OBAMA, CONSEGUIU EM MESES O QUE NÃO FOI POSSÍVEL DURANTE DÉCADAS

Quando escutei as notícias da vitória da Reforma de Saúde de Obama (Ted Kennedy teria gostado de ter testemunhado aquilo pelo qual lutou durante décadas), pensei: seguramente, amanhã, os americanos vão ter na sua caixa de mensagens um e-mail do Presidente, ele não vai esquecer os que o ajudaram. E assim foi: hoje, pelas 4:40 lá estava a missiva presidencial da qual retiro apenas breves passagens:

Obrigada, Maria

Pela primeira vez na história da nossa Nação, o Congresso aprovou a reforma dos cuidados de saúde. A América esperou cem anos e lutou durante décadas para chegar a este momento. Hoje à noite, graças a si, estamos finalmente aqui. Impressionante o que ajudou a realizar: Por sua causa, cada americano vai finalmente ter a cobertura de cuidados de saúde. Mas a vitória que mais importa hoje à noite vai para além das leis (…) É a alegria das famílias em cada parte desta grande nação, porque podem finalmente receber os cuidados essenciais de que necessitam.

Esta é uma noite de profunda gratidão. Sou grato aos que nas gerações passadas com os seus esforços heróicos trouxeram este grande objectivo ao alcance dos nossos tempos. Sou grato aos membros do Congresso, cujos meses de esforço e voto corajoso permitiram dar este passo final. Mas, acima de tudo, estou grato a si (…). Este dia não é o fim desta jornada. Ainda há muito trabalho duro, e nós temos a solene responsabilidade de fazer o certo. Mas nós podemos enfrentar esse trabalho em conjunto com a confiança daqueles que movem montanhas. A nossa jornada começou há três anos, impulsionado por uma crença compartilhada de que a mudança fundamental ainda é realmente possível. Temos trabalhado duro, juntos, todos os dias a cumprir essa crença. Temos partilhado momentos de grande esperança, e enfrentado atrasos e dúvidas (…). Hoje à noite, graças aos seus esforços poderosos, a resposta é incontestável: Sim, podemos.

Obrigado,

O presidente Barack Obama

É, de facto, um feito impressionante, depois de quase derrotado de um momento para o outro ( indirectamente pela morte de Ted Kennedy, seu aliado), ter agora uma vitória que provavelmente define o início de uma nova era que durará várias décadas na política social norte-americana. É uma vitória que o confirma como um defensor da sustentabilidade social que nos EUA tem sido progressivamente ignorada, desde o início do século passado pelas prioridades crescentes de um sector privado distorcido e que acabou por gerar os mega lobbies que agora foram finalmente derrotados e que terão de se adaptar, literalmente a uma nova ordem. Esta vitória tem o significado mais profundo de traduzir a vontade comum dos norte-americanos, conscientes de que este novo sistema custará um pouco mais a todos, para que também todos passem a ter as coberturas básicas de saúde e assistência social.

Custará, sobretudo, agora para o implementar e sobretudo porque os EUA ainda estão lentamente a emergir da profunda crise que desencadearam e espalharam pelo mundo e, por isso, é uma conversão que será feita em tensão, até que os efeitos globais positivos na sociedade se comecem a sentir daqui por alguns anos. Trata-se, por fim, de uma vitória de arriscada estratégia política porque ou era ganha agora ainda na 1ª fase do 1º mandato, ou convertia-se indefinidamente numa primeira derrota a pesar em todas as seguintes iniciativas políticas de 1ª grandeza que Obama ainda pretende ver aprovadas e não é só o tempo que escasseia.

Também o apoio popular precisa de ser recuperado para essas novas batalhas políticas. Será. Não ao nível de Bush, no pós 11 de Setembro de 2001, mas é possível que seja o apoio suficiente para o levar ao segundo mandato com maioria mais do que confortável. Talvez a conclusão mais interessante deste momento histórico não seja até o efeito mais ou menos positivo que esta aprovação vai ter na sociedade, mas antes a de que, esta vitória só pode ter sido afinal possível porque estamos em presença de um dos mais independentes presidentes norte-americanos dos últimos 100 ou mais anos, o que, aliado a um poder inato para liderar mudanças e ao facto de conduzir os destinos da que ainda é a maior potência mundial por, pelo menos mais 15 anos, poderá significar que estamos, afinal, perante um revolucionário de dimensão planetária que nos vai influenciar a todos nesta e nas próximas gerações.

A maior parte das coisas importantes no mundo foram realizadas por pessoas que continuaram tentando quando parecia não haver esperança de modo algum
(Dale Carnegie)

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2 responses

  1. Post muito actual. Muito boa a mensagem que difunde.Os Americanos estão de parabéns!Gostei!

    Março 23, 2010 às 6:47 pm

  2. MEB

    Obrigada. É bom saber o que pensam sobre o que focamos. Também concordo.Os americanos tiveram sorte, vamos lá a ver se a sabem aproveitar. Estão a existir demasiados Party's Tea…

    Março 23, 2010 às 9:17 pm

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