VISITE GANDHI, EM SINTRA, E SINTA-LHE O RESPIRAR DA ALMA…

Por gosto, não perco exposições patentes em Sintra, no Museu de Arte Moderna. Hoje, numa tarde semi agradável (está um Inverno assumido), encaminhei os meus passos até ao jardim onde a marca de Botero agarra e preparei-me para admirar Índia-Mito, Sensualidade e Ficção, uma exposição (colecção Berardo) fotobiográfica sobre a vida de Mahatma Gandhi (A Minha Vida é a Minha Mensagem). Fotos (60), gravações do fabuloso discurso A minha Mensagem Espiritual, citações e documentários, aguardavam-me. Entrei e quando o fiz, mesmo em frente, estava uma excelente fotografia de Gandhi (sépia), tirada em 1930. Aproximei-me e reparei nas palavras e na assinatura de Gandhi e, sem me aperceber, chorei. Era o vigor do tempo, a história do tempo, a desenrolar-se silencioso no espaço de uma respiração trémula.


Ali, não estava em causa um quadro, uma escultura, uma instalação. Apenas e somente a História no seu apogeu na época de Gandhi que nos fez reviver a Índia dos Seus Sonhos: …Vou trabalhar por uma Índia em que os mais pobres sintam como seu país, e em cuja criação tenham uma voz efectiva; uma Índia em que não existam pessoas de classe alta e classe baixa. Uma Índia em que todas as comunidades vivam em perfeita harmonia. Não pode haver espaço nesta Índia para a maldição dos intocáveis (…) Esta é a Índia dos meus Sonhos (…) Não me acomodarei por menos…-1931

Falar de Gandhi é recordar um dos maiores pensadores e activistas que a História registou. Foi assassinado em Deli, em 1948, e as manchetes dos jornais proclamavam: A Luz da Índia Apagou-se. A sua vida e o seu legado são indeléveis e os seus pensamentos, filosofia, exemplo, mensagem continuam actuais: Creio em mim mesmo; creio nos que trabalham comigo; creio nos meus amigos; creio na minha família; creio que Deus me emprestará tudo que necessito para triunfar, contanto que eu me esforce para alcançar com meios lícitos e honestos; creio nas orações e nunca fecharei os meus olhos para dormir sem pedir antes a devida orientação a fim de ser paciente com os outros e tolerante com os que não acreditam como eu acredito; creio que o triunfo é resultado de esforço inteligente, que não depende de sorte, de magia, de amigos, companheiros duvidosos ou de meu chefe.


Creio que tirarei da vida exactamente o que nela colocar. E, assim sendo, serei cauteloso quando tratar os outros, como quero que eles sejam comigo. Não caluniarei aqueles que não gosto; não diminuirei meu trabalho por ver que os outros o fazem; prestarei o melhor serviço de que sou capaz, porque jurei a mim mesmo triunfar na vida, e sei que o triunfo é sempre resultado do esforço consciente e eficaz. Finalmente, perdoarei os que me ofendem, porque compreendo que às vezes ofendo os outros e necessito de perdão.

Visite Gandhi, em Sintra, e sinta-lhe o respirar da Alma.


Se queremos ser salvos e fazer uma contribuição substancial ao progresso do mundo, essa contribuição tem de passar pelo caminho da Paz
(Gandhi)
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4 responses

  1. Minha Querida Amiga,Adorei o seu post mas fiquei triste ao pensar que este HOMEM não conseguiu transmitir o seu pensamento aos indianos. Lá continua-se a viver com castas , havendo muito ricos e muito pobres e estes a serem explorados! Trabalho infantil e escravo é que não falta! A miséria, as doenças pululam por todo o lado! Que pena Ghandhi não ter conseguido fazer vingar o seu pensamento!Um beijinho amigo.

    Janeiro 23, 2010 às 4:53 pm

  2. Querida amiga,Quase choro consigo!Belíssima a sua descrição, eu estive um bocadinho consigo nessa bela exposição que como sabe não me é permitido visitar, para meu grande desgosto.Obrigada por me dar esta possibilidade de a ter visto através dos seus olhos.Beijinhos

    Janeiro 23, 2010 às 7:39 pm

  3. MEB

    Amigo LuísÉ por isso tudo. Pela total dedicação, pela capacidade de se dar, pela espantosa dinâmica da esperança, mas, infelizmente, como diz, a Índia dos Seus Sonhos, está longe de ser a realidade sonhada por Gandhi. Mas, cumpriu (bem) a sua missão. Beijinhos

    Janeiro 24, 2010 às 4:00 pm

  4. MEB

    Querida Ná. Não sei, ou não entendi bem. Não pode visitar a exposição? Bom, deve haver um forte motivo, mas com um pouco do que escrevi ficou com um grãozinho de areia da ideia. Lá vende-se um livro espantoso da exposção por 15$ (não encontro o símbolo do Euro!). Beijinhos

    Janeiro 24, 2010 às 4:04 pm

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