NÃO VOTAR, NÃO CONSTRÓI FUTUROS…

O dia em que os eleitores portugueses serão chamados a votar nas eleições para o Parlamento Europeu (7 de Junho), aproxima-se rapidamente e a sensação que paira no País é que o tema esvoaça no ar mas não agarra. Nós estamos alegremente a deitarmo-nos no precipício da indiferença numa insensatez preocupante. Portugal precisa da Europa e grande parte dos portugueses não sabe, não quer aperceber-se da realidade em que vive e recusa-se a acreditar que se não fosse o escudo da tal Europa, a crise globalizada que tem ceifado empregos e sonhos de futuros teria sido muito pior. Por isso, enquanto é tempo, não é demais lembrar a importância desse voto numa altura marcada por várias ameaças; é absolutamente necessário que, juntos, enfrentemos o futuro com trabalho, solidariedade, justiça e dignidade. A Europa pode ter sido o comboio desconjuntado que Portugal apanhou mas, era o único! E, ainda bem que o fez e que hoje é um dos 27 Estados-membros da União Europeia.

Vamos relembrar (um pouco) o atroz sofrimento da Europa onde ocorreu a Segunda Guerra Mundial -com início em 1 de Setembro de 1939 (invasão da Polónia pela Alemanha) e terminou no dia 2 de Setembro de 1945 (rendição da Alemanha e da Itália). Foi o conflito que causou mais vítimas em toda a história da Humanidade, com mais de 70 milhões de mortes e, na altura, mobilizou mais de 100 milhões de militares. A partir daí foi exigido durante anos e anos a milhares de homens e de mulheres uma capacidade de sacrifício pungente que terminou com a reconstrução de uma Europa que necessitaram de reerguer do chão, em fragmentos. Foi muita dor e muita tenacidade que fez chegar até aos dias de hoje um Continente renascido das cinzas escaldantes qual Fénix. O sofrimento foi tanto que o Santo Padre Pio XII, aos microfones da Rádio Vaticano, proferiu um discurso do qual retirei este extracto:

Considerando a Europa isoladamente, encontramo-nos face a face agora com problemas e dificuldades gigantescas que deverão ser vencidas se desejarmos abrir caminho para uma paz verdadeira – a única paz que pode ser duradoura. Esta não pode realmente florescer e prosperar senão numa atmosfera de segurança e perfeita fidelidade, aliada a uma confiança recíproca, à compreensão mútua e à benevolência. A guerra fez surgir por toda parte a discórdia, a suspeita e o ódio. Assim sendo, se o mundo desejar conquistar a paz, devem desaparecer as falsidades e os rancores e em seu lugar devem reinar a verdade e a caridade…


De 1945 até hoje sucederam-se tentativas falhadas e vitoriosas para que a Europa se levantasse, se unisse, concretizando metas e ambições. Robert Schuman, um dos responsáveis pela criação do Movimento Republicano Popular (1944), de orientação social-cristã que teve uma participação decisiva na primeira etapa política do pós-guerra em França, como ministro das Finanças, primeiro-ministro, ministro dos Negócios Estrangeiros e da Justiça. Contribuiu para a constituição da União Europeia com o seu Plano Schuman (1950), em que concretizou as propostas de Jean Monnet para a fundação da Comunidade Europeia do Carvão e do Aço. Em 1958, tornou-se o primeiro presidente do Parlamento Europeu, cargo que desempenhou até 1960, no qual advogou a reconciliação e a colaboração política com a República Federal da Alemanha.

No Tratado de Paris, assinado em 18 de Abril de 1951, nasceu a Comunidade Europeia do Carvão e do Aço que realizou o Plano Schuman de 1950. A Alta Autoridade comum passou a ser presidida por Jean Monnet. Nesta primeira comunidade europeia uniram-se seis países: A França, a Alemanha, a Itália, a Bélgica, os Países Baixos e o Luxemburgo. Os ministros dos Negócios Estrangeiros dos Seis, sob a presidência do belga Paul Henri Spaak, reuniram-se em 1955, na Conferência de Messina. Em resultado dos acordos aí firmados deu-se um passo definitivo para a construção europeia: em 25 de Março de 1957, os Seis assinavam os Tratados de Roma que criaram a Comunidade Económica Europeia (CEE). Este breve regresso ao passado é, apenas, um grão de areia do que foi necessário fazer para que a União Europeia fosse, hoje, uma realidade. Com a sua não ida às urnas, a 7 de Junho, ajudando a criar uma abstenção perigosíssima, sente que está a respeitar os que lutaram pela liberdade da Europa no passado? Sente-se com direito de exigir o que quer que seja se não exerceu o seu direito de voto: a arma do povo que pode ajudar Nações? Pare e pense e, vislumbrando um futuro para os seus filhos e para os filhos dos seus filhos, vote! Vença a abstenção.

*

O Primeiro-ministro acaba de divulgar sob que condições nos vimos obrigados a entrar em guerra contra a Itália que ameaça a nossa independência. Neste grande momento, estou certo de que todos os cidadãos gregos, homens e mulheres, cumprirão seus deveres até o fim, mostrando-se dignos de nossa gloriosa História. Com fé em Deus e no nosso destino, a Nação, como um só homem, lutará pelos seus lares
(Rei Jorge II)

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