HÁ UM NOVO LÍDER NA POLÍTICA PORTUGUESA

Alguém que percebeu que houve um tempo que permitiu tenacidade e coragem  -embora temperada por tiques de poder e, muitas vezes, uma frequente e muito discutível gestão política da verdade-  que mesmo assim passou e permitiu conduzir um Povo de nervo apático, apenas dado à vivência letárgica, na tentativa de atravessar a crise sócio-económico-financeira e de valores fundamentais que baptizou este Século nascente.

Este novo líder é um lutador compulsivo, de convicção arrogante, que soube apontar aos opositores os erros maiores que os da liderança que agora caiu, para nos dizer (de frente) que tudo passou a ser mesmo instantaneamente passado, no momento em que o rectângulo Portugal não se cerrou em quadrado e sucumbiu (humilhantemente) ao oportunismo político da guerra pelo Poder, sob o olhar atónito (de quase desprezo) pelo exercício do ridículo em prejuízo da Nação, que a Europa (lá longe e lá em cima) nos dedicou e mantém sob disfarce, até demonstrarmos capacidade de condução, por nova liderança que nos substitua o Governo em gestão corrente de expedientes comprometidos.

Este novo líder, por ter estas qualidades não é, no entanto, perfeito (convenhamos, não há políticos perfeitos. Não há homens perfeitos!). Antes de mais porque, sobretudo, usufrui de muita pequenez política irremediavelmente falida à sua volta; do imenso silêncio de quem deveria ter a coragem de Estado de patrocinar a solução que não nos tivesse interrompido o País, beneficiando, ainda, este novo líder, se tal se pode dizer, da ausência profundamente enraizada da falta de cidadania de quase todos (sem quase excepção) que quanto muito voltarão a ser pouco mais de 50% de Povo sem vergonha à boca das urnas.

A este novo líder que ainda lhe faltam provas talvez demais para ser a figura deste século, a suceder à do século passado, não está a escapar o conceito (poderoso) de que a sua personalidade, de frente para os problemas, move mais do que a personalidade do seu principal opositor, de qualidades que não colam em conjunto visível, elaborada e suportada num exército amplo de segundas figuras muito competentes -aqui, ali, e mais além…, mas não neste grande todo uno de que tanto precisamos.

Também não lhe escapa que o seu principal opositor está progressivamente a converter-se numa figura banhada de modelos de coligações que não nos despertam intuições empáticas, ficando muito atrás da onda de fundo que está a nascer no seu Partido a celebrar, coeso, a surpreendente confirmação da sua ascensão como novo líder.

Este novo líder respira até aquela imagem de, mereça ou não ganhar, se ganhar, aguenta-se como nenhum outro disponível e só esta noção já está a ser mais forte do que a maior parte dos argumentos políticos e das propostas de Governo, até porque o Povo de nervo apático está cada vez menos adormecido, e percebeu que a maior parte da governação já não é nossa pelos próximos dez anos e, sendo assim, se é mesmo quase indiferente quem de cá nos governe então, pelo menos, que não seja alguém indiferente à luta prolongada que os de lá nos vão dar, para nosso bem, sim, mas preferencialmente desde que seja com ele a lutar por todos nós, esse animal de Poder que não o esconde ser nem o nega querer.

Este novo líder está a formar-se poderoso, mesmo que coberto de passados pendurados que dificilmente conseguirá alijar, mas poderoso ao ponto de, se ganhar, ainda desafia até a Oposição para partilhar a luta, o risco e o expediente de coragem que se pede, algo que só ele consegue dizer que fará melhor do que os outros, seus opositores, seja isto totalmente verdade ou talvez nem tanto, bastando que faça com que seja o exercício do dizer e do desafiar agora, como só ele faz tão bem.

Este novo líder, de tal forma político a nível mitocondrial, conseguiu com um único discurso, no Congresso que o está a celebrar, definir como só ele, um novo desafio que o diferencia definitivamente do nosso Primeiro-ministro em exercício de gestão, e que está mesmo a conseguir fazer esquecer para tentar, assim, dar lugar ao novo que permita o regresso da expectativa que empreste nova motivação ao projecto político do quase impossível que é começar a renovar -hoje- o Portugal futuro. 

Este novo líder que num único momento se tornou o candidato de referência às próximas eleições (ganhe  ou não), já não perde o que poderia ter perdido se tivesse demonstrado derrota com a entrada sempre recusada e sempre negada (como se tinha sempre que recusar e negar até ao fim), da vinda do FMI.

 Queira-se ou não  este novo líder, aqui improvavelmente desenhado, para já só líder do seu Partido que se lhe declarou incondicional, é:  José Sócrates!

 

 

 

O homem erudito é um descobridor de factos que já existem – mas o homem sábio é um criador de valores que não existem e que ele faz existir.
(Albert Einstein)

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15 responses

  1. Amiga Elvira!

    Estou atónita.
    Não sei se deva entender o texto como sarcástico ou poético!
    Desculpe, não acredito que tenhamos, de momento, descoberto o salvador da pátria.
    Por mim, que votarei sempre, nunca votaria em José Sócrates, como aliás nunca o fiz.
    Não foi só ele que levou o país ao colapso total, foram também os antecedentes. Por isso essa “corja” não deveria nunca mais ter assento no Parlamento.

    Não costumo falar de política nem de religião. Consigo sei que posso ser eu, peito aberto.

    Beijinho

    Abril 11, 2011 às 3:34 pm

  2. Querida amiga, boa tarde. Estamos num País livre, todas as opiniões são válidas, devem ser proferidas e respeitadas. Por isso, acho muito bem que tivesse escrito o que sentia.

    Eu, amiga, estou do outro lado. Daquele lado que sabe o que Sócrates fez por Portugal e do que seria de nós se ele não estivesse estado “ao leme”. E, para nossa reabilitação, espero que continue. Há “corja” no ar, sim, mas não é o Governo.

    Beijinho, falo pouco de política por saber que desiludo alguns mas, há alturas em que falar é dever nacional. Patriótico. Eu “amo” Portugal. Lamento se a decepcionei, Ná.

    Abril 11, 2011 às 6:28 pm

  3. Luis

    Minha Querida Amiga Maria Elvira,
    Estamos em democracia e como tal todos temos o direito de expressar as nossas ideias!
    Pessoalmente entendo que a partidocracia instituida nada tem a ver com DEMOCRACIA e tem levado Portugal para o abismo! Assim, salvo raras excepções são todos uma “CORJA” que já deviam ter saido de cena!!!
    Um beijinho muito amigo.

    Abril 12, 2011 às 12:50 am

  4. Amigo Luís, boa tarde. É sempre bom tê-lo aqui e como muito bem disse é lindo cada um poder epressar-se mediante a sua sensibilidade e opçãoes. Beijinho amigo

    Abril 12, 2011 às 7:02 pm

  5. Amiga Elvira,
    Que seria do amarelo se não houvesse quem dele gostasse.
    O seu «querido líder», à imagem do Kim Yong Il, do Muammar al Kadhafi e do Hugo Chávez, tem abundância de seguidores fanáticos interessados nos muitos tachos que distribui generosamente com os dinheiros do Estado. São centenas de assessores inúteis que não impediram a quase bancarrota, são as diversas instituições que apenas servem para garantir salário aos «boys» e «girls», são as diversas fundações como a da cidade de Guimarães, os Varas, os Penedos, os Ruis Pedros Soares, etc.
    Mas, apesar de inúmeros adoradores, o «querido líder» também enfrenta vozes saídas de cabeças pensadoras, como o Rómulo Machado, a Ana Gomes, o Luís Amado, o próprio Jaime Gama, o Henrique Neto, etc, etc.
    Nas votações a que se refere, houve abstenções tácticas de candidatos que recearam não ganhar e oportunisticamente guardaram-se para ocasião mais favorável.
    Coisas próprias da política.

    Veremos que mais contradições aparecer
    entre as propagandas falaciosas e as realidades que, apesar de todo o esforço, acabarão por vir à tona. Só desejo que nunca se esqueçam de Portugal, ou pelo menos que, de quando em vez, se lembrem dele, dos portugueses.

    Cumprimentos
    João
    Do Miradouro

    Abril 15, 2011 às 9:31 pm

  6. João Soares, boa noite.

    Há muito tempo que não passava pelo meu cantinho. Aliás, creio que nunca o fez desde que estou (dezembro 2009) no wordpress (não tenho a certeza) mas hoje tive a grata surpresa de o encontrar e de confirmar que os seus comentário são sempre dinâmicos. Volte sempre será bem-vindo. Gosto de o ler.
    Cumprimentos

    Abril 15, 2011 às 11:22 pm

  7. Salazar também conseguiu ter sempre multidões à sua volta. Claro que Sócrates não é Salazar…é muito pior do que ele. Salazar esteve meio século no poder e quando morreu os únicos bens que deixou foi a casa que os pais lhe deixara. Sócrates pelo contrário vive uma vida luxuosa. Como? Se eles se andam sempre a queixar que os políticos são muito mal pagos. Lamento Maria Elvira mas Sócrates apenas me provoca repugnância. É a minha opinião e em democracia deve ser respeitada.

    Abril 19, 2011 às 2:25 pm

  8. Esqueci-me de dizer que nunca fui salazarista, mas entre Sócrates e Salazar votaria neste sem qualquer dúvida. Ditador por ditador prefiro aquele que se assume como tal e não o que mente e se faz passar pelo ue não é. Não digo mais nada porque quando falo desse meliante perco a cabeça.

    Abril 19, 2011 às 2:29 pm

  9. Gui, acha que seria por não estar na minha linha de pensamento que isso iria beliscar um pouquinho que fosse da minha admiração por si? A Democracia é isso: a liberdade plena. Portanto, Gui, faça o favor de não se esquecer de mim. Eu farei o mesmo. Um abraço.

    Abril 19, 2011 às 7:40 pm

  10. Mariana

    Aquela “apologia de sócrates(com minúscula)” que não é a “Apologia de Sócrates” (de SÓCRATES), de Platão, é a sério ou a brincar ???
    Se é a sério…bom, melhor calar o que sinto (mais do que o que penso)…
    Se é a brincar, ilustra o que Ruy Belo escreveu : “a ironia dissimula /a impossível alegria”.
    sócrates ( o ainda PM, minúsculo) é genial numa coisa : é um grande jogador – pena que os peões sejam os seus compatriotas, que sacrifica sem pejo em jogadas ignominiosoas.

    Abril 22, 2011 às 7:58 pm

    • Boa noite Mariana.
      Penso que é a primeira vez que a a encontro aqui neste meu espaço. Seja bem-vinda. Quanto ao Sócrates é assim: eu disse o que pensava. Por seu lado a Mariana também. Não é difícil contactar que estamos em sintonias diferentes. Óptimo. A diversidade de opiniões revitaliza a democracia.

      Defenda a sua linha de pensamento e eu, por certo, farei o mesmo. Tanto de um lado como de outro teremos milhares de “apoiantes”. A Mariana e eu! Volte sempre. Raramente escrevo sobre política. Desarmoniza-me sempre um pouco da minha habitual harmonia.

      Abril 23, 2011 às 12:37 am

  11. ANGOLANO

    Olhe, cara, se existe corja por aí no ar, como diz, um desses elemento é o inginheiro das obrad feitas, e você. A senhora não andava por Angola a fazer qualquer coisa?
    Talvez por lá a dar a cuca? como o seu colega da corja, o Carlinhos, que vendia o cucu aos pretos, e pelo cucu foi morto.
    Bem dizia o meu pai nascido em Luanda, onde já tinham nascido o meu avó:
    – Vêem para Angola filhos e filhas de muitos pais!

    Abril 23, 2011 às 3:17 pm

  12. ANGOLANO

    Coitada, a idade em algumas pessoas, tem estes efeitos, estás lé-lé, ou será o Parkinson? Já deste o que tinhas a dar, e devia de ter sido pouco, porque és feia como o diabo! Coisa de gentalha frustrada, comum à tal corja, que em lutas titânicas tentam provar o que não são, gente, e na pressa de querem ser gente há pressa, até compram diplomas!
    Mulher tens cara de grão de bico, ou será de escaravelho da batata?

    Abril 23, 2011 às 3:32 pm

  13. A melhor maneira que achei para lhe responder foi a de não ter apagado o seu comentário. Fica aí para o ler quando sentir necessidade de recordar o que escreveu.

    Abril 24, 2011 às 6:58 pm

  14. Isabel Bento

    Fizeste muito bem em ter mantido o coméntário, gostei e admirei a postura!!!Graças a Deus que vivemos num País democrático, onde a escrita é uma forma de expressão livre, dando origem aos mais diversos comentários, aì, surge um agradável e saudável( pelo menos deveria de ser assim )diálogo de opniões, onde cada um tem o direito de se expressar,respeitando sempre o outro!!!Srº Angolano, se não tem outra forma de se expressar,não ofenda, nem seja mal educado!!!
    O meu nome é Isabel Bento ou se preferir Angolana!!!

    Abril 24, 2011 às 10:09 pm

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