AINDA PODEMOS VOLTAR A IMPRESSIONAR O CHICO E AINDA PODEMOS VIR A SER UM IMENSO PORTUGAL…


A primeira condição para (ainda) nos virmos a tornar num imenso Portugal, como disse o poeta-cantor Chico, lá do outro lado do Atlântico (obrigado Chico por nos dedicares esse respeito e apelares à nossa dignidade ancestral com essa canção do tamanho e com a profundidade do Atlântico) será, digo eu, a de sermos hoje pequeninos. Não dessa pequenez de medir aos palmos até porque essa não conta, mas da pequenez-mental-colectiva-que-nos-limita-só-às-acções-imediatistas. Com menos traços bastava eu ter-nos chamado de buçais e mesquinhos e, ao chamar-nos este tanto que não se interprete que possa existir menos identificação com a Raça, menos fidelidade à Nação, menos empatia com a História, menos orgulho pelo que de bom temos também atingido. Nisto, há apenas a vontade de alertar e de reagir; de provocar a maré colectiva que haverá algum dia de começar a fazer a diferença para melhor. A ver se (ainda) vamos a tempo de receber menos críticas dos nossos filhos e netos (e se recebermos pelo menos poderemos, nessa altura, concluir que os deveremos ter feito e formado quanto mais não seja, um nada melhor do que nós, como cidadãos e como Portugueses. Reste-nos essa perspectiva de conforto piedoso para connosco).

Alguma dia se verá a diferença mas, para já, parece-me que continuaremos a ser só (salvo as excepções que não confirmam a tal) apenas colectivamente buçais e mesquinhos e, permita-se a ironia -para ir aliviando a prosa-, assim pequenos, pelo menos há a boa notícia de já cumprirmos essa primeira condição que, um dia, nos tornará mesmo nesse imenso Portugal com que retribuiremos – ou não se chame este nosso aqui de “Portugal” – ao Chico os seus desejos de então; talvez ele, na altura afectado de fascínio, por andarmos nós aqui deste lado ainda ébrios de Abril, como se nunca tivesse havido outro antes assim que, por acaso, até nem tinha! E vem a propósito termos lembrado esse Abril porque foi a última grande vontade colectiva que tivemos como Portugueses, provocada por alguns capitães e adoptada, de imediato, por todo o Povo que queria lá saber se eram milicianos ou do quadro. Queriam era ficar com a Liberdade que lhes apareceu, em flores, pelas ruas.


Durou alguns meses essa vontade mais feita de euforia oferecida do que de espírito para empreender, vá lá ano e meio de energia e afirmação em colectivo mas, entretanto, foi-se esbatendo ao longo destes últimos 30 e vários anos, ao ponto de estarmos agora no ponto em que estamos: sem soluções estruturais para a nossa Lusa sociedade; sem sentido de Estado nem vontade expressa pela Nação; sem modelo de desenvolvimento a longo prazo; sem o nosso dinheiro nem o dos nossos filhos e netos, depois de já termos -também- gasto o dos nossos pais e avós, sem rumo ideológico objectivo, mas sobretudo, sem reagirmos!

Acho que foi algo do género que também, entretanto, constatou o nosso melhor Primeiro-ministro de há muito tempo a esta parte ao dizer o que não devia de ter dito com o lapidar: ainda está para nascer… Até pode ser verdade embora estatisticamente ele não o prove e, talvez, se prove mesmo o contrário. Por isso, não o devia ter dito. Até porque se justificaria sempre melhor constatar-se que, entretanto, de há meses a esta parte ele tem estado a suportar amargamente a conjunção da pior crise mundial (que até a Portugal chegou, vá-se lá admitir este incrível ) dos últimos 60 anos, com a enorme pressão que é sempre o fim de uma Legislatura em maioria absoluta que, muito provavelmente, já não vai ser mais (o preço vai ser caro para nós). Pressão essa entretanto temperada por episódios desgastantes aqui e ali que não são tão graves isoladamente mas, em conjunto acumulado, desgastam, sim. O episódio bem francês do jamais… ou o outro mui português da saudação tauromáquica, em pleno Hemiciclo…, com tantos outros momentos de desgaste pelo meio, menos mediáticos e de facto, esses sim, graves: desde corrupção por provar, a Provedor por empossar, reavaliações por redefinir ao que, sendo assim, são reprofessores (professores reprovados à partida) e um sem fim de outras constatações de má nata política, a cobrir todo um leite povo de mau beber que nem a vaca sagrada e mítica da Lusitanidade que o terá vertido, o conseguirá (por agora) cheirar.

A análise acima, embora diagonal e criativa, só pode estar correcta porque, entretanto, constata-se que até a Oposição (só pode ser a pior de há muito tempo a esta parte para se ter oposto ao melhor Primeiro de há muito tempo a esta parte e ainda existir como Oposição para contar como foi, depois das próximas eleições em que, provavelmente, será chumbada e só lhe restará formar o Governo que nem quer, embora não o admita – vejam só como está o nosso Portugal). Está mesmo certa a análise e é uma excelente diagonal sobre a situação do nosso País porque nos leva, agora, neste parágrafo, facilmente a identificarmo-nos com a constatação de que algo de bom deve ter feito o nosso melhor Primeiro de há anos a esta parte para estarmos este ano na situação em que estávamos há quatro anos (dívida, desenvolvimento, reformas, etc), o que só significa que apanhámos o embate da maior crise mundial de há muitos anos (ainda nem o Primeiro-ministro tinha nascido) e, entretanto, crescemos aqui e ali em alguns (muitos) sucessos e actos de coragem governativos e, perdemos tudo com a crise; mas, se calhar, vamos passar por ela e, pelo menos, ficamos mesmo praticamente com estávamos, do tipo: veio uma onda gigante e nós conseguimos manter-nos à tona para agora a vermos afastar enquanto continuamos, pelo menos, felizes por boiar!

Apáticos e inconscientes, sem dignidade nem fibra para começarmos a nadar em conjunto, também. E é neste boiar catatónico que temos, entretanto, estado a assistir e a admitir o que agora já vão sendo vários insucessos e compromissos mal explicados, em torno deste nosso melhor de há tantos anos a esta parte e a assistir, simultâneamente, à imensa Oposição, inconsequente e mesquinha (pelo menos é feita na linguagem que resolvemos nós, Povo, admitir) que visa praticamente só o que é pessoal, o que é episódico e o que é controverso, mesmo que não se prove e não defenda publicamente uma única acção com dimensão e sentido de Estado. Permitimos-lhes, todos nós, que não se comprometam com programas, que defendam visão a longo prazo e com compromissos que sejam responsabilizáveis e imputáveis sob o risco nobre de errar mas, ter tentado e voltar a insistir, se tal for preciso, até ajudar a recuperar o caminho que objectiva e incontestavelmente este nosso melhor de há tantos a esta parte conseguiu, de facto iniciar, cativando-nos na altura no processo, ao ponto de ainda há menos de um ano até os impostos pagávamos com alguma satisfação, por estarmos a fazer parte de uma justiça colectiva, como se tal possa ser possível, mas foi ! Até prémio ao Senhor Director das Finanças da altura demos e não há registo de ninguém ter contestado veementemente !!!

Entretanto, há uns dias, longe desta nossa realidade, constatou-se que os Chineses, espertos e oportunos mas, sobretudo, sempre muito conscientes do poder dos desafios em colectivo, além de estarem já a sair da crise (não fazem mais do que a sua obrigação, dado o contexto para este século) já começam a deixar passar (com subtileza sedosa) o termo Chaiwan, para nos preparar para uma aliança económica entre a China e Taiwan, optando por deixar cair, mais do que apenas um mero Muro de Berlim, deixar cair toda a Muralha da China se preciso for, para criar o bem comum possível da fortaleza ideológica de um país, dois sistemas (a actualizar para dois países, dois sistemas – uma estratégia), revelando que sentido de Estado de enorme coragem e efeitos a três ou mais gerações, não é uma vontade inventada neste artigo, por muito que a esta altura do texto não se acredite. Existe e há quem a esteja a praticar ! A nós, que mais nada nos resta senão optarmos colectivamente por um extraordinário e imenso sentido de Estado, nem nos lembra (sequer) obrigar a que se publiquem os próximos programas políticos para defesa das próximas estratégias governativas que têm que estar a ser executadas já daqui a poucas jornadas do actual campeonato de futebol (a ver se a noção de urgência passa, recorrendo a esta linguagem mais desportiva).

A coisa está de tal forma que este nosso melhor quase que de sempre a esta parte, está prestes mas é a ser fortemente penalizado, injustamente, pelo que não fez mas, justamente, pelo qualquer coisa do que terá alegadamente também feito e ser remetido pelos seus aliados e opositores ao total exílio político e ao maior esquecimento dos próximos anos, criando-se um vazio para onde cairá, aos trambolhões, uma Oposição colada à Esquerda e à Direita, com todos em corrida para chegar primeiro à linha de Governo ao Centro. Não nos foram propostas até hoje mais do que apenas algumas linhas publicitárias do tal programa de Governo com sentido de Estado, entretanto herdando também, de facto, o que será certamente uma muito má situação económica, financeira, social e outras porque a crise descobriu mesmo Portugal com mais pujança do que este descobriu o mundo, como nem os Lusíadas saberiam descrever em mil Bojadores e porque nós, desde a euforia daquele Abril, que tanto terá fascinado o Chico, nunca mais soubemos consolidar e desenvolver, só nos tendo safado, entretanto, o facto de mandar já a UE mais em nós do que nós próprios, até ao dia em que mandará até nos intervencionar.


Se o nosso melhor de há tantos a esta parte nem sequer viesse (hipoteticamente) a ser responsabilizado pelo que, entretanto, fez e não fez, perdeu a oportunidade de fazer e não deixou fazer ou comprometeu-se a não fazer por obrigações que quando, e se descobertas, não vão ser aprovadas, podendo até ser fortemente penalizadas por todos nós e estivesse então ele (ainda) em condições para nos dedicar mais um acto de coragem e arrogância, umbigo absoluto e ambição, então eu sugeria que, como aquela Autarca de incomensurável coragem (temperada talvez por ingenuidade idealizada), nos propusesse ele a todos nós, um programa para o seu próximo Governo, o registasse em Notário, submetendo-se ao futuro julgamento em barra por parte de todo o Portugal, por todos os próximos insucessos e incumprimentos e, aí, sim, não nos pedisse menos do que a nova maioria absoluta.


Pedir não, aí seria ordenar como só ele já nos provou que sabe. Até lhe concedíamos amnistia por todo o passado até ao início do próximo Governo, não vá haver mesmo algo por aí, alegadamente, mal pendurado numa das duas balanças da Justiça. E, aí, tão certo como ele daqui a cinco anos estar aflito a defender-se de todos nós em tribunal, veria agora, aposto, retribuida esta sua coragem sem dimensão com a nova maioria absoluta por mais incrível que este rebuscado final possa parecer, ou não seja isto Portugal.

A não ser que a Oposição pegue nesta mesma ideia e se adiante ao nosso actual melhor de há tantos a esta parte e vá, antes dele, ao notário, depositar um mesmo sério e completo programa de Governo com sentido de Estado. Aí, ou não seja isto Portugal, aderiremos com a mesma força porque veremos coragem no assumir do enorme risco que é governar-nos. E, aí, voltaríamos (certamente) a impressionar o Chico e ele dedicava-nos uma nova canção. Daquelas de fazer o nosso orgulho destilar em lágrimas incontidas.

PS – A alternância e os Partidos parecem já não ser a solução para nós que não temos conseguido manter uma única linha estratégica de desenvolvimento, uma única que seja, de uma Legislatura para a próxima, levando a algo pior do que não ter estratégia de desenvolvimento que é o estar sempre a mudá-la e, a cada nova versão, aplicá-la só em metade de cada Legislatura, reservando, invariavelmente, as inaugurações para o final de cada quatro anos. Talvez viesse a calhar instituirmos uma Fundação para o Desenvolvimento do Estado Português, sem fins lucrativos, mas com quadros independentes politicamente muito bem remunerados, seleccionados de vários sectores profissionais necessários, sob a liderança de apenas alguns políticos de primeira linha dos vários quadrantes representativos, de forma a que a acção executiva fosse assegurada. Sobretudo, por profissionais de uma carreira governamental a longo prazo e com ascensão programada, em função de objectivos e desempenhos cumpridos, deixando que os verdadeiros valores políticos das nossas opções tivessem nesses agentes, o papel qualitativo da supervisão das linhas de desenvolvimento nacional adoptadas. É claro que estaríamos a reduzir a população política actual a menos de um terço, teríamos que pagar, pelo menos, três vezes mais aos que ficavam (pouparíamos ainda uma enormidade nem que fossem salários seis vezes mais altos), passaríamos a ser mais geridos e mais liderados, num modelo de Governo que se não for antecipado só acontecerá em Portugal lá para o fim do século, embora existam já versões bem experimentadas numa Suíça ou numa Singapura, menos mas quase, numa Noruega ou numa Malásia.

Essa dita Fundação seria suportada pela única maioria absoluta que interessa, de facto, e que é a da maioria dos cidadãos assumirem o seu papel de direito interventor ao nível das instituições que existem e as que tenham que ser criadas para sancionar as acções de Governo, de forma contínua ao longo da sua vida útil, demonstrando consciência nacional e vigilância, empenho sério -por via do trabalho e da competência. Parece utópico mas todos os exemplos que se dão acima são de nações que fizeram estas opções de uma revolução interna imensa, a partir de regimes que eram inexistentes ou imensamente desordenados ou irremediavelmente decadentes e, no espaço de uma ou duas gerações, já estavam completamente diferentes. Infelizmente, cada vez mais estamos a preencher todos estes requisitos iniciais. Felizmente, temos exemplos de já ter tido tempos em que estivemos tão mal ou pior e menos preparados ainda e, ainda, aqui estamos!


Semeia um pensamento e colherás um desejo; semeia um desejo e colherás a acção; semeia a acção e colherás um hábito; semeia o hábito e colherás o carácter
(Tihamer Toth)

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6 responses

  1. Gui

    Pior do que agora? Acho difícil.

    Julho 27, 2009 às 11:39 am

  2. MEB

    Tinha saudades das suas passagens por aqui. Ando desinspirada mas, parece-me que o Gui também não tem escrito tanto como era habitual. Sente-se essa falta. Quanto ao pior do que agora… Se é possível? Infelizmente será (e muito) se os portugueses não mudarem de mentalidade. O mundo onde viviamos antigamente já não existe! A realidade é outra! Os desafios são imensos e poderosos! E o futuro poderá não ter muito futuro…

    Julho 29, 2009 às 9:27 pm

  3. Gui

    Totalmente de acordo, minha boa amiga.É verdade que tenho andado algo ausente devido à falta de tempo e problemas de saúde da minha mãe. Espero voltar agora mais assíduamente.

    Julho 30, 2009 às 10:20 am

  4. MEB

    Faço votos, sinceros, para que sua mãe recupere rápida e totalmente. Assim, voltaremos a tê-lo com a assiduidade de que gostamos. Um beijo amigo

    Agosto 3, 2009 às 8:03 pm

  5. Olá MEB!Sou a Marta, filha do furriel Pacheco, da 22ª Companhia de Comandos que esteve em Angola entre 1969/71 e que colaborou consigo numa rádio que agora não sei o nome… Gostava muito de ter o seu contacto para lhe fazer uma surpresa, uma vez que ele a preza muito e sempre nos fala de si. O meu mail é o seguinte:mkazamby@gmail.com.

    Agosto 16, 2009 às 12:50 am

  6. MEB

    Olá Marta. Que grande surpresa o seu contacto, não por si que, obviamente não conheço (mas agradeço), mas por vir de uma memória inesquecível. A 22ª Companhia de Comados, dava um filme. Grandiosa. Comecei os meus trabalhos nas matas com a 21ª, e a partir daí foi só deslumbramento. Vou contactar, claro. Um abraço ao pai da… Maria (ele sabe). Um beijo para si.

    Agosto 18, 2009 às 6:29 pm

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