrenos de ver cair neve sobre o solo vermelho de Marte. Soa a canção!

Todo conhecimento humano é incerto, inexacto e parcial
(Bertrand Russel)


DEBATE NO MISSISSIPI

Foto: Sapo/Windows

A esta hora decorre, no Mississipi, o primeiro dos três encontros televisivos entre McCain (republicano) e Barack Obama (democrata) de extrema importância (em 1960 John Kennedy enfrentou brilhantemente Ricard Nixon e, ainda hoje se diz que ali, na televisão, foi escolhido o Presidente) para os resultados finais das eleições presidenciais americanas que terão a 4 de Novembro o esperado epílogo. Desde o início até ao momento final, a disputa antevê-se permanentemente acesa, disputadíssima e, até hoje (27.9), nada está definido. E a actual crise financeira dos EUA veio confundir mais. Há Estados de extrema importância na decisão final (o da Florida, por exemplo) que parecem debater-se, ainda, na indecisão.

São 3:39 e como não tenho TV Cabo não me é possível acompanhar o frente-a-frente entre os dois candidatos que suponho estar a ser renhido. Outra coisa não é de esperar por quem sente e diz ter capacidades para ser o novo locatário da Casa Branca. Até ao último minuto McCain esteve para não ir mas, bem aconselhado, não primou pela ausência que lhe dava uma imagem de algo que ele, ao longo da vida, demonstrou não ser: cobarde, capaz de virar as costas a um desafio. A justiça tem de ser feita para ambos. Obama foi firme quanto ao cenário de recusa por parte de McCain e afirmou: o povo americano merece saber como tencionam os candidatos liderar a América se forem eleitos.

Campanhas na América são, como se sabe, um mundo: longas, dispendiosas, vibrantes e feéricas. Tudo pode acontecer! Publicidade no site do Wall Street Journal, e uma página publicitária no Washington Post, colocada antes do encontro, dava McCain como vencedor do debate, o que, convenhamos, é, pelo menos, bizarro. Sem quer entrar no campo da futurologia há dados que permitem analisar que, presentemente, McCain perdeu nas tabelas de preferências, a favor de Obama. A escolha da governadora do Alasca, Sarah Palin, teve apenas horas de euforia e tem-se revelado um pouco desastrosa, o que não quer dizer que Obama seja já vencedor. Eleições movem mundos de surpresas e de poder. Fervilham os bastidores, os apoiantes, e, os que tentam tudo para que o resultado final coincida com a preferência do seu voto.

O convite de Bush a Obama para se reunir na Casa Branca, pareceu-me um convite envenenado. Haveria a ideia de colocar o senador de Illinois numa situação frágil, num ambiente que ele ainda não domina, frente aos ainda indecisos, a propósito da crise financeira e do plano do actual Presidente da América (700mil milhões de dólares) que está, como se sabe, a ter dificuldades em ser aprovado? Talvez sim, talvez não. É possível. Tudo é possível! É provável que os republicanos quisessem sentar o seu candidato, McCain, já no interior da Casa Branca para valorizar a imagem, assegurar o protagonismo. Mas isso não aconteceu.

São 4:35 e notícias vindas da Antena Um dizem que este frente-a-frente (morno) que durou hora e meia, foi dominado, como se esperava, pelo tema da crise financeira americana. Quanto ao plano Bush nenhum dos dois intervenientes foi claro -McCain está optimista quanto à crise dos mercados financeiros e Obama afirmou ser a maior recessão dos últimos largos anos-, ambos ficaram pela ambiguidade. Falou-se no Iraque, Rússia, Afeganistão, mas parece que nada de novo foi acrescentado ao que os candidatos à Presidência dos Estados Unidos já disseram nas suas anteriores intervenções. A maior clivagem de opiniões foi sobre o Iraque onde Obama disse que o processo foi mal gerido e McCain afirmou que os EUA estão a ganhar e a América vai sair com honra e dignidade. Uma particularidade interessante: ao longo de todo o debate o candidato democrata nunca deixou de olhar o candidato republicano nos olhos e este, McCain, nunca fixou Obama durante os 9O minutos!

Quanto maior for a crença nos seus objectivos, mais depressa os conquistará!
(Maxwel Maltz)


O NOSSO FUTURO DEPENDE DO FUTURO DO MUNDO

Foto: Sapo/Windows

Ontem, inaugurou-se na Póvoa do Varzim algo que considero muito importante e quando me preparava para falar sobre o tema, lembrei-me de Eurico da Fonseca e de uma afirmação que me dera numa entrevista em 1978, e que estava relacionada com a referida inauguração. Ao pesquisar algo mais sobre este brilhante cientista e investigador português, inesperadamente, descobri num site, Setúbal Em Rede, uma entrevista que lhe foi feita no dia 31 de Dezembro de 2000, por Etelvina Baía. Achei-a imperdível e, por isso, transfiro para amanhã a inauguração do parque de ondas e, hoje, se o tema lhe interessa leia o que há oito anos disse Eurico da Fonseca.


O cientista e investigador Eurico da Fonseca, cujas raízes estão ligadas ao distrito de Setúbal, diz-se apreensivo quanto ao que a humanidade poderá fazer do próximo século. Nada de bom, receia, pelo menos a avaliar pelo que diz ter sido o depauperamento dos recursos do planeta em favor do consumismo e das invenções de usar e deitar fora. Para acabar com este princípio, o cientista defende um novo modelo de sociedade baseado no equilíbrio entre a Natureza e as necessidades do Homem. Mas para que isso aconteça, principalmente em Portugal, há que acreditar nos cientistas e, principalmente, informar os cidadãos e melhorar a sua cultura científica.


Setúbal na Rede Como é que vê o pensamento científico deste milénio?


Eurico da FonsecaVejo-o com preocupação porque as pessoas têm sido dominadas pela crença em vez da consciência. Refiro-me ao facto de serem tão preguiçosas que acreditam nas coisas antes mesmo de as compreender e, isso, para a ciência, é um erro fatal. Neste momento estamos divididos entre dois mundos: o da crença que acredita em coisas como por exemplo a astrologia, sem fazer o mínimo esforço para compreender o que se passa, ou então inventa-se ciências que não existem; por outro lado, temos a ciência propriamente dita. Mas esta também não se pode levar ao cientismo porque a dúvida existe e faz parte da ciência. Agora a crença não tem dúvidas, é o dogma que, para mim, significa exactamente o contrário da consciência e da inteligência humana. Ou seja, se uma pessoa acredita num dogma prescinde da sua própria inteligência e deixa de ser um ser humano.


SRApesar da constante luta entre a crença e a ciência, não lhe parece que a ciência evoluiu muito ao longo deste milénio?


EFSem dúvida, o mais importante foi exactamente a ciência ter evoluído desta maneira. Mas o mais trágico é as pessoas não saberem tirar partido da ciência para melhorar a sua própria vida. E mesmo com todo o movimento ambiental existente, ainda estamos muito longe de ver essa consciência. As descobertas científicas foram muito importantes mas há coisas a que as pessoas não ligam. Certamente que ainda não deram pelo facto das leis da relatividade terem dado uma imagem completamente diferente do mundo e quando se diz que Einstein foi a figura do século isso é bem verdade. E aproveito para dizer que quando ele descobriu as Leis da Relatividade nem sequer era licenciado nem doutorado, era um simples funcionário da repartição de patentes de Genebra. Por outro lado, com base em alguma correspondência pessoal, há quem suspeite que quem teve as ideias básicas sobre isso foi a mulher dele. Seja como for, as Leis da Relatividade vieram mudar o nosso olhar e toda a concepção que temos do Mundo.


SRPode dizer-se que Einstein foi o responsável por uma nova geração de cientistas?


EFÉ, pelo menos, o responsável pelo ‘salto’ que o pensamento científico deu, porque as pessoas começaram a pensar que aquilo que os mestres diziam nem sempre era verdade. Aliás, o próprio Einstein foi criticado porque a partir daí os cientistas começaram a olhar os seus próprios trabalhos e inventos de uma maneira crítica. No entanto, houve problemas que ele também não conseguiu resolver, como foi o caso da uniformização de todos os sistemas relacionados com a energia, por exemplo: o magnetismo e a gravidade. Hoje, há teorias a esse respeito e que ainda não estão perfeitamente harmonizadas.


SRAcha que a sociedade deste século está preparada para compreender a ciência e os próprios cientistas?


EFNão me parece que as pessoas, no geral, estejam preparadas para compreender a ciência e a sua utilização. E isso vê-se todos os dias na aceitação dos dogmas e dos mitos. Por outro lado, há a ideia errada de que o cientista é um homem frio, um materialista. Houve uma vez um cientista que disse que as pessoas admiram os artistas, e têm muita razão para os admirar, mas por outro lado esquecem-se de que, quando um cientista estuda uma flor, está implicitamente a adorar tudo quanto a Natureza fez na flor. E para compreender tudo o que é essa flor, o cientista tem de ter a imaginação e a capacidade suficientes para estudar todos os seus pormenores e saber admirá-los.


SRTendo sido este o século das descobertas, qual lhe parece ser actualmente o maior problema da humanidade?


EFO grande problema que actualmente se coloca à humanidade é o abismo que existe entre o estado em que está o planeta e aquilo que, provavelmente, nos poderia ser dado se houvesse mais atenção relativamente à forma como a Terra tem vindo a esgotar as suas reservas. Ou seja, se por um lado a ciência ainda pode oferecer muita coisa neste sentido, por outro não se verificam esforços suficientes por parte dos governos, quer para esclarecer a população sobre este assunto, quer para fazer os investimentos necessários para fugirmos a uma grave situação que se aproxima. Não é preciso ir mais longe, basta dar o exemplo de Portugal que, em 1998, foi o país do mundo que mais cresceu em termos do consumo de energia. Neste momento está a fomentar-se, por todos os meios, a compra e o uso do automóvel em Portugal quando corremos o risco de daqui a 50 anos o planeta ter esgotado as reservas de combustível. E eu pergunto o que acontecerá depois disso. Um outro exemplo é o novo aeroporto de Lisboa porque, a continuarmos a esgotar energias desta maneira, quando ele estiver construído muito dificilmente as pessoas o poderão utilizar. Basta lembrar que há duas semanas os preços dos transportes aéreos nos Estados Unidos aumentaram verticalmente por causa do preço dos combustíveis.


SRAté que ponto as investigações sobre a fusão a frio e sobre o hidrogénio poderão ser um caminho para a descoberta de um outro tipo de combustível?


EFTem havido muita informação contraditória acerca desses assuntos. No entanto, sabe-se que as ideias sobre a fusão a frio foram impostas até ao momento em que se soube que tinham nascido de uma guerra entre universidades para justificar a atribuição de subsídios. Na verdade nada disso era verdade e, segundo se soube, a fusão a frio é uma fraude. O mesmo pode aplicar-se às investigações sobre o hidrogénio porque, se por um lado andamos há que tempos a ouvir falar em automóveis a hidrogénio, por outro ninguém diz que ele é extraído da própria gasolina. Ou seja, voltamos ao problema do esgotamento dos combustíveis. O automóvel eléctrico existe mas é uma fraude porque os elevados preços dos componentes, particularmente das baterias, não permitem a sua comercialização. Por outro lado, esta também não seria a resolução dos problemas relacionados com a poluição porque estaríamos apenas a transferir essa poluição das zonas urbanas para as áreas onde estão instaladas as centrais de energia.


SR Então, os desafios do próximo século estarão na procura de um equilíbrio entre a saúde do planeta e as mudanças que a tecnologia exige?


EFÉ necessário repensar as tecnologias e toda a civilização. Ou seja, há que encontrar um outro modelo de desenvolvimento. Mas o problema é que a sociedade moderna está a ser levada pelo consumismo que é exactamente o contrário da poupança de recursos e de meios. Neste processo, os cientistas são atropelados pelos industriais porque estes estão mais interessados em fazer coisas que se deitem fora e possam ser substituídas. Ou seja, hoje em dia tornar as coisas obsoletas é uma prática normal. E isso começa com os automóveis e passa por tudo o que existe, é uma espécie de moda e quando as coisas saem de moda deitam-se fora.


SRAo longo deste século, como é que viu a evolução da ciência em Portugal?


EFMuito mal, porque só agora é que começa a verificar-se a existência de algum pensamento científico. Há meia dúzia de anos aconteceu-me um episódio curioso, quando na RTP fizeram-me esta mesma pergunta e eu respondi o mesmo que agora: é lamentável que em Portugal a investigação científica não seja feita por razão da ciência mas sim para as pessoas obterem curriculum. Depois saem do país para se doutorarem ou fazerem o mestrado para depois verem se conquistam o cargo de professor. E quando eu estava a dizer isto, correu um filme em que se via um laboratório de uma universidade portuguesa com o investigador a dizer que estava a trabalhar num produto sem aplicação visível. Quando lhe perguntaram a razão disso, respondeu que era para o curriculum e para poder fazer o mestrado. Ou seja, as pessoas que têm algum valor acabam por ir para outros países e isso está a acontecer constantemente.


SRIsso deve-se a falta de incentivo oficial na área da investigação?


EFOs que existem não dão horizontes, no entanto isto não acontece só em Portugal. Trata-se de um fenómeno que acontece em muitos países. As grandes universidades, como é o caso das americanas e das alemãs, é que têm horizontes e grandes subsídios. E como muitas delas são particulares, conseguem financiamento para investigar. No entanto, não é só o dinheiro que faz falta porque para se investigar é preciso uma cultura científica. E essa cultura científica só agora começa a surgir em Portugal. E é preciso lembrar que até há cerca de 10 anos, quando se falava de ciência neste país era só no que respeitava à medicina. Os outros eram olhados como que uma espécie do operários e nada mais. Eu ainda me lembro de ter sido criticado por escrever sobre astronáutica porque diziam que estava a transtornar a cabeça dos jovens. Isto aconteceu por ocasião da primeira viagem à Lua, portanto mostra bem como era a cultura científica em Portugal e a mentalidade que existia até há bem pouco tempo.

SRPorque é que esse olhar dos portugueses sobre a ciência foi mudando?


EFPrimeiro porque é muito diferente a maneira como a ciência é olhada em todo o mundo. Depois porque a Internet tem sido um meio privilegiado para o excelente trabalho desenvolvido pela NASA ao nível da divulgação de toda a ciência. De maneira que agora assiste-se a uma atitude completamente diferente, com os jovens a interessar-se verdadeiramente pela ciência. Estou mesmo convencido de que Portugal está a caminho de uma cultura científica diferente, embora discorde da actuação do Governo em alguns pontos, como é o caso da questão da energia. Num país onde se está a esgotar tudo, é pena que só a parte da ciência e tecnologia é que esteja a ser devidamente desenvolvida. No entanto, devo dizer que neste campo tem sido feito um trabalho muito notável e é bom que assim continue.

SRComo cientista ligado ao distrito, como é que vê a massa crítica da área da investigação científica nesta região?


EFAcho que as universidades e os institutos superiores que aqui existem poderiam ter um papel mais importante nesta área. É uma pena que praticamente nada se faça a esse respeito. O distrito é um bom terreno de investigação que, infelizmente, está a ser ignorado por todos nós. Começando pelos habitantes que ignoram as riquezas que aqui temos, e passando pela comunidade científica. Hoje em dia poucas pessoas conhecem a história desta região e isso é fundamental para se conhecer a própria zona em que se vive. A investigação ligada à História é muito importante porque as pessoas foram desenvolvendo a ciência e a tecnologia consoante as suas necessidades. Poucos sabem que o diferencial do automóvel foi inventado por Leonardo da Vinci e, por outro lado, poucos sabem quando é que ele começou a ser utilizado. A invenção estava feita mas só passou a ser utilizada quando foi necessária. Depois passámos da aplicação das invenções de acordo com as necessidades para a invenção de necessidades para as aplicações.


SRDe que é que o distrito precisa para evoluir no sentido do pensamento científico?


EFPrecisa essencialmente de consciencialização e isso só se consegue com informação. É preciso que a população tenha mais informação sobre as questões da ciência e da tecnologia do que a que tem hoje, que é praticamente nula. Temos universidades e institutos mas dali não sai nada para o povo e as pessoas continuam na ignorância. Em Setúbal há coisas muito belas que as pessoas acabam por perder por falta de conhecimento, e o que é fantástico é ver crianças pequenas conhecerem todos os artistas e mais alguns, mas não conhecerem os nomes dos cientistas que mudaram o mundo.


SREnquanto investigador, vê o próximo século com alguma preocupação?

EFO nosso futuro depende do futuro do mundo e a minha visão do mundo divide-se entre a decadência e aquilo que os homens poderão fazer para a evitar. As pessoas ainda não têm a noção do que nos espera e parece-me que é preciso cairmos na decadência e no caos para que depois a humanidade renasça. Tudo isto tem a ver com as questões ambientais e com o esgotamento das reservas do planeta que, como está mais que provado, acaba por provocar enormes desequilíbrios sociais e humanos. Portanto, enquanto a humanidade não perceber isto, o nosso futuro será uma grande incógnita.

Teus olhos devem olhar à frente, para que a tua vista preceda os teus passos
(Salomão)



PARABÉNS, JULIO!


Hoje, Julio Iglesias, faz anos e, como fã assumida, sinto-me bem em dizer-lhe daqui deste cantinho do litoral português: parabéns! Há anos que Julio me faz companhia nos momentos calmos ou naqueles difíceis de ultrapassar. Foi ao som musical das suas canções que sobrevivi dez anos ao trânsito de uma IC 19 e uma Segunda Circular, por exemplo. Limpezas grandes em casa, só com Julio em fundo. Não pego no aspirador se ele não estiver a ouvir-se. Taras e manias, mas é assim!

Por capricho do destino a partir de uma certa época acabei por o encontrar nas férias que fazia, anualmente, em Punta Cana (República Dominicana) ainda ele não tinha sequer pensado em construir a sua actual casa (fabulosa). Na altura a que habitava situava-se junto ao mar e ficava frente à minha. Quando o via passar, sempre vestido de branco, com a mulher, Miranda (ainda sem filhos) eu ficava nas nuvens. Estava ali a voz dos meus tempos de tranquilidade ou desassossego. Nunca o vi entrar na água. Ele ficava debaixo das palmeiras, na orla da praia, com o seu grupo: Miranda, Óscar de La Renta (por vezes), o casal Ranieri. Um dia, anos mais tarde, vi, ao cair de uma tarde solarenga, na sua praia privativa, um brilhante e famosíssimo político americano que admiro muito e o fascínio foi total. Também jantei várias vezes no restaurante Cana a seu lado e esses fragmentos de recordações são motivo forte para hoje o lembrar.

Também nunca o ouvi cantar em Punta Cana, mas escutei muitas e muitas vezes as poderosas e bonitas vozes de Sónia e de Josecito a interpretarem as suas canções e esta –Derrote– é uma das que memorizo: fecho os olhos, sinto a brisa caribenha, e sob as palmeiras e a Lua de prata, no restaurante Tortuga, a orquestra de Franklin Barbosa, executa os primeiros acordes da noite sedutoramente tropical.

El reloj de cuerda suspendido
El teléfono desconectado
Una mesa dos copas de vino
Y a la noche se le fue la mano

Una luz rosada imaginavamos
Comezamos por probar el vino
Con mirarnos todo lo dijimos
Y a la noche se le fue la mano

Si supiera contar
Todo lo que sentí
No quedó ni un lugar
Que no anduviera de ti

Besos, ternura
Que derroche de amor
Cuanta locura
Besos, ternura
Que derroche de amor
Cuanta locura…

Ninguém pode chegar ao topo apenas com talento. Deus dá o talento; o trabalho transforma o talento em génio
(Anna Pavlova)

AS MÃES TAMBÉM ERRAM!

Deixa de jogar à bola e vai estudar para poderes ter um bom futuro…. (Mãe de Cristiano Ronaldo)


Com apenas 11 anos, Cristiano, deixou a Madeira, onde nasceu, e veio para Lisboa, ingressando nos juvenis do Sporting Clube de Portugal. A estreia nos relvados foi em Setembro de 2002, defendendo o Sporting, quando tinha 17 anos e fez um jogo de tal forma empolgante que os jogadores do Manchester United, no voo de regresso a Inglaterra, pediram a Sir Alex Ferguson a sua contratação para substituir David Beckham, que se tinha transferido para o Real Madrid. A sua carreira tem sido verdadeiramente notável.

-JogadorJovem do ano (2005)
-2º lugar na eleição do Melhor Jogador Jovem do Mundial de 2006
-Melhor Jogador Jovem da Liga Inglesa (2006/7)
-Melhor Jogador da Liga Inglesa (2007)
-3º Melhor Jogador do Mundo (2007)
-Melhor Jogador da Liga Inglesa (2008)
-Melhor jogador da Liga dos Campeões 2007/2008
-Melhor Avançado da Liga dos Campeões 2007/2008
-Bota de Ouro 2007/2008

*Pára de gritar…
(Mãe de Pavarotti)

Luciano Pavarotti, foi um tenor lírico italiano -um dos mais importantes de todos os tempos-, grande intérprete das obras de Donizetti, Puccinie Verdi, entre outros no seu grande repertório. É reconhecido como o tenor que popularizou mundialmente a Ópera. Participou, com José Carreras e Plácido Domingo, nos famosos concertos Os Três Tenores, e gravou duetos com Frank Sinatra, Ricky Martin, Laura Pausini, Spice Girls, Bryan Adams, Andrea Bocelli, entre muitos outros, especialmente em causas beneficentes. Cantou nos mais importantes teatros mundiais, como o Teatro Scala (Milão), a Royal Opera House (Covent Garden, Londres), o Metropolitan Opera House (Nova Iorque), entre outros. Em 1988, o nome de Pavarotti foi incluído no Livro Guinness dos Recordes por uma ovação que durou uma hora e sete minutos, recebida na Opera de Berlim. A sua última apresentação foi em Turim, durante os Jogos Olímpicos de Inverno, em Fevereiro de 2006; cantou, pela última vez, Nessun Dorma, na cerimónia de abertura. Faleceu a 6 de Setembro de 2007. Tinha 71 anos.



*Deixa de brincar com essas máquinas ou nunca terás nada na vida… (Mãe de Bill Gates)

William Henry Gates III, mais conhecido como Bill Gates, é, em parceria com o sócio Paul Allen, o fundador da Microsoft, a maior e mais conhecida empresa de software do mundo. Foi fundada em 1975 por Bill então com 19 anos, em parceria com Paul. Em 1980 a empresa deu um passo decisivo ao adquirir a Seattle Computer Products, o sistema operativo 86-DOS. Foi o começo do maior caso de sucesso empresarial da história americana. O multimilionário Bill Gates voltou agora a ocupar o lugar de homem mais rico dos Estados Unidos, superando Warren Buffet, que viu a sua fortuna reduzida, fruto da actual crise financeira.


*É a última vez que rabiscas as paredes da casa de banho…
(Mãe de Michelangelo)

Michelangelo (Miguel Ângelo) di Ludovico Buonarroti Simoni foi pintor, escultor, poeta e arquitecto renascentista italiano. Apesar de ter feito poucas actividades além das artes, a sua versatilidade em vários campos fez com que rivalizasse com Leonardo da Vinci. Foi genial em vários campos e, além disso, também recebeu tarefas diplomáticas. Duas de suas mais famosas obras (a Pietà e o David) foram realizadas antes de seus trinta anos. Apesar de sua pouca paixão pela pintura, criou duas obras históricas: as cenas do Génesis, no tecto da Capela Sistina (quatro anos de trabalho intenso) e O Juízo Final, também no mesmo local. Projectou a cúpula da Basílica de São Pedro, em Roma. Entre as suas outras esculturas, contam-se a Virgem, Baco, Moisés e os seus frescos mais famosos são: A Criação de Adão e Adão e Eva no Paraíso.


*Pára de bater na mesa, estou cansada desses ruídos…
(Mãe de Samuel Morse)

Samuel Finley Breese Morse foi um inventor e pintor de retratos e cenas históricas da América. Tornou-se mundialmente célebre pelas suas invenções: o Código Morse e do Telégrafo. Aos quatro anos de idade mostrava grande interesse pelo desenho e, aos 14, ganhava o seu próprio dinheiro fazendo desenhos dos seus amigos e pessoas da cidade. Ainda na época de colégio, Morse escreveu uma carta aos pais dizendo que se queria tornar pintor. Os pais, preocupados com o seu futuro, preferiram transformá-lo num vendedor de livros. Desse modo, Morse passou a vender livros de dia e a pintar à noite. Ante a persistência do artista, os pais decidiram mandá-lo para Londres para que estudasse Artes na Royal Academy.


Em 1826 fundou uma sociedade artística que, em breve, se transformou na Academia Nacional de Desenho. A partir de 1832 ensinou pintura e escultura na Universidade de Nova Yorque, alcançando fama de excelente retratista. Numa viagem de pesquisas à Europa, em 1832, idealizou o Telégrafo por meio do registo electromagnético dos sinais que formam o Alfabeto Morse. O seu primeiro projecto, utilizando electricidade para enviar mensagens para longa distância, não foi aprovado pelos governos francês e inglês, tendo se defrontado com dificuldades económicas. Em 1843, o Congresso dos EUA concedeu-lhe uma verba para que pudesse terminar uma linha telegráfica entre Washington e Baltimore, com a qual teve êxito. Essa linha foi inaugurada em 24 de Maio de 1844.

*Fica quieto de uma vez, daqui a pouco vais querer dançar nas paredes…
(Mãe de Fred Astaire)

Frederick Austerlitz, Fred Astaire, fez a sua primeira apresentação no palco aos cinco anos com a irmã Adele, que o acompanhava em revistas musicais nos anos 20, em Londres. Estreou-se no Cinema em 1915, fazendo um pequeno papel e, em 1933, apareceu ao lado de Joan Crawford em Dancing Lady. Nesse mesmo ano actuou no primeiro de uma série de dez filmes ao lado de Ginger Rogers. Os dois formavam uma par notável, elegante, sofisticado e radioso, conquistando admiradores em todos os cantos do mundo. Hollywood rendeu-se inteiramente á sua arte, valor e simpatia e deu-lhe um Óscar Especial em 1949, pela sua contribuição à técnica dos musicais no cinema. Foi actor, dançarino e cantor e os seus filmes ainda hoje, são revistos com prazer.


*Nada de igualdades, eu sou a tua mãe e tu és o meu filho…
(Mãe de Karl Marx)

Friedrich Engels, disse estas palavras na cerimónia fúnebre de Karl Marx: Marx era, antes de tudo, um revolucionário. A sua verdadeira missão na vida era contribuir, de um modo ou de outro, para derrubar a sociedade capitalista e das instituições estatais por estas suscitadas; contribuir para a libertação do proletariado moderno, ele foi o primeiro a tornar-se consciente da sua posição e das suas necessidades, consciente das condições da sua emancipação. A luta era o seu elemento. E ele lutou com uma tenacidade e um sucesso com quem poucos puderam rivalizar.

Marx foi o homem mais odiado e mais caluniado de seu tempo. Governos, tanto absolutos como republicanos, deportaram-no dos seus territórios. Burgueses, quer conservadores ou ultra democráticos, lançavam difamações. Tudo isso ele punha de lado, como se fossem teias de aranha, não tomando conhecimento, só respondendo quando necessidade extrema o compelia a tal. E morreu amado, reverenciado e chorado por milhões de colegas trabalhadores revolucionários -das minas da Sibéria até a Califórnia, de todas as partes da Europa e da América- e, apesar de ter tido muitos adversários, não teve nenhum inimigo pessoal.


*Pára de mentir! Pensas que, estar sempre a mentir, vai ajudar-te a ser alguém na vida?
(Mãe de…)

Escolha um político, por exemplo, e diga qual foi a sua escolha.

O acaso não existe. Quando alguém encontra algo de que verdadeiramente necessita, não é o acaso que tal proporciona, mas a própria pessoa; seu próprio desejo e sua própria necessidade o conduzem a isso
(Demian)