Archive for Junho, 2011

HÁ MEMÓRIAS QUE A SAUDADE TECE E GUARDA

Há eco no som do silêncio que me envolve, no cântico das palavras sussurradas dentro de mim, vindo da poeira das estrelas caprichosas, sábias, inatingíveis, misteriosas e belas. Há memórias que a saudade tece e guarda, no baú brilhante das memórias altivas e gloriosas quando agarram o tempo e o fazem renascer como oásis em deserto florido. Há doces lembranças que nenhum furor de vento será capaz de dispersar. Há harmonia inspirada no recuar do tempo num voo que transpõe e acaricia. A beleza do passado sustenta-se numa janela da Alma que se abre para um coração vibrante.

Passam os séculos, os homens, as repúblicas, as paixões; a história faz-se dia por dia, folha a folha; as obras humanas alteram-se, corrompem-se, modificam-se, transformam-se. Toda a superfície civilizada da terra é um vasto renascer de coisas e idéias

 (Machado de Assis)

Anúncios

RIFA-SE UM CORAÇÃO IDEALISTA, SONHADOR

Rifa-se um coração quase novo. Um coração idealista. Um coração como poucos. Um coração à moda antiga. Um coração moleque que insiste em pregar peças no seu usuário. Rifa-se um coração que na realidade está um pouco usado, meio calejado, muito amachucado e que teima em alimentar sonhos, e cultivar ilusões. Um pouco inconseqüente que nunca desiste de acreditar nas pessoas. Um leviano e precipitado, coração que acha que Tim Maia estava certo quando escreveu… não quero dinheiro, eu quero amor sincero, é isso que eu espero….

Um idealista. Um verdadeiro sonhador. Rifa-se um coração que nunca aprende. Que não endurece, e mantém sempre viva a esperança de ser feliz, sendo simples e natural. Um coração
insensato que comanda o racional sendo louco o suficiente para se apaixonar. Um furioso suicida que vive procurando relações e emoções verdadeiras. Rifa-se um coração que insiste em cometer sempre os mesmos erros. Esse coração que erra, que briga, expõe-se. Perde o juízo por completo em nome de causas e paixões. Sai do sério e, às vezes, revê as suas posições arrependido de palavras e gestos.

Este coração tantas vezes incompreendido. Tantas vezes provocado. Tantas vezes impulsivo. Rifa-se este desequilibrado emocional que, abre sorrisos tão largos que quase dá para engolir as orelhas, mas que também arranca lágrimas e faz murchar o rosto. Um coração para ser alugado, ou mesmo utilizado por quem gosta de emoções fortes. Um órgão abestado indicado apenas para quem quer viver intensamente e, contra indicado para os que apenas pretendem passar pela vida matando o tempo, defendendo-se das emoções.

Rifa-se um coração tão inocente que se mostra sem armaduras e deixa louco o seu usuário. Um coração que quando parar de bater ouvirá o seu usuário dizer para São Pedro na hora da prestação de contas:  O Senhor pode conferir, eu fiz tudo certo, só errei quando coloquei sentimento. Só fiz bobagens e me dei mal quando ouvi este louco coração de criança que insiste em não endurecer e, se recusa a envelhecer.

Rifa-se um coração, ou mesmo troca-se por outro que tenha um pouco mais de juízo. Um órgão mais fiel ao seu usuário. Um amigo do peito que não maltrate tanto o ser que o abriga. Um coração que não seja tão inconsequente. Rifa-se um coração cego, surdo e mudo, mas que incomoda um bocado. Um verdadeiro caçador de aventuras que, ainda não foi adotado, provavelmente, por se recusar a cultivar ares selvagens ou racionais, por não querer perder o estilo. Oferece-se um coração vadio, sem raça, sem pedigree. Um simples coração humano. Um impulsivo membro de comportamento até meio ultrapassado. Um modelo cheio de defeitos que, mesmo estando fora do mercado, faz questão de não se modernizar mas, uma vez por outra, constrange o corpo que o domina.

Um velho coração que convence o seu usuário a publicar os seus segredos e, a ter a petulância de se aventurar como poeta (C.L.).

Quando se ama não é preciso entender o que se passa lá fora, pois tudo passa a acontecer dentro de nós.

(Clarice Lispector)


O TEMPO É POEIRA DE INSTANTES

O sentido e o rumo do futuro estão inscritos no que fazemos agora. No presente. É a nossa intenção que põe ordem no futuro. Fabricamos uma perspectiva em que nós somos o centro (…). Talvez não haja tempo fora dos desejos e das lembranças. Talvez não haja tempo fora das imagens que se sobrepõem aos objectos que as invocam. Talvez seja esta sincronicidade, esta coincidência, que constrói a aparência do tempo e do espaço.

O sentimento do tempo nasce da nossa perspectiva. Talvez um dia possamos saber a operação, o modo, para distinguir planos neste novo tipo de espaço: o tempo (…).  È no espaço o modo natural de representar as sensações. As simultâneas. As vindas de todos os lados do corpo.

É no espaço o modo natural de construir o leito do tempo. Não admira que o espaço e o tempo dependam da velocidade com que neles nos representamos. A essa representação chamamos teoria da relatividade. O curso do tempo é a percepção de diferenças entre sensações que se parecem.

A sua sucessão é a abstracção do movimento no espaço. Quando consciente, torna-se numa intenção. Da intenção, pouco a pouco consciente de si e dos seus efeitos, sairá uma direcção. Com ela a ordem. E com ela a extensão. A fórmula abstracta de representar as mudanças do Universo. Mas foi lá, no nada ou no caos, que a eternidade aconteceu(Convoquem a Alma – F.C.R)

O sentimento do tempo, a duração, não é homogénea. É feita da poeira de instantes. Deve-se a um grupo de instantes que ficam rigidamente ligados pela perspectiva. Pelo traçado da memória humana…

(Fernando Carvalho Rodrigues)


NÓS SOMOS FEITOS DA MATÉRIA DOS SONHOS

Somos as únicas criaturas na face da Terra capazes de mudar a nossa biologia pelo que pensamos e sentimos! As nossas células estão constantemente a bisbilhotar os nossos pensamentos, sendo modificados por eles. Um surto de depressão pode arrasar o seu sistema imunológico; apaixonar-se, ao contrário, pode fortificá-la tremendamente.

A alegria e a realização mantêm-nos saudáveis e prolongam a vida. A recordação de uma situação estressante, que não passa de um fio de pensamento, liberta o mesmo fluxo de hormonas destrutivas que o stresse.

Quem está deprimida por causa da perda de um emprego projecta tristeza por toda parte no corpo – a produção de neurotransmissores por parte do cérebro reduz-se, o nível de hormonas baixa, o ciclo de sono é interrompido, os receptores neuropeptiídicos na superfície externa das células da pele tornam-se distorcidos, as plaquetas sanguíneas ficam mais viscosas e mais propensas a formar coágulos e até as suas lágrimas contêm traços químicos diferentes das lágrimas de alegria.

Todo este perfil bioquímico será drasticamente alterado quando a pessoa encontra uma nova posição. Isto reforça a grande necessidade de usar a nossa consciência para criar os corpos que realmente desejamos. A ansiedade por causa de um exame acaba passando, assim como a depressão por causa de um emprego perdido. O processo de envelhecimento, contudo, tem que ser combatido a cada dia. Shakespeare não estava sendo metafórico quando Próspero disse: Nós somos feitos da mesma matéria dos sonhos.

Quer saber como está o seu corpo hoje? Lembre-se do que pensou ontem! Quer saber como estará seu corpo amanhã? Olhe os seus pensamentos de hoje! Ou você abre o seu coração, ou -um dia- algum cardiologista o fará por si (D.C.).

O que for o seu desejo, assim será a sua vontade. O que for a sua vontade, assim serão os seus actos.O que forem os seus actos, assim será o seu destino.

(Deepak Chopra)


O PODER DOS SABERES CERTOS

Em ti  existe o sortilégio da paixão. O teu olhar guarda promessas de felicidade. Doseias (bem) o segredo de uma energia avassaladora com a serenidade de um espírito em harmonia. Conjugas adorar com desejo e sabes como o fazer. As tuas mãos desenham  movimentos lentos de equilibrio, de posse. Há Sol no teu olhar e fogo sagrado no sorrir incendiário e gratificante. Sabes partilhar felicidade com dedicação; sabes despertar a vida com inesgotável entusiasmo, sabes ouvir e tens o poder  das palavras certas proferidas nos momentos de fugas ou de exuberante optimismo.

Sabes entender o ritmo do destino, sabes libertar-te, soltar-te, na procura de campos livres onde absorves a energia da Natureza; sabes o valor da coragem e do amor. Da sabedoria. Do fascínio. Sabes controlar impulsos e desvarios. Fazes do silêncio um diálogo sublime e inspirador. Tens a força inquebrantável, nascida na mente que te ilumina e partilhas. Quando as tuas mãos me tocam na pele, sinto o bater do teu coração. Cada instante é um milagre. É chama de vida.

Os sonhos têm luz própria, uma luz que não vem de nenhum Sol, de nenhuma Lua, de nenhum foco. Está em toda parte

(Mário Quintana)