QUEM SALVA UM HOMEM SALVA A HUMANIDADE INTEIRA

Há destinos que por muito se tentem compreender, foge pelos dedos a lógica dos acontecimentos. Aristides de Sousa Mendes foi um ser humano superior, inspirador. Salvou 30 mil vidas e quando morreu, sem dinheiro e com a casa hipotecada, teve como mortalha um hábito de burel dos franciscanos. Decididamente Portugal não sabe amar os seus filhos. Hoje encontrei no FB, na página de apoio à iniciativa da reabilitação do Legado e da Casa de Sousa Mendes (em Cabanas de Viriato) que se encontra num estado deplorável (superior ao que a foto mostra, não tenho a certeza mas creio que é monumento nacional) este post de Francisco Dias e não resisti a publicá-lo.

Dez razões para apoiarmos esta nobre Causa

1. Esta é uma causa de todos nós. Não é dirigida contra ninguém, antes é em prol de todos os seres humanos, sem distinção de raça, credo, nacionalidade. Foi com esse espírito que actuou Aristides de Sousa Mendes. 2. Poucos são os homens que se regem pelo primado do universal, opondo este primado às tendências comuns para o favoritismo endogrupal e a discriminação exogrupal. 3. Mesmo quando há muitas razões para se descrer no ser humano, actos invulgares como os que protagonizou Aristides de Sousa Mendes são um sinal vivo de esperança, um sinal de que ainda há valores supremos pelos quais vale a pena lutar. 4. A identidade de um povo radica nos seus próprios valores. Homenagear e dignificar a memória de Aristides de Sousa Mendes é, ao mesmo tempo, ancorar a identidade nacional em valores universais. 5. O altruísmo pode atingir níveis a partir dos quais a pessoa se despoja de todo e qualquer resquício de egoísmo encapotado. Salvar vidas humanas, pondo em causa a carreira e o bem-estar da sua família, denota essa pureza de sentimentos que poucos de nós alguma vez poderão experimentar em toda a sua vida. 6. Quem salva uma vida merece ser homenageado. Quem salva TRINTA MIL vidas não pode ser esquecido, a menos que a consciência colectiva esteja tão amorfa a ponto de impedir os cidadãos de discernirem a dimensão da heroicidade deste acto.

7. Cabe a cada geração eleger os valores que pretende transmitir às gerações seguintes. Se queremos ser uma sociedade moderna, democrática e minimamente fraterna, devemos fazer do exemplo de Aristides uma referência fundamental. 8. A verdadeira ruptura com o regime Estado Novo ainda estará por fazer, se não se fizer justiça efectiva ao legado histórico de Aristides de Sousa Mendes (o que implica, entre outras coisas, recuperar a Casa do Passal, tornando-a um museu/memorial). 9. Cada época tem os seus heróis. Na era da globalização e da laicização das instituições do Estado, em que impera o relativismo dos valores, somente heróis absolutos como Aristides poderão servir de referência a toda a sociedade. 10. Se todos estes argumentos não bastarem, e se só o dinheiro for argumento convincente, não deixe de ver a recuperação da Casa de Aristides de Sousa Mendes como uma atracção turística e como uma potencial fonte de receitas, pela via do Turismo.

*

Rabi, se tantos judeus sofrem por causa de um demónio não-judeu, também um cristão pode sofrer com o sofrimento de tantos judeus
(Aristides de Sousa Mendes)

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4 responses

  1. Gostei!Muito bom!Aristides de Sousa Mendes Salvou muita gente, mas acabou por morrer pobre… Ninguém o salvou a ele!Agora, quem irá ajudar a restaurar aquela que foi sua casa e que irá ficar para os vindouros?A Fundação Aristides de Sousa Mendes estará empenhada em preparar aquela que será a sua sede Oficial, mas até quando?Tudo de bom… e Obrigado pela mensagem!

    Maio 20, 2010 às 12:07 pm

  2. MEB

    Olá, boa noite. Gostei de o encontrar aqui e saber que o tema apresentado no post lhe agradou. Aristides de Sousa Mendes é, com efeito, uma personalidade que nos enche de orgulho e nos comove a forma como lutou contra todos e abdicou de tudo para ajudar 30 mil pessoas. O seu paupérrimo fim deixa-nos a pensar: será que a vida lhe fez justiça? Não! Mas há uma superior e essa, seguramente, não o abandonou. Eu é que agradeço o seu comentário.

    Maio 22, 2010 às 9:07 pm

  3. Olá Maria Elvira,Portugal às vezes não merece alguns dos seus filhos. Mas ainda bem que os tem.Aristides de Sousa Mendes merecia mais reconhecimento, muito mais. É bom que nos tenha lembrado. Continue. Um beijinho

    Maio 23, 2010 às 3:16 pm

  4. MEB

    Obrigada Ana. Da Guiné para Lisboa, num ápice. O deslumbramento da Net. Num segundo está-se onde está o nosso pensamento e ao ler o seu comentário "desloquei-me" de imediato à Guiné dos meus encantos.Realmente o Consul Português em Bordéus é merecedor de tudo. Tenho por ele o maior respeito. A maior admiração. Ainda bem que gostou. Beijinho

    Maio 23, 2010 às 9:15 pm

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