REVOLUCIONOU A MUSICA POP MUNDIAL

De uma forma geral todos, ultimamente, lemos muito sobre Michael Jackson. Do que li escolhi uma crónica de Tony Belloto, escritor e músico, cronista (Cenas Urbanas) da revista Veja (leitura imperdível), para assinalar um desaparecimento que o mundo sentiu. Leia na Veja o texto completo. Aqui, fica a ponta do véu de uma sensibilidade analítica perfeita.

Do ser mitológico diz-se que nasceu em meados do século XX. E que, tendo nascido homem, foi aos poucos transformando-se numa mulher. No fim, tornou-se um ser de aspecto hermafrodita, com sexualidade indefinível. Sabe-se que o ser mitológico nasceu negro e morreu branco. Foi, na infância, um adulto: compromissos profissionais, responsabilidades, obrigações e pressão foram experimentados desde cedo em doses altas. Na maturidade, tornou-se uma criança: gostava de brincar, passear em carrosséis e montanhas russas, ter crianças por perto e jamais compreendeu exatamente do que se tratava o tal “mundo dos adultos”.

Do ser mitológico diz-se que foi acusado de abusar sexualmente de crianças, o que nunca se comprovou. O que se sabe com certeza é que foi brutalmente espancado pelo pai, na infância, e submetido por este a tortura e pressão psicológicas. É comprovado que durante sua existência o ser mitológico ajudou crianças pobres e doentes, não só com dinheiro, mas com carinho e compreensão verdadeiros. Com essas crianças comunicava-se da mesma forma com que são Francisco de Assis conversava com passarinhos.

Do ser mitológico compreende-se que revolucionou a música pop mundial ao elevar a música negra (é importante lembrar: não importa quantas transformações e mutações tenha o ser sofrido em sua existência, ele nunca deixou de ser um grande, talvez o maior, artista da música negra norte-americana) a um status nunca antes alcançado: qualidade musical irresistível, ousadia de produção, competência e muito – muuuiiito – suingue (….) Dele compreende-se que foi coroado rei pelos humanos e amado por estes como um anjo. A morte chegou-lhe como alívio, inadaptado que era ao mundo estranho que o amou e não o compreendeu. Na morte sabe-se que a imprensa, que o criticara impiedosamente nos últimos anos de vida – e tanta atenção dera a suas bizarrices, idiossincrasias e excentridades – acabou por reconhecer que o que prevalecerá de seus feitos será tão somente a brilhante música que concebeu, cantou e dançou.Diz-se por fim que (… )


http://www.youtube.com/watch?v=if7M_fRfFTI


Todos chegamos um dia como a água e, um dia, vamos como o vento
(Graham Greene)
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