O SUCESSO DO VÍDEO PORTUGUÊS NA NET

Confesso que a primeira vez que vi na Televisão (ontem) o vídeo –O que os Finlandeses precisam de saber acerca de Portugal-  senti que estava perante um trabalho de divulgação  muito bem feito. Está giro, tem personalidade, projecta factos que ficam a ser mais conhecidos, embora por causa de uma conjuntura infeliz, mas não escondem, até salientam o que de facto está em causa, independentemente da dimensão histórica do País e do Povo, nos últimos 100 anos, a liderança política tem sido de forma geral de má qualidade e só tem provado que caminha para pior.

O povo não ganhou qualquer noção de cidadania, consequentemente não existem projectos nacionais e, neste processo, mais do que perder capacidade, Portugal está a tornar-se inviável como economia, logo será inviável como País autónomo a breve prazo (dez anos) se não inverter a tendência nos próximos cinco (o que me parece difícil a menos que se venha a verificar uma aposta num novo projecto nacional).

No século 20 (só) tivemos dois modelos com algum sucesso: o da recuperação económica de Salazar que durou menos de 10 anos, antes de degenerar em controlo totalitário e ditatorial que, ao contrário do que de vez em quando se diz, nunca mais deve regressar a Portugal, e depois nos anos 75 a 80, com a força do idealismo que esteve na recuperação pacífica da Liberdade e que logo degenerou para a política do oportunismo a todos os níveis, da corrupção e da irresponsabilidade com a conivência do povo que demonstra estar sem brilho de amor próprio (eu digo baço) e letárgico (eu digo oleoso), pelo menos desde que os Ingleses nos vieram resolver as Linhas de Torres, senão o Napoleão ficava mesmo com isto tudo (que o vídeo não diz).

Há que reagir sim. Estamos na penúltima geração que ainda pode captar o enorme potencial da Lusofonia que daqui por dez a 15 anos já ninguém fala se, entretanto, não for estrutura em Projectos materializáveis. Da mesma forma ao perdermos a autonomia como País, perderemos a nossa projecção Atlântica.

Temos que ganhar massa crítica interna e essa, num País tão pequeno e, sobretudo, tão deserto -30 km´s para dentro da linha de costa, Norte a Sul, só se consegue assumindo que somos um povo internacionalizado que gera serviços, produtos e bens interessantes a nível internacional. Nós (ainda) não temos petróleo, nem gás natural, nem exploramos o imenso metano que temos entre o Cabo da Roca e os Açores, mas já devíamos há 30 anos se o ponto logístico e de refinação nº 1 na Europa (em Sines). Há 50 anos que sabemos poder ser uma potência no Olival e até, em menor escala a cortiça que continuará a ser única, por mais outros 20 a 30 anos, se explorarmos dela os produtos de nova geração que já provámos que sabemos que existem.

Nós já não precisamos de mais estudos que nos indiquem o potencial que temos na economia da água e do mar, e mais recentemente da exploração do vento no mar e da aquacultura e até do turismo fluvial em torno do Alqueva ou desse Património Mundial que é o Douro Internacional, ou ainda do potencial das 20 marinas Atlânticas que faltam entre Vilamoura e Vigo, com a energia vibrante que tem a da Horta de que ninguém se lembra e é um farol náutico irreverente e alternativo para todo o mundo.

Com um décimo do investimento no Futebol seríamos sede de eventos mundiais de vela, de surf e de golf, tudo regado com gastronomia e vinhos nos 5% superiores de todas as classificações mundiais e no processo ajudarmos o país a ser, no triângulo formado pelo Continente e Ilhas, um magneto para os navios de cruzeiro de todas as economias ricas do Atlântico Norte que visitam (incansavelmente) todos os paraísos do Atlântico Sul.

Sabemos que é decisiva a aposta que está a ser feita, mais ao sabor do momento do que sob uma estratégia consistente e persistente, no turismo de elevada qualidade, temático, profissional, institucional, diferenciado. De eventos da mais diversa natureza e de dimensão mundial, inovador, e outro por inventar em que as nossas condições (e agora as nossas auto-estradas e, talvez, os nossos hospitais, hotéis, e futuramente aeroportos e rede ferroviária) e a nossa gastronomia, podem ser factores decisivos para gerar pelo menos 25% da economia nacional.

Independentemente destes potenciais, o problema que temos com os Finlandeses (e com o resto do mundo) é a percepção que o passado com a dimensão que Portugal tem não suporta o presente e, pior do que isso, há uma noção instalada de que Portugal não consegue justificar o seu futuro como parceiro independente e contributivo para a comunidade internacional e até dá jeito que algum povo mais competente tome todas essas vocações de Portugal e as ponha a bom uso para bem do desenvolvimento futuro.

A percepção que existe na comunidade internacional é que a tal troika que há três semanas ninguém falava e que hoje é o Governo de Portugal conseguiu tomar, em três semanas, medidas estruturais que há 30 anos não eram tomadas só porque o pode fazer sem estar restringida pelos clientelismos políticos e estar condicionada pela corrupção passiva e activa de que se alimenta o sistema político e de liderança nacional que permite assimetrias insustentáveis. Nenhum político Português conseguiria reduzir 15% da máquina pública em três semanas porque estaria a matar -instantaneamente- o seu futuro político e a capacidade de alimentar a sua máquina partidária. Nenhum político Português, desde 75, conseguiu ou conseguiria promover a profissionalização do Estado independente dos ciclos políticos e, por isso, também, não conseguiu deixar autonomizar sequer (quanto mais resolver) o sistema de Justiça Português.

Para não estar indefinidamente a descrever os impossíveis de Portugal e tentar em alternativa definir o futuro de Portugal em poucas palavras, diria que era aproveitar a gestão estrangeira do País nos próximos três anos para nos adaptarmos à gestão de recuperação nos próximos dez anos e, durante este tempo apostarmos (fortemente) na Educação dos cinco aos 25 anos, e esperar que essa nova geração tenha a competência (que nós como povo não temos e já não a teremos nos nossos próximos dez anos) e perceba o valor. Saiba encontrar soluções viáveis para o País ao apostar na profunda Reforma da Justiça que hoje não se quer fazer. É isso mesmo: Educação e Justiça, até porque a Saúde, o outro pilar fundamental, tem sido mais apoiado. Dez anos de aposta profunda na Educação e na Justiça para que em dez anos tudo se comece a compor que é o que este vídeo que está a correr por todo o mundo não mostra. Mas, indiscutivelmente não se lhe pode tirar o valor. Causa impacto. Amacia o ego e, precisamos disso, não?

Quando uma criatura humana desperta para um grande sonho e sobre ele lança toda a
força de sua Alma todo o Universo conspira a seu favor.

(Goethe)

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4 responses

  1. Luis

    Minha Querida Amiga Maria Elvira,
    Considero este post muito pertinente e oportuno! Particularmente no que se refere ao trabalho da Troika que em tão pouco tempo soube encontrar as melhores soluções para Portugal, claro porque estava liberto das “partidarites e dos votos que elas trazem”!
    Um beijinho muito amigo e solidário.

    Maio 8, 2011 às 6:40 pm

  2. Luís, boa tarde.

    Confesso que a primeira vez que vi este vídeo fui apanhada (positivamente) pela surpresa. Achei leve, bem feito, muito bem dito (uma voz excelente) agradavél e certeiro. Gostei mesmo. Assim como gostei da rapidez e da resposta da Finlândia.
    Beijinho, meu amigo

    Maio 10, 2011 às 5:50 pm

  3. Querida amiga!

    Também eu fiquei boquiaberta; pela altíssima qualidade e veracidade.
    Adorei.

    Beijinhos

    Maio 10, 2011 às 9:10 pm

  4. Sem dúvida, minha amiga. Há muito tempo que, no género, não via nada de tão bem feito. Beijinho

    Maio 10, 2011 às 10:48 pm

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