OS VOTOS FICARAM NAS PRAIAS

Independentemente de qual dos três maiores partidos iria conseguir obter a maior parte dos votos, a verdade é que nas últimas eleições, a maioria destes ficou mesmo com quem não foi votar. Como já nos parecia que ia ser inevitável e, apesar de nos parecer, ainda assim, deixámos (!) que acontecesse.

Foram votos que ficaram nas praias, nos campos, nos lares, nas cidades, nos horizontes da esperança, perante a comunidade internacional que nos emprestou dinheiro, enquanto nos tenta interpretar, traduzir e retroverter, com a confirmação da indiferença dos Portugueses.

Resta-nos, por isso, declarar justo vencedor o segundo grupo mais votado nas eleições que por ser também um partido, pode agora legitimamente propor ao Presidente, um candidato a Primeiro-ministro. As abstenções não têm candidato, só manifestantes, quase como um parasindicato mas sem doutrina nem objectivo, embora ainda assim achando-se  defensor de uma classe (que a não tem) do seu direito à greve, neste caso à greve do voto.

Isto faz deste parasindicato um poderoso grupo representativo de uma das más reminiscências do Império, essa plácida e inconsequente indiferença que conta com o clima para nos resolver o País: ou porque nos dará algum vento que nos levará a descobrir, por aí, algum outro Continente de especiarias (ainda por inventar) ou porque nos envolverá no nevoeiro de onde sairá esse líder que –finalmente- nos celebrará. Adiante.

Este segundo grupo mais votado dificilmente quer conversar com o terceiro grupo mais votado e vai ter que arranjar forma de construir uma solução de governo com o quarto grupo mais votado, tendo este último, pela sua natureza visceral, potencial para exercer poderosa influência no Primeio- ministro.

Tudo isto resultando num conjunto que tem embebido na fortaleza da estrutura que conseguir construir; os cristais de fractura que, a qualquer momento, podem propagar e partir como vidro frágil, o quadrado em que se espera se tente cerrar agora a solução de governo que se formar.

Esta solução de governo vai ter que compensar em corpo e atitude, a natureza alfa liderante que a bem ou a mal existia e que insistia e que queria. Tenham ou não sido as melhores soluções, isso, que o diga a história, quando este presente (difícil) puder ser um passado de glória, no reinventar do País e do seu Povo.

Esta solução de segundos com quartos, sem terceiros à mistura e que não nasce com a força convergente que os tempos pedem, embora tenha nascido com mérito e a força mínima que era necessária para o arranque, serve ainda o acerto de contas que a contabilidade de Belém tinha em aberto.

Confirma que, independentemente da prática do serafismo político, a luta tântrica e zen, silenciosa e paciente mas, sobretudo, a superior gestão de timming que se conhece ao marido da Primeira Dama, deu todos os frutos que foram sendo plantados, numa prova de que nem todas as batalhas se ganham enfrentando o opositor, mas sim envolvendo-o, anestesiando-o progressivamente, para então o dissolver lentamente, num exercício de extraordinária subtileza.

Enfim, as artes terão sido mais utilizadas para assegurar as ansiedades e as desforras de momento do que para confirmar à comunidade internacional a defesa de um modelo forte e credível que, mais do que ajudar a troika a gerir o tapar do buraco financeiro, possa ser o modelo sócio-económico que nos defenda soluções de crescimento estrutural a dez anos, que é o que não devemos ter porque ninguém (ainda) falou  uma única vez nessas três palavras de todo o nosso futuro como Nação, e que para já só poderemos talvez cantar como Valente se, entretanto, não aprendermos em convergência Nacional, rapidamente, a conjugar primeiro a palavra Modelo, seguido de e, por fim, a palavra Crescimento

Caso contrário, só para percebermos mesmo em que dimensão devemos colocar o que se tem e está ainda a passar, inclusivamente até à definição do novo líder, os Heróis do Mar poderão não conseguir no futuro, cantar a sua Nação Imortal.

Se queres ser feliz amanhã, tenta hoje mesmo
(Liang Tzu)

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6 responses

  1. Helena Fortunato

    gostei muito do comentario e gostaria de saber se e original ou se nao, quem e o autor
    obrigada
    helena fortunato

    Junho 8, 2011 às 9:43 am

  2. Helena, boa tarde. Estando no meu blog o texto é meu. Quando não é dou os respectivos créditos, no final. Ainda bem que gostou. Não deve reunir muitas simpatias mas foi o que senti. Diria, um pouco do muito que senti. Volte sempre.

    Junho 8, 2011 às 4:51 pm

  3. Luis

    Minha Boa Amiga Maria Elvira,
    Infelizmente o português é madraço mas depois queixa-se… Devia não se abster nestas lides eleitorais!
    No entanto algo vai mal nos cadernos eleitorais pois parece que estão desactualizados há algum tempo. Parece, segundo alguns que se preocupam com isso, que há nos Cadernos Eleitorais pessoas que já falecidas em número muito elevado. Segundo eles a Abstenção, se tudo fosse corrigido, teria caido para metade!
    Um beijinho amigo e solidário.

    Junho 8, 2011 às 5:16 pm

    • Amigo Luís
      Lá isso é verdade. Parece que essa lacuna continua a existir nos Cadernos Eleitorais e, obviamente, faz crescer o numero das abstenções (metade, talvez não). Todavia, ela continua a ser imensa, o que chega a ser incompreensível e, creio, define-nos como povo. Precisamos -digo eu- de mudar de mentalidade. Os tempos futuros vão ser mesmo muito difíceis. Um beijinho amigo

      Junho 8, 2011 às 5:45 pm

  4. Querida amiga
    Tantos anos obrigados impedidos de votar livremente, acho que criaram alguma inércia no nosso povo ou, pior ainda, alguma indiferença perante o que se nos impõe em tempos de “crise”! Lamentavelmente, os mesmos que estão, sempre, na primeira fila para criticar quem tenta fazer, apenas exercitando o tão “portuguesito bota abaixo”, quando são chamados a “dizer” o que querem para alterar o tal estado de coisas, preferem “ir à praia” ou qualquer outra coisa, do que exercer o direito-dever cívico!
    Cada vez mais, estamos a tornar-nos um “povo de direitos”, esquecido de “seus deveres”! Na política como em toda a vida em sociedade!
    Apesar disto, há que não perder a esperança: vamos todos mudar, para que Portugal mude, para melhor, claro!
    Beijinho

    Junho 8, 2011 às 9:44 pm

    • Amigo Joaquim
      Como era necessário e gostava tanto que fôssemos capazes de mudar de mentalidade. Gosto tanto de Portugal, Joaquim . Vivi anos fora do nosso País e, por isso, senti a dor inexplicável da saudade. Tive saudades de tudo. Vi nos diversos países a forma como viviam e, por exemplo, no Canadá o conceito de cidadania impressionava. Em Portugal começa a nascer, creio. Não entendo como é possível não se ter ido votar numas eleições de importância vital.

      Estamos a viver uns tempos turbulentos que exigem coesão. No século XVI tanbém eramos pequenos e tinhamos o Atlântico e Espanha como fronteiras e, mesmo assim, metade do mundo foi nosso! Acredito que estarmos e conseguiremos sair da crise apoiados no trabalho, na solidariedade, na inteligência e no amor. É preciso amar Portugal!

      Obrigada por ter passado por aqui. Beijinho

      Junho 8, 2011 às 10:12 pm

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