OLHARES MORTIÇOS NUM INVERNO TEIMOSO


As nuvens voltaram a percorrer os corredores dos dias e pincelaram-no de tons cinza. O vento, em fúria, voltou a sibilar e a agitar o que encontra pela frente, no passar tresloucado que revolve a terra, agita o mar, espalha desconforto numa dança de inquietação. A chuva marcou o regresso humedecendo ainda mais as terras ensopadas que já pedem socorro nas chagas abertas cobertas de água. O tempo não se tem encontrado na harmonia dos dias que antecedem a Primavera que, ao chegar, acaricia raízes, antes da explosão das flores, que pincelarão campos, darão cor à vida e alegria aos que anseiam por dias luminosos e pelo calor que deslizará pelos corpos pálidos, aquecendo-os, revitalizando-os, preparando-os para fascínios de libertação que os tempos quentes convidam. Entretanto, fico a olhar as silhuetas das árvores lambidas pelas nuvens que desceram e passaram fugazes pelos corredores dos dias, indiferentes aos olhares mortiços de quem não lhes apetece dançar, abraçando nuvens e chuvas de um Inverno teimoso que custa a partir.



http://www.youtube.com/watch?v=OzrUs08-SWs



Se choras porque não consegues ver o Sol, as tuas lágrimas impedir-te-ão de ver as estrelas
(Tagore)
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2 responses

  1. Maravilhoso!Parabéns pelo trabalho que vem desenvolvendo.Gostei muito!

    Março 21, 2010 às 3:21 pm

  2. Obrigada pelo comentário que prova a sua passagem por aqui. Ainda bem que gostou. Espero que, frequentemente, o faça e mantenha a mesma opinião. Gratissíma

    Março 21, 2010 às 5:58 pm

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