J.M.BARROSO – O LÍDER A RECONDUZIR



O presidente da Comissão Europeia desde Novembro de 2004, José Manuel Barroso, é português e já foi nosso Primeiro-ministro. Presentemente está numa fase de reunir consensos (e apoios) que é uma coisa que a União Europeia não consegue fazer bem consigo própria. Só por isso ele mostrou já características de líder, embora seja justo reconhecer que Barroso não se tem destacado por uma liderança forte, combativa, polémica, interventiva (não tem o frenesim de um Sarkozy -como presidente da UE seria uma trepidação permanente). Não, a força do presidente português reside precisamente (e por isso vai ser reeleito expressivamente) por uma inteligente condução conciliadora, atenta, sabedora.

Sem espaventos tem sabido lidar com as situações, correntes, circunstâncias e algumas directivas que serão superiores ainda por muitos e bons anos dos EUA e dentro da UE, da Alemanha, às terças quintas e sábados; da França, às segundas, quartas e sextas, mandando em alguns domingos ora a Espanha, ora ninguém porque a maior parte desses domingos são mesmo representativos da lacuna de liderança Europeia. Lacuna que exige rapidamente uma UE mais coesa e mais forte, preparando-se para toda a espécie de desafios que se avizinham. A presença do actual presidente é benéfica porque alia a sua maneira de ser (não é fracturante) aos conhecimentos adquiridos que valem ouro. O futuro do mundo não vai ser fácil

O presidente Barroso não é limitado como o pintam: rosto do passado, nacionalista, Cimeira da vergonha. Tenho lido e escutado verdadeiras barbaridades a personalidades portuguesas políticas no activo ou não que arrepiam. Barroso percebeu (muito bem) que a fórmula socrática de cativar o tecido empresarial resulta num apoio decisivo porque o poder verdadeiro é o da Economia, não o dos ideais políticos que só servem para campanhas, já que depois de eleições todos têm que governar ao centro da linha fina das prioridades económicas.Também por estes vai ser reeleito. Para além disto, é o português que está no topo da cadeia de decisão da UE e tem visão sobre os processos e se isso não ajuda tanto Portugal hoje, ajudará no futuro, quando ele materializar toda a cadeia de conhecimentos que acumulou e que estão já a fazer pequenos impérios que se estendem por vários cantos Europeus.

Portugal, inexplicavelmente, parece-me que não se encanta com o candidato português e até parece torcer para que ele não renove o mandato! Politicamente, não dá para entender. Mais facilmente José Manuel Barroso obtém apoios, por exemplo, de Angola do que de Portugal pela razão simples que Angola vê em Portugal a porta acessível à UE e vê Barroso ao pé dessa porta e isto não é mau! É bom, dada a nossa dimensão e porque não podermos vender trabalho produzido cá dentro (não há), petróleo, ouro e diamantes (temos muito pouco). Vendemos influências, a dele incluída e à cabeça. Por último, nós é que não nos lembramos mas tirando um ou outro líder histórico do antigamente na esfera de conceitos iniciais de UE, a começar por Adenauer, Schmidt ou Olof Palme, a verdade é que praticamente quase todos os anteriores ocupantes do cargo foram em média maus (vá lá, Jacques Delors teve os seus momentos) e se Barroso só é sofrível, faz dele face aos outros, um bom ou muito bom líder por comparação e não sendo nós Taiwan, Singapura ou Noruega, por exemplo, a mais não podemos aspirar e deveremos, então, declará-lo um excelente líder. E quem somos nós para não votar num excelente líder europeu português para o lugar de presidente, que não é o da Junta?

Há detalhes de oportunidade que devem ser tidos em conta como por exemplo: nos próximos três anos, Portugal tem a hipótesel de ver confirmada a sua expansão territorial para um tamanho que é quase meio Brasil, com o alargamento dos limites marítimos. Claro que é debaixo de água e parece que não dá jeito, mas os nossos filhos e netos vão saber melhor do que nós que vai dar tanto jeito que, de uma só assentada, poderá colocar Portugal em posições definitivas de liderança nas renováveis, na vocação Atlântica, na valorização do eixo norte-sul Ocidental, no triângulo de ouro Palop de Portugal com o Brasil e com Angola, na extracção de matérias primas dos fundos dos mares (nós temos uma Arábia do futuro debaixo de água…), tudo elementos onde o peixe Barroso também tem nadado com à vontade desde as piscinas que fez em Bicesse e, entretanto, com as piscinas olímpicas que tem gramado (mas não se vê, nem se sabe, nem se valoriza) para tentar aglutinar todas estas díspares valências e montar linhas de influência que possam projectar o poder da empatia da Portugalidade da Língua e da Cultura, para se poder assumir como o guia das novas super economias de Língua Portuguesa (Brasil e Angola) na UE, mas também dos pequenos povos com grandes mares e posição geoestratégia abençoada como São Tomé, Timor ou Moçambique. Portugal podia ajudar a África do Sul a montar um Dubai mulato.

São muitas e amplas as visões que o líder português pode ter nos próximos cinco anos e, para além das suas qualidades tem os olhos bem afastados para todas estas visões e abarcar, em simultâneo, todas! Conciliando, assim, num mesmo quadro de actuação, mesmo que por isso tenha que continuar difuso na linha de vista em frente, o que pode indicar que continuará a ter uma progressão cuidadosa, apalpando caminhos em função das mãos que o apoiem hoje ou amanhã, na indicação do caminho hoje mais por aqui, amanhã mais por ali, o que não é mais do que uma versão de líder como outras, esta com índice de sobrevivência comprovada.


Um líder que assumiu a Conferência dos Açores e ainda hoje está ileso, prova que é melhor actuar sem ter a certeza de estar certo do que nada fazer, o que teria contribuído para uma UE ainda mais despersonalizada, fraca e vulnerável na altura ao terrorismo exterior e, hoje, ele já seria realidade interna em cada país. Um líder que escapa todo o mandato sem ter que tomar posição séria sobre a entrada da Turquia percebe que a transparência da actuação política é, afinal, feita de muitas folhas de acetato transparentes, sobrepostas, mas cada uma com a sua ténue cor de tendência capaz de filtrar sem por isso se dar, quanto muito tira-se do meio um ou outro acetato e mostra-se para que se veja decisão na mexida, mas nunca se tiram todas ao mesmo tempo.

Um líder que se assume Europeu mas consegue ao mesmo tempo o apoio incondicional de uma Inglaterra para a reeleição, uma Inglaterra que cria há 300 anos, Barrosos nas suas escolas de elite para mais tarde mandarem, tem que ser um político em que se lhe reconhece potencial. Um político que trata a Oposição por e diz que é porreiro, tem que se respeitar! Neste caso a Oposição também se deve respeitar por permitir ser assim tratada em ambiente de Conciliação Nacional, sobretudo porque é a Oposição que está no nosso Governo a governar em maioria, mais bem que mal (para nossa sorte). Ao Governo que está na UE, debaixo deste nosso PR da UE, que está lá e o de nós não. São estas articulações subliminares que nós dificilmente vislumbramos mas ele têm-nas bem debaixo de olho. E, por isso, também, merece ser líder.

Além disso, pode muito bem vir a ser o líder que ajudará a aparente (perante a UE) minoria governamental socrática a organizar-se para, em Convergência Nacional, permitir contradizer César e provarmos que nos deixamos governar. Mas, para isso, é preciso ter o Sentido de Estado bem apurado e aí é que está: nós, que nem para a cidadania temos o sentido desperto, podermos convergir em Sentido de Estado e apoiar José Manuel Barroso? Temos de decidir ou um dia destes vamos arriscar-nos a que ele peça alguma dupla nacionalidade Palop e vire Alto Comissário de qualquer coisa exótica e rica, juntos dos fóruns internacionais Europeus e Mundiais ? Ou pior, perdemo-lo para super administrador de interesses económicos e financeiros de interesses económico financeiros emergentes? Barroso, é dolente no aperto de mão, mas esse é o sinal definitivo que nos faltava para perceber o seu elevado potencial em se adaptar, reconfigurar e, para uma UE que ainda se procura a si própria, ele é -mesmo- o líder a reconduzir.

A nossa maior glória não está em nunca ter fracassado, mas em levantarmo-nos cada vez que fracassamos

(Ralph Waldo Emerson)


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