OBAMA MAIS SÓ DO QUE NUNCA

Acontece a todos, toca aos que governam: o estado de graça geralmente dura pouco. Governar desgasta. É impopular. Cobra friamente dividendos. A América galvanizada que endeusou Obama está distante e os barómetros de opiniões dão índices de popularidade impensáveis há meses atrás. Fracos. O povo que elegeu o actual inquilino da Casa Branca parece distanciar-se. Está confuso ou está descrente. A crise têm mão pesada e faz do seu dia-a-dia uma luta a que não estava habituado. Este é o quadro real sobre Barack Obama; todavia, penso que é justo pensar que esta impopularidade tem a ver com a sua estratégia de continuar a fazer tudo o que é impopular. Obama conseguiu fazer passar medidas que estavam há décadas para ser implementadas e que no processo feriu muitos lobbies (eles não perdoam). Está a desmarcar-se da guerra e da estrutura militar num país que está baseado na indústria de exportação militar e, consequentemente, da exportação da guerra e só esse lobbie que está a atacar já seria o suficiente para o deitar abaixo. Mas ainda continua na Casa Branca. E os EUA estão a demonstrar que já começam a consolidar condições para fazer aquilo que (inevitavelmente) vão conseguir fazer: recuperar antes dos outros. Com menos gastos na guerra vai poder diminuir a dívida americana e investir no desenvolvimento social e tecnológico. A América deixando de ser uma potência militar, têm que ser imediatamente a potência tecnológica e de inovação que a poderá manter mais 20 anos na liderança do mundo.

Também é justo reconhecer que Obama tem demonstrado potencial para ser menos imperfeito que a esmagadora maioria dos outros Presidentes, mas pode não ser o mais perfeito! Tem alguns erros pelo caminho (há quem pense que ele cedeu a Israel pensando na ajuda à reeleição) e é verdade que se ele ganhar as eleições para um segundo mandato é porque a partir de agora (já este trimestre) vai conseguir recuperar. Vamos seguir atentamente estes três meses e confirmar se o Presidente dos EUA tem, como prenda de Natal, umas sondagens bem mais favoráveis. Também se murmura pelos corredores do Poder que Hillary Clinton já anda a preparar a sua candidatura presidencial. Pode não passar de manipulação ou boato, ela é, sem dúvida, a candidata da alternativa. Quanto à grande estrela dos Republicanos que (parece) a estão a preparar (!) para fazer abalar Obama, só resta dizer que Sarah Palin será a candidata do vazio de poder, caso o modelo Obama falhe o segundo mandato. Apesar dos actuais indicadores de desencanto americano, nada ainda faz prever que o modelo falhe o segundo mandato e, se assim fosse, muito menos que Palin ganhe a Hillary.

A coragem é a primeira das qualidades humanas porque garante todas as outras.
(Aristóteles)
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