Archive for Setembro, 2010

E SE ELE SAIR E ELES NÃO QUISEREM GOVERNAR?

A recente visita do nosso Primeiro a Nova York não foi dos seus melhores momentos porque, por ele e por todos os que se lhe opõem em Portugal, deixou-se perceber (para fora) que o País não está a beneficiar de convergência de esforços nacionais. Antes pelo contrário. Os especuladores internacionais vivem destes momentos de fragilidade para encarecerem (ainda mais) o dinheiro que vamos precisar nos próximos anos. Esta falta de sintonia pública e, sobretudo internacional, entre Primeiro-ministro e líder da Oposição (este ainda a operar em modo menor mas também ainda a tempo de reescrever a sua história futura), totalmente desnecessária porque antes do Natal têm que mostrar que se entendem. O desentendimento não deveria ter acontecido. Muito menos no centro de gravidade da Economia e das Finanças mundiais, onde a Bolsa de Valores tem mais volume de negócios que qualquer outra. Aliás, mais do que todas as restantes juntas. Tamanha montra para uma zanga com nenhum sentido de Estado !

Bastava ter-se seguido o exemplo de Zapatero, fresco do dia anterior que negociou em Nova York (com sucesso) como se não tivesse imensa Oposição no seu país, pelo menos aparentando a Unidade Nacional q.b. que possa fazer as praças internacionais pensarem que a Espanha tem um plano de recuperação e de desenvolvimento a médio e a longo prazo. E, não é por acaso, até tem. Basta estarem a mostrar que existe (eles até o têm de facto), um pacto político e social para que determinadas áreas estratégicas do desenvolvimento espanhol não fiquem expostas às políticas diferentes em cada Legislatura, como nós aqui deste lado tão bem continuamos a insistir em fazer, para mal do nosso futuro. O mais incrível deste quadro improvável é que os nossos dois protagonistas, além de estarem irremediavelmente agarrados à parte mais simples da solução que é aprovar o próximo Orçamento de Estado, sabem que se o actual Primeiro-ministro sai, deixa ao próximo a obrigação de personificar as medidas ainda mais impopulares e necessárias do que todas até aqui tomadas e o que esse próximo quer é que este actual as tome e já. Ambos o sabem.

O que seria da Oposição se o Governo se demitisse agora e futuras eleições lhes desse a vitória sem que esta tivesse sequer que lutar muito por isso? Ambos sabem também que essa é a perspectiva de uma vitória angustiante. O PR que, a entrar na sua própria corrida, começa da posição mais atrás que jamais começou algum PR candidato a segundo mandato, para já alimentado mais pela tradição do que pela força do seu modelo ou histórico recente, não deverá conseguir fazer a diferença neste impasse, pelo menos em tempo útil. O que vem ai é, então, certamente mais peso fiscal, até porque o dinheiro vai voltar a estar mais caro mas, sobretudo, vem a necessidade absoluta de sentido de Estado na defesa frontal do que se tem que fazer, em ritmo próprio. Que não se distraia com eleições já à porta, exigindo a convergência política, enquanto ao mesmo tempo se tem que encaixar o embate das medidas estruturais que meio mundo internacional nos irá impor, quer por via dos mecanismos da UE, quer por via dos mecanismos da Economia e Finanças internacionais.

O nosso segundo governante mais atacado -só atrás do Primeiro Ministro mais atacado de sempre na nossa história contemporânea-, é bem capaz de ser quem pode dar cara a essa luta. Tem sido uma cara fechada por ser compenetrado e persistente. Mostra-a fechada porque, sobretudo, não tem a menor das paciências para a feira de indisciplina e desrespeito em que se deixa o nosso Parlamento exercer, o que lhe tem ficado muito bem no currículo. O nosso Primeiro que, extraordinariamente, demonstra manter a mesma vontade de luta e de projecto político desde que o conhecemos e como não voltaremos a ver nos próximos largos anos, já há uns tempos que não tem tido oportunidade para promover uma daquelas suas medidas, ainda de boa memória, de profunda e ampla intervenção estrutural no País. Ele pode agora ter a oportunidade de promover a medida estrutural que fará toda a diferença nos tempos que correm com uma Oposição ainda em formação, medida essa no sentido do diálogo político e no da criação de condições efectivas para a adopção das medidas que se devem impor internamente antes que sejam impostas em dobro externamente, fazendo diferença no seu próprio futuro político a dez anos: lançar o seu de tantas lutas, Teixeira dos Santos.

Deixe as suas esperanças, e não os seus ferimentos, moldarem o seu futuro
(Robert H. Schuller)

ESCUTA A VOZ DO TEU CORAÇÃO

Quando te sentires perdida, confusa, pensa nas árvores; lembra-te da forma como crescem. Lembra-te de que uma árvore com muita ramagem e poucas raízes é derrubada à primeira rajada de vento, e de que a seiva custa a correr numa árvore com muitas raízes e pouca ramagem. As raízes e os ramos devem crescer de igual modo, deves estar nas coisas e sobre as coisas, só assim poderás dar sombra e abrigo, só assim, na estação apropriada, poderás cobrir-te de flores e de frutos. E quando à tua frente se abrirem muitas estradas e não souberes a que hás-de escolher, não metas por uma ao acaso, senta-te e espera. Respira com a mesma profundidade confiante com que respiraste no dia em que vieste ao mundo, e sem deixares que nada te distraia, espera a volta a esperar. Fica quieta, em silêncio, e ouve o teu coração. Quando ele te falar, levanta-te, e vai para onde ele te levar. (S.T)

http://www.youtube.com/watch?v=rJT98ZGsW9Q

O coração é o centro do espírito
(Susanna Tamaro)


THE ONE JÁ ULTRAPASSOU A DIMENSÃO DE SPECIAL.

Bem, vou dar por encerrado o caso Mourinho-Selecção. Já ouvi barbaridades que bastem. A última foi ontem dizerem com a douta sabedoria dos convencidos que Mourinho só queria aceitar os dois jogos para ter protagonismo, está megalómano e só quer evidência (atirem-me água fria)! Ele precisa de protagonismo? Aqui não há mesmo sentido de País e não o sabem reconhecer em quem o tem. Lástima. Nem sabemos merecer os que nos dignificam além-fronteiras. O Mourinho até é capaz de estar mesmo megalómano. Ele já se tinha em bicos de pés quando não era ninguém por isso, agora que merece ser considerado o melhor do mundo na sua arte, imagine-se o que não vai quase de incontido naquela mente !!! Mas, então, mais valor tem a proposta porque fê-la sem precisar de a fazer, sabendo já que até estaria a ser usado pela Federação, suspeitando também que o seu patrão não o deixaria (ele disse-o dois dias antes) mas, ainda assim, fê-la porque ele é mesmo por esse Portugal que, um dia, há-de aparecer e que ele sabe que existe em potencial.

Mas ninguém fala do que é que ele ia provavelmente fazer à Selecção nos dois jogos! Provavelmente ia, mais do que os colocar instantaneamente a jogar bem e em equipa (que ainda não são), dar-lhes a noção e o ultimato de que jogar pela Selecção tem que começar por ser uma força incondicional que vem de dentro e que transforma as pessoas para grandes feitos. Mas mais do que apaixonado, o Mourinho é mesmo um estratega pleno e, com esta acção, sabia que ia ter o mundo a seguir esses dois jogos do pequeno Portugal, confiando (aposto eu) que ia conseguir aquele passe e aquele golo que, por efeito de borboleta haveria, daqui a uns anos, por trazer o Campeonato do Mundo à Ibéria, coisa que os Espanhóis querem conseguir sozinhos e, talvez por isso, o não Espanhol ao pedido ousado, de mente e coração. Para sabermos se foram ou não estas as razões para a recusa basta respondermos à questão: quem não gostaria de poder agora dizer que fez um favor a Mourinho e cobrar-lhe, no mínimo, a Taça do Campeonato Espanhol à primeira? E o Mourinho? Não sabe isto melhor do que eu ? Concluímos, então, que é mesmo megalómano? Talvez seja também o Campeão Mundial deste desporto radical. Talvez seja esta a energia indomável que o transforma em único e que ele até extravasa não em incómodos para nós mortais, mas em realizações excepcionais a que todos gostamos de assistir… até os Espanhóis que o contrataram com banhos de ouro (e haja quem me possa provar o contrário: também secretamente com incenso e mirra).

O mundo é um lugar perigoso de se viver, não por causa daqueles que fazem o mal, mas sim por causa daqueles que observam e deixam o mal acontecer
(Albert Einstein)

NAQUELE DIA, DECIDI TRIUNFAR

Walter Elias Disney foi produtor cinematográfico, cineasta, director, guionista, filantropo e co-fundador da The Walt Disney Company. Tornou-se conhecido, nas décadas de 1920/30, pelos seus filmes e personagens de desenho animado como Mickey, Pato Donald. Foi o criador do parque temático sediado nos Estados Unidos (Orlando-Califórnia) a Disneylândia.Walt Disney foi um nome maior da industria cinematográfica, sem dúvida. Os seus filmes continuam tão fascinantes como quando foram apresentados pela primeira vez e as personagens mantêm-se actuais. Todavia, estes tempos de bonança não existiram sempre. Ele passou por momentos difíceis, desencorajadores e, por diversas vezes, pensou em desistir. Dessa época resultou o texto que o ajudou a superar o desânimo, as dificuldades. O desencanto. Decidiu, naquele dia, que queria concretizar os sonhos.

Depois de muito esperar, num dia como outro qualquer, decidi triunfar. Decidi não esperar pelas oportunidades e sim, eu mesmo ir procurá-las. Decidi ver cada problema como uma oportunidade de encontrar uma solução. Decidi ver cada deserto como uma possibilidade de encontrar um oásis. Decidi ver cada noite como um mistério a resolver. Decidi ver cada dia como uma nova oportunidade de ser feliz. Naquele dia descobri que meu único rival não era mais do que as minhas próprias limitações e que enfrentá-las era a única e melhor forma de as superar. Naquele dia, descobri que eu não era o melhor e que talvez eu nunca tivesse sido. Deixei de me importar com quem ganha ou perde. Agora importa-me simplesmente saber melhor o que fazer. Aprendi que o difícil não é chegar lá em cima, e sim deixar de subir. Aprendi que o melhor triunfo é poder chamar alguém de amigo. Descobri que o amor é mais que um simples estado de enamoramento, o amor é uma filosofia de vida. Naquele dia, deixei de ser um reflexo dos meus escassos triunfos passados e passei a ser uma ténue luz no presente. Aprendi que de nada serve ser luz se não iluminar o caminho dos demais. Naquele dia, decidi trocar tantas coisas. Naquele dia, aprendi que os sonhos existem para se tornarem realidade. E, desde aquele dia, já não durmo para descansar. Durmo para sonhar.

Se podemos sonhar, também podemos tornar os nossos sonhos realidade
(Walt Disney)

A CANDIDATURA IBÉRICA NÃO PRESSUPÕE DOIS CANDIDATOS COOPERANTES?


A coesão Ibérica para o futebol será oportuna, os estádios já os temos e se a Candidatura Ibérica para o Mundial vencer, aí, sim: recuperamos (definitivamente) o investimento e damos um passo nessa (inevitável) evolução para a Frente Ibérica em que nos tornaremos, sem prejuízo para as identidades nacionais (a não ser que nós continuemos a dormir à beira-mar e os espanhóis a recuperar). No filme sobre a presença de Mourinho na nossa Selecção -nos dois jogos, a 8 e 12 de Outubro, que nos podem deixar em coma irreversível- concordo com a lógica fluída com que Mourinho explicou a sua forma de adoptar a ideia da Federação ao convidá-lo, não sem um sentido de oportunismo mediático (por parte da Federação, claro) para fazer diluir no brilho desta excelente iniciativa- contrariando radicalmente o que pensa o sabedor que é Marcelo Rebelo de Sousa que achou péssima a ideia de se ir a Espanha pedir ajuda (a Candidatura Ibérica não pressupõe dois candidatos cooperantes? E cooperar não suporta a ideia de ajuda em momentos extremos? O Real Madrid não soube mesmo ler o futuro) – na má conduta contra o treinador cessante que, merecendo ou não o despedimento, não o merecia ele, nem o País que fosse feito no decurso de uma má novela, em directo. Só nos apequenou. Só nos tirou coluna.



Problemas fazem parte do fato de estarmos vivos. Superá-los é o melhor caminho para conhecer sua força. Avance e dê uma oportunidade ao mundo de conhecer a sua energia
(Roberto Shinyashiki)