Archive for Abril, 2010

VERA MÓNICA LONGE DE PORTUGAL


No dia 31 de Maio, no palco do Teatro Maria Vitória, no moribundo Parque Mayer, terminada a última sessão da revista Agarra, que é Honesto fechar-se-ão as cortinas, as luzes serão desligadas, o palco ficará vazio, as cadeiras da plateia quedar-se-ão solitárias. Os camarins, guardando lágrimas, projectos, anseios e confidências, ficarão sem locatários e todo o espaço que teima em não cair no meio das ruínas que o envolvem, ficará uma vez mais solitário nos negrumes das noites desesperançadas. Corações sofridos, na hora da despedida, guardarão o eco dos aplausos conquistados para servirem de consolo nas horas amargas que têm pela frente. Todos partirão e nem as gargalhadas, abraços, promessas de novos e breves encontros conseguirão mesclar a realidade. Dura realidade.


Vera Mónica é uma das que de lágrimas envolvidas em sorrisos que não quer perder, vai partir. Refiro a esta actriz, não que o restante elenco não mereça as mesmas palavras mas, Vera Mónica, é das nossas maiores actrizes nos palcos de revista. Ela é um misto de Mirita Casismiro, Beatriz Costa, Laura Alves; ela é grandiosa, arrebatadora, autêntica. Vera vai deixar-nos, não tem condições para ficar. Faltam-lhe os palcos onde ela se transforma e se supera na defesa de personagens que oscilam entre as gargalhas e a emoção. Vai partir querendo ficar. Saber isto, faz doer a Alma. Deixa-nos tristes e olhamos o futuro não entendendo esta partida de compatriotas que fazem falta a Portugal. Mais uma rainha que não soubemos amar.


http://www.youtube.com/watch?v=TeOhPR_0x8E

O rio atinge os objectivos porque aprendeu a contornar os obstáculos
(André Luiz)
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A LUVA BRANCA DE MOURINHO



Palavras para quê? Frente ao Barça, os jogadores do Inter deixaram o sangue, disse José Mourinho, respondendo ao que foi dito antes do encontro: os jogadores do Barcelona vão deixar a pele no campo. A foto capta o momento em que o treinador português com a sua já conhecida veia provocadora olha -com olhar fixo, hipnotizador e desafiador enquanto aplaude- o árbitro belga, Frank de Bleeckere, quando este decide (mal) expulsar Motta, jogador da equipa italiana.Foi uma vitória que os anais da história futebolística certamente registarão. A táctica do treinador português com os seus dez homens em campo foi genial. De mestre. Foi um jogo heróico, vivido debaixo de um permanente clima de tensão (dava filme). Bayern, creio que a 22 de Maio, espera pela equipa-maravilha para a decisão final no derradeiro encontro na Liga dos Campeões.


A única coisa que destrói os sonhos é resignar-se às concessões
(Richard Bach)

OS MEUS PENSAMENTOS SÃO CAVALOS SELVAGENS

Os meus pensamentos são cavalos selvagens livres nos campos de sonhos que não encanto. Não sou uma encantadora de sonhos sou, apenas, livre. Trato por tu as vozes do vento, conheço-lhe as nuances, as carícias e as ameaças. Nada me prende na longitude dos espaços sem fim por onde correm os cavalos e os meus pensamento de crinas e sílabas ao vento, desafiando, sempre desafiando, os domínios conquistados sem inquietações. Os meus pensamentos são a minha força e o meu segredo. São o aroma da minha vida. Envolvem-me como mantos de arminho ou gazes flutuantes quando -desprendida- tenho a força da seta disparada e venço a corrida quando perto do alvo a agarro na mão firme. Sem vacilar. Não há nem limites, nem desafios. Nem sequer impossíveis nas correrias livres, loucas e divinais pelos campos dos meus sonhos que agarram nos pensamentos e me fazem imperatriz do meu reino. Sou raio que atravessa a distância enquanto os pensamentos me segredam pedaços de vida. Quando voltares a pegar nas minhas mãos larga-as ou prende-as. Só que eu nunca ficarei. Tenho campos livres de sonhos para correr aos ventos e sorrir às estrelas.

O mais importante acto de fé não é só acreditar em Deus, mas acreditar que Deus acredita em mim
(S. Pulumbiert)

SURPRESAS SEM PALAVRAS…


Por vezes há silêncios parados nos segundos da vida. Sem aviso. Sem clamores. São surpresas que (quando boas) nos deixam em pose de estátua com os ombros longe das orelhas, o umbigo colado às costas e a nuca presa ao alto por um fio invisível. Ficamos rainhas por conta do encanto e de um certo distanciamento que tem porte real. Captamos a suavidade do momento, escutamos as melodias inaudíveis, flutuamos para lá de nós, agarramos os murmúrios que se querem libertar e fixamos como se não houvesse amanhã. Lívidas ou não, olhamos a poesia em movimento na surpresa que surge dos silêncios (raros) que fazem parar o trepidante da vida e, através da surpresa sem palavras, tomamos o pulso à realidade, respiramos lenta e profundamente e, poderosas, altivas, sorrimos, mesclando sensações.




No coração de todos os Invernos vive uma Primavera palpitante, e depois de cada noite vem uma aurora sorridente
(Khalil Gibran)

SOLIDÃO É QUANDO NOS PERDEMOS…

Solidão não é falta de pessoas para conversar, namorar, passear ou fazer sexo…isso é carência. Solidão não é o sentimento que experimentamos pela ausência de entes queridos que não podem voltar…isso é saudade. Solidão não é o retiro voluntário que impomos a nós próprios para realinhar os pensamentos…isso é equilíbrio. Solidão não é o claustro involuntário que o destino nos impõe para que analisemos a nossa vida…isso é um princípio da natureza. Solidão não é o vazio de gente ao nosso lado…isso é circunstância. Solidão é muito mais do que isso. Solidão é quando nos perdemos de nós mesmos e procuramos, em vão, pela nossa Alma. (F.B.H)

Os sonhos não morrem, apenas adormecem na alma da gente
(Francisco Buarque de Holanda)