A BAILARINA DA MADRUGADA TRISTE

Na madrugada há lágrimas que se libertam do interior rio da saudade e, em silêncio, escuta-se o coração magoado pela paixão que a vida amordaçou em partidas sem adeus. Na madrugada da memória, no canto da solidão, espalha-se a nostalgia numa alegria disfarçada de quem quer enganar o mundo e a madrugada clara que queria ser triste. Acordes musicais espalham-se pelo ar, enchem o espaço e a vida da bailarina de cabelo negro azeviche, solto e sedoso – da madrugada clara que queria ser triste- que ondula o corpo, a cabeça, movimenta as mãos, os braços, o tronco, as ancas, em círculos lentos e profundos, num ritmo dolente, sensual, exótico, onde os pés nus marcam os passos ousados, sempre que solta um dos sete véus -leves como penas de anjo, tansparentes como chiffon– e acabam por deixar a descoberto um ventre liso numa postura corporal envolvente. A bailarina da madrugada vestiu-se de ritmo e de musicalidade; despiu-se de adornos, dançou para si, caminheiro permanente de viagens sem portos de chegada. Majestoso quando lembra, solitário quando esquece.

*

Estou aqui não porque deva estar, nem porque me sinto cativo nesta situação, mas porque prefiro estar contigo a estar em qualquer outro lugar no mundo
(Richard Bach)

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