O FUTURO DO MUNDO ESTÁ NO CONHECIMENTO

Recebi (por e-mail) de um amigo, um conjunto de fotografias raras e valiosas. Essas fotos foram tiradas por um fotógrafo da Revista Life -entre 1939 e 1940-, em Berlim. O fotógrafo (americano) desapareceu logo no início do conflito, juntamente com a sua  máquina fotográfica Rolleiflex e os diapositivos originais (utilizados na época para reprodução em revistas), a maioria em 6 x 9 polegadas.

Esses diapositivos foram encontrados por uma enfermeira alemã de um hospital, em Berlim, que os guardou todos estes anos. Após a sua morte, a filha encontrou-os e devolveu-os ao actual editor americano da Life, que possui os direitos (por isso não as posso publicar). Ao olhar esse raro espólio interrogo-me: como é que um homem como Hitler conseguiu galvanizar massas da forma como o fez?  

Os alemães são dos povos mais empreendedores do mundo e, após a Primeira Guerra Mundial, estavam humilhados e pobres. Hitler, galvanizou-os para recuperarem dessa situação e daí a dizer que para fazer isso (tinham que conquistar pela guerra) foi um passo. Adicionou uns temperos, sem ter oposição, purgas massivas  e pôs o país  a trabalhar para o esforço militar de rearmamento.

Essas fotos fixam, sobretudo, os grandes eventos que confirmaram entre alemães que estavam preparados para executar o plano do Terceiro Reich. Mas se o povo alemão deixou alimentar tudo isto, os primeiros grandes responsáveis foram os países fortes mas passivos: EUA, Inglaterra e França e um pouco a Rússia.

É por isso que depois da Grande Guerra se fez a Sociedade das Nações que deu espaço às Nações Unidas, para evitar guerras (se existisse a UN antes de 1914, poderia nem sequer ter havido esta  Primeira Guerra Mundial do século e, provavelmente, não haveria a Segunda). A UN foi, sobretudo, criada, para que não se voltasse a verificar a passividade colectiva internacional, que possa deixar que este tipo de fenómenos sociais (perigosos) à escala de um país, se desenvolvam.

Mal ou bem a UN está a cumprir o 1º objectivo:  evitar guerras. Depois da Segunda, a humanidade tem vivido o maior período de sempre sem ser afectada por uma guerra global. Nunca tal aconteceu na história da humanidade. Já o 2º objectivo é o de eliminar a passividade da comunidade internacional, este ainda não está suficientemente resolvido porque continuam a dar-se excessos regionais como na Croácia e na Bósnia -nos anos 90-, ou o Ruanda e outros casos.

Há algo que está a acontecer no mundo e que de forma imparável vai levar a humanidade para menos totalitarismos e excessos e mais modelos pro-democráticos: a informação ao alcance de todos através da Internet, de uma forma que é praticamente impossível evitar. Há 20 anos mais de 90% do mundo não sabia sequer o que era a Internet (a França tinha um bom sistema nacional, o MINITEL). Daqui por 20 anos haverá uma verdadeira comunidade mundial de valores com base na informação disseminada em tempo real e que se vai dedicar mais a tentar resolver os problemas da fome e da sede com o menor número de guerras possível.

Vai haver guerras mas cada vez morre menor percentagem da população mundial. Depois dos mais de 50 milhões que morreram na Segunda Guerra (para um Planeta que tinha menos de 2 mil milhões de habitantes), essa percentagem, desde então, desceu vertiginosamente e continuará a descer.

Essa comunidade verdadeiramente mundial vai ter que se preocupar mais com o bilião de pessoas sem acesso suficiente à água e comida e com outro meio bilião que será afectado por terramotos, maremotos e mais outro, menos de meio bilião, por epidemias.

As soluções a encontrar terão por base a informação disseminada a nível global, o aumento fortíssimo da aprendizagem, do ensino e, em resumo, do domínio do conhecimento. É isso mesmo, o futuro do mundo está no conhecimento e não na autoridade; logo, estará no diálogo e nos valores e, pelo menos, dois terços do mundo viverão melhor, e um terço continuará a sofrer de forma global -menos do que um terço infeliz de há um século.

De forma global, por estarmos a evoluir decisivamente para a Era da Informação e da melhor formação, estaremos no bom caminho para saber e querer lutar por valores fundamentais, quer individuais, quer familiares, de cidadania e em suporte da comunidade global, de tal forma que, dificilmente, voltaremos a ter um Hitler com impacto à escala global. Provavelmente nem sequer Hitlers à escala regional. 

O mundo mudou. O que foi já não existe. Agora o que acontece sabe-se no mesmo instante, as tecnologias aproximam povos e factos. Nada já pode ser ocultado e tudo é revelado no tempo em que acontece. Estamos a viver a época em que a comunicação ultrapassa fronteiras. E ganha poder.

Por exemplo, a CNN está a lançar uma campanha contra a escravatura com os seus pivôs em todo o mundo. É a prova de que já estamos na Era da Informação Interventiva  à escala mundial pela defesa dos valores universais. A CNN não apostava nesta cruzada senão soubesse que tinha condições (à escala do Globo) para tentar erradicar uma prática milenar que esteve na base da formação e desenvolvimento da civilização. E se a CNN ficar na história por erradicar a escravatura? A força da comunicação é imparável.

 

 

Quando escrito em chinês a palavra crise compõe-se de dois caracteres: um representa perigo e o outro representa oportunidade

(John Kennedy)

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4 responses

  1. Parabéns, Maria Elvira, por este texto bem oportuno e interessante: apesar de tudo estão a começar hostilidades na Líbia – esperemos que seja, mesmo, a protecção dos civis o objectivo!
    Dizem os leitores do Brasil que hoje é o “Dia do Blogueiro”, pelo que, também por isso, este tema vem a propósito: de facto, as novas tecnologias de informação têm vindo a revolucionar todas as concepções habituais de comunicação e informação e, obviamente, os modelos de sociedade instalados!
    Beijinho e bom Domingo

    Março 20, 2011 às 4:50 pm

  2. Bom amigo Joaquim. É verdade, estamos a viver uma época trepidante em que tudo se mexe. Não há dúvida que a Era da Informação une tudo: factos, povos e sonhos.
    Beijinho

    Março 20, 2011 às 8:44 pm

  3. Querida amiga Elvira!

    Foi com enorme agrado que li este magnífico texto, que nos leva a crer que a Humanidade beneficiará das novas tecnologias à sua disposição bem como duma melhor formação.
    Sem dúvida, que o facto de vivermos os acontecimentos em todo o Mundo quase ou mesmo em directo ajuda a que se possa actuar de imediato.

    Nunca dantes, até há poucos anos, seríamos capazes de viver tão intensamente todos os dramas humanos. Veja-se o último exemplo, o Japão.

    A verdade é que não temos Hitlers mas ainda temos Cadafis e outros que tal… mas o seu derrube está para breve, não resistirão à pressão mundial e à Informação, disso não tenho dúvidas.

    Amiga, este tema daria horas de conversação. Há imensos factores a considerar, mas agora fico por aqui!

    Deixo-lhe um beijinho carinhoso.

    Março 20, 2011 às 9:50 pm

  4. Obrigada, Ná. Estamos a viver tempos novos, sem dúvida. E se o queremos “entender” teremos de apostar no esclarecimento. Há demasiada violência, demasiado fanatismo,demasiada corrupção. Há que mudar de mentalidades, a nível mundial. Beijinho.

    Março 22, 2011 às 8:26 pm

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