Archive for Outubro, 2008

FALTAM QUATRO DIAS PARA SER ELEITO O 44º PRESIDENTE DA AMÉRICA

Foto: Sapo (Pintura de John Trumbull )

É um facto curioso, para os portugueses, a escolha feita para assinalar um momento tão marcante na História dos EUA: os 56 homens que assinaram a Declaração da Independência dos Estados Unidos da América, na cidade de Filadélfia, no dia 4 de Julho de 1776, beberam Vinho da Madeira para celebrar esse acontecimento. Apesar do calor abrasador que se fazia sentir os fundadores da América não escolheram nem cerveja, nem champanhe para celebrar o nascimento da América do Norte! Ergueram o cálice de Madeira e eternizaram a cerimónia. John Hancock (sentado), à sua frente John Adams (à esquerda. Viria a ser o segundo presidente da América. Pertencia ao Partido Federalista), Roger Sherman, Robert Livingston,Thomas Jefferson e Benjamin Franklin.

Sabe-se que George Washington (o primeiro presidente americano. Não tinha Partido), Thomas Jefferson (terceiro presidente. Foi o primeiro eleito do Partido Democrata) e muitos outros mantiveram o hábito de assinalar grandes momentos, quer políticos, quer sociais, com o saboroso Madeira. Creio que Bill Clinton também aderiu ao social hábito. Falar em Presidentes da América a 31 de Outubro, a 96 horas de ser eleito o vencedor das actuais e renhidas eleições presidenciais americanas, é tentar não falar desse acto cívico de 130 milhões de eleitores que podem mudar a América e o Mundo. É um tema interessantíssimo e, na recta final, tudo está como no início das primárias! Ao rubro. Tudo pode acontecer (tudo mesmo).

Se há oito anos, na Florida, não tivesse havido na contagem dos votos -não se sabe bem o quê- Al Gore estaria agora na Casa Branca à espera do seu sucessor e não como (brilhante) apoiante de Barack Obama. Bush, por 537 votos, foi o eleito. Não escondo que me apetecia escrever sobre o tema mas aguardo pela madrugada do dia 4. Tudo o que se possa dizer é futurologia dado que muitas interrogações pairam no ar e só na hora de entregar o voto é que a decisão será final. Irão os eleitores votar com o mesmo entusiasmo com que decorreu a campanha? Como reagirão os apoiantes de Hillary? Os Latinos? Como se portará a Florida e os restantes Estados-chave? Haverá racismo frente às urnas? Que coelhos na manga poderá guardar McCain ?

Tentando passar essas 96 horas que nos separam da grande decisão recordemos alguns factos que, na opinião de especialistas, marcaram pela negativa os mandatos de Lyndon Johnson (36º presidente. Democrata), responsável pela entrada da América no Vietname. Perto de 60 mil soldados morreram. Richard Nixon (37º presidente. Republicano). Descoberto por dois jornalistas o escândalo Watergate, teve de renunciar. John Kennedy (35º presidente. Democrata). Em 61, a invasão da Baía dos Porcos, em Cuba, foi considerado um fracasso. Ronald Reagan (40º presidente. Republicano). A venda de armas clandestinas ao Irão para financiar a guerrilha anti-sandinista na Nicarágua. Ele não sabia, mas não deixa de ser responsável. Bill Clinton (42º presidente. Democrata). O caso Monica Lewinsky (alguns dizem que foi uma armadilha) derrotou-o moralmente, mas não o venceu. Continua a ser brilhante e a sua prestação, tal como a de sua mulher Hillary, à campanha de Obama tem sido notável.

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Muito melhor é ousar grande feitos, ganhar gloriosos triunfos, mesmo salpicados de falhas, do que se alinhar com aqueles pobres espíritos que nem se alegram muito nem sofrem muito, porque eles vivem no crepúsculo cinzento que não conhece vitória ou derrota
(Theodore Roosevelt)


THE STORY (BRANDI CARLILE)

Foto: Sapo/Galeria Windows


All of these lines across my face
Tell you the story of who I am
So many stories of where I’ve been
And how I got to where I am
But these stories don’t mean anything
When you’ve got no one to tell them to
It’s true…I was made for you
I climbed across the mountain tops
Swam all across the ocean blue
I crossed all the lines and I broke all the rules
But baby I broke them all for you
Because even when I was flat broke
You made me feel like a million bucks
You do
I was made for you
You see the smile that’s on my mouth
It’s hiding the words that don’t come out
And all of my friends who think that I’m blessed
They don’t know my head is a mess
No, they don’t know who I really am
And they don’t know what
I’ve been through like you do
And I was made for you…
All of these lines across my face
Tell you the story of who I am
So many stories of where I’ve been
And how I got to where I am
But these stories don’t mean anything
When you’ve got no one to
tell them toIt’s true…I was made for you

A vida só se dá a quem se deu
(Vinicius de Moraes)




O NÚMERO 10 MAIS FAMOSO DO MUNDO FAZ ANOS. PARABÉNS, MÃO ESQUERDA DE DEUS…

Foto: Sapo/Galeria Windows

Amanhã, 30 de Outubro, El Pibe, faz anos. Nasceu em Buenos Aires num ano que pouco importa porque este homem, considerado o melhor jogador do mundo (há quem coloque Pelé em primeiro lugar), viveu a vida em turbilhão permanente. Tanto abraçou a estrelas como caiu no mais fundo poço do vício, da degradação moral e física. Foi elegante e foi gordo (121 quilos). Foi sóbrio, sorridente e drogado. Levou multidões ao rubro e provocou os maiores e inoportunos desacatos. Foi saudável e robusto e quase moribundo nos cuidados intensivos dos hospitais, por várias vezes. Procurou ajuda física na Suíça, na Argentina mas, curioso, Fidel de Castro, de quem é amigo, deu-lhe, em Cuba, tudo para o ver recuperado.

Consultar a biografia de Diego Maradona é ficar sem fôlego, mas esta data está escrita nos céus: 06/1986! Na partida mais lembrada da sua carreira, a Argentina derrotou a Inglaterra por 2-1 e classificou-se para as semifinais do Mundial do México-1986 com dois golos, o primeiro com a mão (a Mão de Deus), e o segundo numa fantástica jogada individual, depois de driblar seis adversários. Mas, a 08/04/1991 iniciava-se o seu doloroso calvário quando foi apanhado com cocaína num jogo com o Nápoles. Só em 2005 (14 anos de loucura e sofrimento) Maradona consegue ressurgir do seu caminho de dor e, durante três meses, apresenta semanalmente, na Televisão da Argentina, o programa A Noite do Dez, onde só teve convidados de gabarito: Pelé, Fidel, por exemplo. Ontem, 28 de Outubro, foi escolhido como Seleccionador da Selecção da Argentina.

Ele foi tudo: simpático, entusiasta, alegre, afável, generoso, excêntrico, intratável, indisciplinado grosseiro, inconveniente, mas no fundo daquele subconsciente atribulado estava um homem que queria vencer as correntes que o asfixiavam. O amor à camisola (sempre jogou com alma e marcou 311 golos) mesmo nas maiores crises estava lá a bater, latejando, puxando por ele, não o deixando vergar ao peso do fardo da cocaína. Muitos duvidam que ele seja capaz de concretizar bem a função para a qual foi escolhido. Não sei. Para ser franca, não me importa. Sensibilizou-me tanto o sofrimento de Maradona e o seu querer renascer para a vida que, em véspera de aniversário, levanto-me, bato palmas e até canto os parabéns a você. Ele merece esta grande oportunidade. Que a mão direita de Deus, esteja com ele. Suerte, Diego

La va a tocar para Diego: ahí la tiene Maradona; lo marcan dos, pisa la pelota Maradona. Arranca por la derecha el genio de fútbol mundial, y deja el tercero ¡y va a tocar para Burruchaga! Siempre Maradona… ¡Genio! ¡Genio! ¡Genio! Ta-ta-ta-ta-ta-ta-ta… ¡Goooooolll!! ¡Goooooolll! ¡Quiero llorar! ¡Dios santo! ¡Viva el fútbol! ¡Golaazo! ¡Diegooooo! ¡Maradooona! ¡Es para llorar, perdóneme! Maradona, en una corrida memorable, en la jugada de todos los tiempos, barrilete cósmico, ¿de qué planeta viniste?

(Víctor Hugo Morales, México, 1986)


PEIXE NO FORNO À CRISTIANO RONALDO

Foto: Sapo/Galeria Windows

Notícias vindas de Inglaterra, via BBC, divulgaram uma excelente iniciativa, creio que da UEFA, que reuniu alguns pezinhos de ouro dos esféricos europeus que, assim, aderiram à (brilhante) ideia de escrever um livro (Coma para Meter Golos) para as crianças, incutindo-lhes o gosto por uma alimentação correcta, incentivando-as a comerem alimentos saudáveis e saborosos. A finalidade é tentar combater a obesidade infantil que alastra, aflitivamente pelo mundo. A Europa, nos anos 80, tem mais 10% do que nos anos 70. Isto é: actualmente temos 20% de crianças obesas, ou seja: 22 milhões!

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O livro faz o apelo sugestivo às saladas, legumes, peixe, esparguete, sobremesas, sopas, frutas. Corte maças, mangas, uvas e maracujá e coloque tudo dentro da casca de um ananás. Irresistível. A ideia é do capitão da equipa escocesa, Rangers, Barry Ferguson. Não descobri a receita de Thierry Henry, mas parece-me que dá sugestões com frango e peixe, é boa seguramente. Acho que fica lançada a ideia para espalhar pelo mundo dos relvados, dos sonantes nomes da bola que são ídolos dos mais pequenos e, dificilmente, resistirão às ideias dos seus heróis.

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Que tal esparguete à Nuno Gomes? Peixe no forno à Cristiano Ronaldo? E que dizem a uma sopa à Miguel Veloso? Salada de grão à Ricardo Carvalho? E, para finalizar, em beleza, quem vai resistir, por exemplo, ao empadão de carne à Mourinho?

Não volte as costas a possíveis futuros antes de ter certeza de que não tem nada a aprender com eles
(Richard Bach)


O CIRURGIÃO CLANDESTINO

Foto: Sapo/Galeria Windows (óleo de Gaugin)

Recebi via e-mail, uma história de vida bem ilustrada quer a nível musical quer a nível fotográfico. Falava de Hamilton Naki, um cirurgião negro, sul-africano que, confesso, desconhecia em absoluto. Vi várias vezes o documento que, no primeiro impacto me deixou profundamente sensibilizada. Nos dois dias seguintes voltei a olhá-lo e a lê-lo. Continuei com lágrimas nos olhos e, acabei sempre por achar a história relatada verdadeiramente incrível. Tentei certificar-me da sua autenticidade e, num ápice, encontrei, na Net, dezenas de artigos sobre a vida e a obra do dr. Naki. Apenas num ponto não obtive a sintonia perfeita: não consegui confirmar se Naki esteve ou não presente na equipa do dr. Christian Banard (em 1993 admitiu numa entrevista que se dada oportunidade o Sr. Naki poderia ter sido melhor cirurgião do que eu) que realizou o primeiro transplante, na Cidade do Cabo. Uns defendem que foi Naki quem retirou do corpo da doadora, Denise Darvall, o coração que seria transplantado para Louis Washkanky; outros, não o confirmam.

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Essa dúvida, porém, não retira o brilhantismo da história de vida deste homem absolutamente invulgar. Aos 14 anos Hamilton Naki empregou-se como jardineiro na Universidade da Cidade do Cabo. Mais tarde, começou a trabalhar com os animais do Laboratório na Faculdade de Medicina, auxiliando nas cirurgias com animais. Demonstrou de imediato um elevado grau de dedicação, habilidade técnica e, por isso, não lhe foi difícil conseguir permissão (especial) para permanecer nas pesquisas do Laboratório. Acabou por fazer parte da equipa de Christian Banard que, como se sabe, realizou o primeiro transplante de coração do mundo, no Groote Schuur Hospital, na África do Sul, em 1967 (há duas correntes de opiniões, como referi atrás). Devido às leis de apartheid da época, o nome de Naki, na altura, não foi divulgado.

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Hamilton Naki ensinou cirurgia durante 40 anos e aposentou-se com uma pensão de jardineiro de 275 dólares mensais. Nunca se mostrou um revoltado pelas dificuldades que encontrou na sua vida, na sua luta e nos seus sonhos. Pelo contrário, transmitia alegria, grande generosidade e agradecido à vida por ter tido oportunidade de salvar tantas pessoas. Após a reforma, foi para um asilo. Embora formalmente jardineiro, recebia como auxiliar de laboratório, a maior remuneração que a legislação permitia a Universidade pagar. Este professor sem formação académica tradicional e exímio cirurgião, desconhecido, devido ao regime de discriminação racial institucionalizado, acabou por receber (em vida) o reconhecimento pelo seu trabalho, prestado por entidades estatais Sul-Africanas, através da Ordem Nacional de Mapungubwe, em 2002 e, finalmente, o título de Médico Honorário pela Universidade de Cape Town, em 2003. Faleceu em 2005, no final de Maio.

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Quando se procura o cume da montanha, não se dá importância às pedras do caminho
(Autor desconhecido)