Archive for Maio, 2011

O PODER DAS PALAVRAS

http://youtu.be/Hzgzim5m7oU

A adversidade desperta em nós capacidades que, em circunstâncias favoráveis, teriam ficado adormecidas

(Horácio)


A PAIXÃO TERMINA, O AMOR NÃO

O amor não acaba. O amor apenas sai do centro das nossas atenções. O tempo desenvolve as nossas defesas, oferece-nos outras possibilidades e nós avançamos porque é da natureza humana avançar. Não é o sentimento que se esgota, somos nós que ficamos esgotadas de sofrer, ou esgotadas de esperar, ou esgotadas da rotina.

Paixão termina, amor não. Amor é aquilo que deixamos ocupar todos os nossos espaços, enquanto for bem-vindo, e que transferimos para o quartinho dos fundos quando não funciona mais, mas que nunca expulsamos definitivamente de casa (M.M.)

 Saudade é não saber. Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como frear as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche.

(Martha Medeiros)


ONDE ME LEVA O CORAÇÃO (I.PANTOJA)

http://youtu.be/VYgMrUucyeQ

Há momentos na vida em que sentimos tanto a falta de alguém que, o que mais queremos é tirá-la dos nossos sonhos e abraçá-la

(Clarice Lispector)


GOSTAVA DE SER O TEU SONO E OS TEUS SONHOS

Gostava de ser o teu sono, envolver-te sem inquietude nos meus braços como a onda em tubo que enleia no declinar das tardes de evasão. Gostava de testemunhar a calma doce do adormecimento do corpo nas escapadelas da Alma que voa rumo aos rumos que escolhe livre e misteriosamente.

Gostava de olhar-te no repouso tranquilo que te leva para caminhos novos por onde deambulas em guerras que desconheces, em aventuras que nunca viveste,  em vidas que não recordas. Gostava de ser o teu sono, guiar-te nos terrenos dos sonhos por onde vagueias sob chuva púrpura perto das estrelas que conheces quando elas se reflectem no mar.

Nestas viagens nocturnas nunca nos encontrámos. Podíamos unir os sonhos, mas não! Cada um tem o seu espaço livre e vivemos sonos com a suavidade dos adormecidos. Acordada, quando te vejo sorridente, a olhar-me, aí, penso em tudo menos em ser condutora de sonhos.

O coração abrirá por si mesmo. Não se preocupe com o coração. Faça o trabalho
preparatório

 (OSHO)


A VITÓRIA DA SOMBRA QUE CRESCE E SE TRANSFORNARÁ EM FOCO PARA A MAIORIA

O homem que se reinventou a si próprio e se tornou no novo líder em substituição dele mesmo, magnetizando o seu Partido pela demonstração de vontade renovada, na defesa do projecto político que defende foi para o último debate (antes da campanha) esquecendo-se de levar impregnado em si esse líder renovado.

E o seu oponente apareceu surpreendente pela postura de mais frontalidade, menos hesitação, mais risco assumido nas propostas, menos estratégia de produto branco que se lhe detectou desde sempre, num conjunto que praticamente nos faz esquecer a falta de carisma que sempre o vestiu, talvez, quem sabe, só até ao início deste debate.

Resultado: como o quase vencedor antecipado não conseguiu agarrar o momento por ter recorrido apenas ao seu mesmo melhor de sempre, e como o novo candidato soube emergir da sua habitual névoa de indefinição foi este novo candidato que ganhou o debate. Ganhou por pouco, mas ganhar o que à partida parecia não ser uma vitória que lhe estivesse destinada, é uma grande vitória! É uma vitória que lhe faltava.

Como foi ele quem ganhou, aritmeticamente o líder de sempre só pode mesmo ter perdido. Também perdeu por pouco o que o seu oponente por pouco ganhou e, nesta relação de poucos, quem saiu mesmo vencedor, (silenciosamente pairante sobre o nosso imaginário político), foi essa figura central de sempre que já se anunciou como terceira via, detentora de portas para a solução governativa com a maioria que se não a conseguirmos, não seremos povo respeitado por uma década.

Na política dos jogos de ofuscação para hipnotizarem votantes até às urnas, a gestão das sombras que se vão progressivamente aglomerando ao centro, estão a definir um palco que ainda não se vê, mas que poderá vir a fazer o mais tremendo dos efeitos.

Sobretudo, entre este nosso povo de feiras e romarias, quando a dias do final da campanha se acender o foco definitivo sobre este centro político, que é um mundo de oratória, de certezas próprias, de arte na suave imposição defendida pelas armas da argumentação inteligente e que, dos tantos recursos na esgrima política que demonstra ter, facilmente poderá escolher o recurso de, ou partir sozinho vindo da terceira posição, para ganhar, ou escolher, antecipadamente, qual dos outros dois candidatos levará a ganhar para então celebrar o seu acto mais espectacular: levar o vencedor das próximas eleições e novo líder da ansiedade Nacional para a mudança a segui-lo, mesmo que o tenha que deixar caminhar à sua frente.

Foi este o resultado final do último debate e se algum dos dois candidatos não assumir esta constatação a tempo e não vislumbrar ainda, antes que se acenda, este foco orientador para a maioria, pode mais uma vez provar derrota onde, afinal, lhe esteja a cheirar tão bem a vitória. Ponto final.

O sábio teme o céu sereno; porém, quando vem a tempestade ele
caminha sobre as ondas e desafia o vento

(Confúcio)