AMAR, ESQUECER, DESAMAR, MAL AMAR…

Que pode uma criatura senão, entre criaturas, amar?  Amar e esquecer, amar e mal amar, amar, desamar, amar? Sempre, e até de olhos vidrados, amar? Que pode, pergunto, o ser amoroso, sozinho, em rotação universal, senão rodar também, e amar?Amar o que o mar traz à praia, o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha, é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia? Amar solenemente as palmas do deserto, o que é entrega ou adoração expectante, e amar o inóspito, o cru, um vaso sem flor, um chão de ferro, e o peito inerte, e a rua vista em sonho, e uma ave de rapina. Este o nosso destino: amor sem conta, distribuido pelas coisas pérfidas ou nulas, doação ilimitada a uma completa ingratidão, e na concha vazia do amor a procura medrosa, paciente, de mais e mais amor. Amar mesmo a nossa falta de amor, e na nossa secura amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita (C.D.A)

 

 

A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca e que, esquivando-nos do sofrimento, perdemos também a felicidade
(Carlos Drummond de Andrade)

 

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4 responses

  1. Querida amiga!

    Parabéns por tudo!
    Por ter vencido incondicionalmente os obstáculos que até há dias pareciam gigantescos… é assim e por isto que também gosto muito de si.
    Parabéns, o post está perfeito e é lindo em tudo o que nos diz.

    Como dizia o grande Vinicius de Moraes, ” quem já passou por esta vida e não viveu, pode ser mais, mas sabe menos do que eu.
    Porque a vida só se dá para quem se deu, para que amou, para quem sofreu.
    ….
    Ai de quem não abre o coração, esse não vai perdão.
    Mesmo amor que não compensa, vale mais do que a solidão.”

    Beijinhos

    Dezembro 20, 2010 às 9:27 am


    • Obrigada pela sua simpatia. Ainda bem que gosta da minha nova casa mas, confesso, esta mudança deixou-me borboleta na luz. Não domino, Ná, apenas vou tentando. Adoro Vinicíus.

      Dezembro 20, 2010 às 7:08 pm

  2. Querida amiga!

    Esta mudança é como todas, exige adaptação.
    Uma das coisas que mais admiro em si, é ter a coragem … e ter-se “atirado” sozinha para este projecto.
    Não é qualquer um, garanto-lhe!
    Estamos ambas ainda a explorar todos os recursos que aqui são garantidamente melhores.
    Piano … piano se va lontano !!!
    Depois querida, eu sou a “madrinha” e já sabe que estou sempre consigo, mesmo!

    Hoje trago-lhe um poema que a Maria José, a minha poetiza lá do Rau e quase prima (casada com o primo do meu primo Mário, que por sua vez é casado com a minha prima mesmo, a Fernanda)… já sei! Deu o nó 🙂 🙂 🙂
    Não interessa, adora a sua poesia e a sua pessoa.

    Feliz Natal… embora eu volte cá antes do dia.

    Este Natal …

    Um tempo,

    Um espaço,

    O abraço.

    É o Natal de sempre

    Igual a outros Natais de outros tempos,

    Igual a si mesmo na manifestação,

    Na celebração,

    No acontecimento.

    Todo o enfoque que lhe damos,

    Tudo que o envolve amarra e ata

    São proveito e proventos

    De manifestações acordadas,

    Temperadas e outorgadas

    Pelos tempos instalados,

    Presentes no desassossego

    Das nossas vontades,

    Ausentes na luz da madrugada

    E na lonjura do brilho da safira.

    O Natal será sempre

    Um Tempo,

    Um Espaço,

    Uma época,

    De sementeira de amor,

    De enxugar a dor

    No grito gritado,

    No dardo lançado,

    Na meta traçada,

    Na mão amarrada

    Ao cais da esperança.

    O Natal deste tempo

    Será sempre e quando

    O Homem estiver disponível

    Na leira do seu coração.

    Natal de 2010

    Maria José Areal

    Beijinhos

    Dezembro 20, 2010 às 9:48 pm

  3. Minha preciosa madrinha e minha amiga

    As coisas bonitas que diz para apaziguar este nervosismo que é o de sentir que ainda não domino nada disto a não ser escrever e colocar umas fotos. Mas que importa, não estou só!Estou protegida não é? Gosto muito desta sua foto e gostei também do poema da Maria José que toca bem no Espirito Natalício. Que ele esteja sempre nos nossos corações, todos os segundos da nossa existência. Beijinhos
    MElvira

    Dezembro 21, 2010 às 4:30 pm

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