Archive for Junho, 2009

REVOLUCIONOU A MUSICA POP MUNDIAL

De uma forma geral todos, ultimamente, lemos muito sobre Michael Jackson. Do que li escolhi uma crónica de Tony Belloto, escritor e músico, cronista (Cenas Urbanas) da revista Veja (leitura imperdível), para assinalar um desaparecimento que o mundo sentiu. Leia na Veja o texto completo. Aqui, fica a ponta do véu de uma sensibilidade analítica perfeita.

Do ser mitológico diz-se que nasceu em meados do século XX. E que, tendo nascido homem, foi aos poucos transformando-se numa mulher. No fim, tornou-se um ser de aspecto hermafrodita, com sexualidade indefinível. Sabe-se que o ser mitológico nasceu negro e morreu branco. Foi, na infância, um adulto: compromissos profissionais, responsabilidades, obrigações e pressão foram experimentados desde cedo em doses altas. Na maturidade, tornou-se uma criança: gostava de brincar, passear em carrosséis e montanhas russas, ter crianças por perto e jamais compreendeu exatamente do que se tratava o tal “mundo dos adultos”.

Do ser mitológico diz-se que foi acusado de abusar sexualmente de crianças, o que nunca se comprovou. O que se sabe com certeza é que foi brutalmente espancado pelo pai, na infância, e submetido por este a tortura e pressão psicológicas. É comprovado que durante sua existência o ser mitológico ajudou crianças pobres e doentes, não só com dinheiro, mas com carinho e compreensão verdadeiros. Com essas crianças comunicava-se da mesma forma com que são Francisco de Assis conversava com passarinhos.

Do ser mitológico compreende-se que revolucionou a música pop mundial ao elevar a música negra (é importante lembrar: não importa quantas transformações e mutações tenha o ser sofrido em sua existência, ele nunca deixou de ser um grande, talvez o maior, artista da música negra norte-americana) a um status nunca antes alcançado: qualidade musical irresistível, ousadia de produção, competência e muito – muuuiiito – suingue (….) Dele compreende-se que foi coroado rei pelos humanos e amado por estes como um anjo. A morte chegou-lhe como alívio, inadaptado que era ao mundo estranho que o amou e não o compreendeu. Na morte sabe-se que a imprensa, que o criticara impiedosamente nos últimos anos de vida – e tanta atenção dera a suas bizarrices, idiossincrasias e excentridades – acabou por reconhecer que o que prevalecerá de seus feitos será tão somente a brilhante música que concebeu, cantou e dançou.Diz-se por fim que (… )


http://www.youtube.com/watch?v=if7M_fRfFTI


Todos chegamos um dia como a água e, um dia, vamos como o vento
(Graham Greene)
Anúncios

SAUDADES E CANÇÕES PARA RAÍSA

Escutei na Antena Um um comentário que me desagradou. Achei-o de uma insensibilidade gritante, apesar de reconhecer que cada um tem direito à opinião. Referia-se… à degradação de Gorbachev, ao lançar um disco com melodias preferidas da sua mulher… (falecida a 20 de Setembro de 1999, vítima de leucemia). Degradante? Degradante, mesmo? Apetece-me ser sarcástica mas, para quê? Na realidade, o antigo Presidente soviético, Mikhail Gorbachev, editou recentemente um disco Canções para Raísa, dedicada à memória de Raísa Titarenko Gorbachev, onde interpretou (parece que bem) sete das suas baladas preferidas. O disco não será vendido ao público, aliás, foi posto à venda num leilão de beneficência em Londres (um só disco rendeu 119 mil euros). Após a morte da mulher o ex-Presidente russo tem-se dedicado à recolha de fundos para apoiar crianças com leucemia, na Fundação com o nome de Raísa.

O percurso deste político tem laivos de fado português. Vejamos: ele é – sem dúvida- uma das Grandes Personagens da História Contemporânea. Encantou e conquistou o Mundo mas não conseguiu agradar no seu país, apesar da esperança que distribuiu ao derrubar barreiras e mordaças. As palavras Glasnost (transparência) e Perestroika (reestruturação), fizeram manchetes em todos os Continentes e iniciaram o processo que terminaria com a Guerra Fria. Foi Prémio Nobel da Paz, em 1990. Foi um homem que o mundo admirou mas o seu país, não!

http://www.youtube.com/watch?v=qCVht4ZExv4

*

Somos todos estudantes e os nosso professores são a vida e o tempo
(M.Gorbachev)

É NOSSO O ESCUDO CONTRA DRAGÕES


…Pensamos que, às vezes, não restou um só dragão. Já não há um bravo cavaleiro, nem sequer uma única princesa a passear por florestas encantadas. Pensamos, às vezes, que a nossa era está além das fronteiras, além das aventuras. Que o destino já passou do horizonte e se foi para sempre. É um prazer estar enganado. Princesas e cavaleiros, encantamentos e dragões, mistério e aventura, não existem apenas aqui e agora, mas continuam a ser tudo o que já existiu nesse mundo. No nosso século, só mudaram de roupagem! As aparências tornaram-se tão insidiosas que as princesas e cavaleiros podem esconder-se uns dos outros, podem até esconder de si mesmos. Contudo, os mestres da realidade ainda nos encontram, em sonhos, para nos dizerem que nunca perderemos o escudo de que precisamos contra os dragões; que uma descarga de fogo azul nos envolve agora, a fim de que possamos mudar o mundo como desejarmos. A intuição sussurra a verdade! Não somos poeira, somos magia! Feche os olhos e siga a sua intuição…

http://www.youtube.com/watch?v=veM1xGeBO5o

*

Estou aqui não porque deva estar, nem porque me sinto cativo nesta situação, mas porque prefiro estar contigo a estar em qualquer outro lugar no mundo
(Richard Bach)


UM TURBILHÃO DE CONSTELAÇÕES, SÓIS …

Somos realmente testados quando a tristeza chega. Porque só quando se esteve no vale mais profundo se pode saber como é magnífico estar na montanha mais alta.

Este pensamento de Franklin Roosevelt –o 32º Presidente dos Estados Unidos que foi três vezes reconduzido à Casa Branca. Roosevelt não teve uma existência marcado pela facilidade desde que em 1921 um ataque de poliomielite o deixou praticamente paralítico. Mesmo assim, sempre se moveu enérgica e brilhantemente, não só na esfera política como na sua própria vida. Nunca cedeu às dificuldades, foi um lutador e, ainda hoje, é reconhecido por analistas e historiadores como um dos mais lúcidos e vigorosos políticos que passou pela Casa Branca, apesar de se deslocar em cadeira de rodas.

Roosevelt foi dos muitos exemplos que na História deixou marcas da sua tenacidade e do seu valor. Mas não é preciso ser Presidente para se ser lutador. Nem é exigido que façamos História. Se tal acontecer, tanto melhor, mas o importante é o ser humano dar à sua mente e ao seu corpo a possibilidade de querer deixar o vale da tristeza e do desespero para subir à montanha mais alta. É que o corpo humano (a foto pertence ao famoso grupo internacional My Dream, composto por elementos todos deficientes) como disse Franco Ossola, seu profundo conhecedor …é um centro energético por excelência, um turbilhão de constelações, sóis, planetas, radiações de luz e fluxos vitais, interpenetrando-se de forma tão inteligente a ponto de levar a acreditar em milagre…

Os nossos pensamentos e imaginação são os únicos limites reais para as nossas possibilidades.

(S. Marden)


AGRADAR A TODOS É MISSÃO IMPOSSÍVEL

Tentar, pode, mas não adianta e, se pensar que será capaz um dia de agradar a todos, acabará desiludida. Mesmo que seja um modelo de virtudes; mesmo que entenda o sorrir do Universo e seja francamente tolerante, altruísta, generosa; mesmo que saiba de cor a vida e a obra de Madre Teresa de Calcutá e se emocione verdadeiramente com a descompostura dos acontecimentos que grassam no mundo e chegue ao ponto de chorar, frente aos noticiários que entram em sua casa e lhe agridem o coração e a sensibilidade. Mesmo que domine a Teoria da Evolução de Darwin ( fascinante, actual e polémica) e seja uma curiosa permanente pela vida de Newton, Einstein, Lincoln. Mesmo que se emocione e se transcenda frente ao quadro de Dali -Cristo na Cruz- e sinta que a poesia de Florbela a eleva espiritualmente e a deixa a pairar noutras dimensões existenciais. Se quer tentar, faça-o, tente mas, quer mereça ou não encontrará sempre uma, duas ou três pedrinhas no sapato que lhe magoam a alma. A vida real é assim!

Se ajudar uma só pessoa a ter esperança, já não terei vivido em vão
(Martin Luther King)