Archive for Julho, 2011

DOÇURA É A MAESTRIA DOS SENTIDOS

A humildade coloca uma pena a mais nas nossas asas. Esta virtude mostra-nos o caminho mais suave, rápido e seguro para qualquer lugar. Todos se  aproximam e oferecem ajuda àqueles que são humildes. Com humildade os corações  abrem-se e grandes tarefas se tornam fáceis. Uma pessoa humilde tem consciência do seu valor mas não o enaltece.

Doçura é a maestria dos sentidos. Olhos que vêem no fundo das coisas, ouvidos que escutam o coração das coisas, lábios que falam apenas a essência das coisas. Doçura é o resultado de uma longa jornada interior ao âmago da vida e a habilidade de lá permanecer e observar. A doçura procura pelo bem nas coisas, pois no seu coração reside a convicção de que o bem existe em algum lugar em tudo, é só ter paciência para descobri-lo.

 Num mundo melhor, a lei natural é a do amor e numa pessoa melhor, a natureza natural é amorosa. Amor é o princípio que cria e sustenta as relações humanas com dignidade e profundidade. O amor espiritual  eleva-nos ao silêncio e este silêncio tem o poder de unir, orientar e libertar. Quando o amor é aliado à fé, isso cria uma forte fundação para iniciativa e acção. O amor é um catalisador para mudanças, desenvolvimento e conquistas.

Equilíbrio é a habilidade de olhar para a vida a partir de uma perspectiva clara – fazer a coisa certa no momento certo. Uma pessoa equilibrada será capaz de apreciar a beleza e o significado de cada situação seja ela adversa ou favorável. Equilíbrio é a habilidade de aprender com a situação e de prosseguir com sentimentos positivos. É estar sempre alerta, ser totalmente focado, e ter uma visão ampla. Equilíbrio vem do entendimento, humildade e tolerância. O mais elevado estado de equilíbrio é voar livre de tudo e, ainda assim, manter-se firmemente enraizado na realidade do mundo (B.K.)

Verdadeiros seres humanos são aqueles que tratam os seus companheiros com sinceridade, gentileza, tacto, respeito e amor. A pessoa que corporifica tais qualidades torna-se próxima à natureza de Deus. A distância entre a verdade dela e a verdade Dele é, apenas, um pensamento.

(Brahma Kumaris)


NÃO SOMOS POEIRA, SOMOS MAGIA

A intuição sussurra a verdade! Não somos poeira, somos magia! Feche os olhos e siga a sua intuição
(Richard Bach)


NADA ME FALTARÁ

Acho que descobri a política – como amor da cidade e do seu bem – em casa. Nasci numa família  com convicções políticas, com sentido do amor e do serviço de Deus e da Pátria. O meu Avô, Eduardo Pinto da Cunha, adolescente, foi combatente monárquico e depois emigrado, com a família, por causa disso. O meu Pai, Luís, era um patriota que adorava a África portuguesa e aí passava as férias a visitar os filiados do LAG. A minha Mãe, Maria José, lia-nos a mim e às minhas irmãs a
Mensagem de Pessoa, quando eu tinha sete anos. A minha Tia e madrinha, a Tia Mimi, quando a guerra de África começou, ofereceu-se para acompanhar pelos sítios mais recônditos de Angola, em teco-tecos, os jornalistas estrangeiros. Aprendi,
desde cedo, o dever de não ignorar o que via, ouvia e lia.

Aos dezassete anos, no primeiro ano da Faculdade, furei uma greve associativa. Fi-lo mais por rebeldia contra uma ordem imposta arbitrariamente (mesmo que alternativa) que por qualquer outra coisa. Foi por isso que conheci o Jaime e mudámos as nossas vidas, ficando sempre juntos. Fizemos desde então uma família, com os nossos filhos – o Eduardo, a Catarina, a Teresinha – e com os filhos deles. Há quase quarenta anos.

Procurei, procurámos, sempre viver de acordo com os princípios que tinham a ver com valores ditos tradicionais – Deus e a Pátria -, mas tambémcom a justiça e com a solidariedade em que sempre acreditei e acredito. Tenho tentado deles dar testemunho na vida política e no serviço público. Sem transigências, sem abdicações, sem meter no bolso ideias e convicções.

Convicções que partem de uma fé profunda no amor de Cristo, que sempre nos diz – como repetiu João Paulo II – “não tenhais medo”. Graças a Deus nunca tive medo. Nem das fugas, nem dos exílios, nem da perseguição, nem da incerteza. Nem da vida, nem na morte. Suportei as rodas baixas da fortuna, partilhei a humilhação da diáspora dos portugueses de África, conheci o exílio no Brasil e em Espanha.Aprendi a levar a pátria na sola dos sapatos.

Como no salmo, o Senhor foi sempre o meu pastor e por isso nada me faltou -mesmo quando faltava tudo.

Regressada a Portugal, concluí o meu curso e iniciei uma actividade profissional em que procurei sempre servir o Estado e a comunidade com lealdade e com coerência.

Gostei de trabalhar no serviço público, quer em funções de aconselhamento ou assessoria quer como responsável de grandes organizações. Procurei fazer o melhor pelas instituições e pelos que nelas trabalhavam, cuidando dos que por elas eram assistidos. Nunca critérios do sectarismo político moveram ou influenciaram os meus juízos na escolha de colaboradores ou na sua avaliação.

Combatendo ideias e políticas que considerei erradas ou nocivas para o bem comum, sempre respeitei, como pessoas, os seus defensores por convicção, os meus adversários.

A política activa, partidária, também foi importante para mim. Vivi-a com racionalidade, mas também com emoção e até com paixão. Tentei subordiná-la a valores e crenças superiores. E seguir regras éticas também nos meios. Fui deputada, líder parlamentar e vereadora por Lisboa pelo CDS-PP, e depois eleita por duas vezes deputada independente nas listas do PSD.

Também aqui servi o melhor que soube e pude. Bati-me por causas cívicas, umas vitoriosas, outras derrotadas, desde a defesa da unidade do país contra regionalismos centrífugos, até à defesa da vida e dos mais fracos entre os fracos. Foi em nome deles e das causas em que acredito que, além do combate político directo na representação popular, intervim com regularidade na televisão, rádio, jornais, como aqui no DN.

Nas fraquezas e limites da condição humana, tentei travar esse bom combate de que fala o apóstolo Paulo. E guardei a Fé.

Tem sido bom viver estes tempos felizes e difíceis, porque uma vida boa não é uma boa vida. Estou agora num combate mais pessoal, contra um inimigo subtil, silencioso, traiçoeiro. Neste combate conto com a ciência dos homens e com a graça de Deus, Pai de nós todos, para não ter medo. E também com a família e com os amigos. Esperando o pior, mas confiando no melhor. Seja qual for o desfecho, como o Senhor é meu pastor, nada me faltará (M.J.N.P.)

Este texto (brilhante) de Maria José Nogueira Pinto, publicado no Diário de Notícias (escrito uma semana antes de morrer), teve a sua autorização para ser publicado após a sua morte


OS DESILUDIDOS, NÃO SENTEM A VIDA!

Há situações na vida avassaladoras, desmesuradas, que deixam sem palavras; apáticos, deambulando por labirintos sem procuras, sem saídas. Ausentes de si próprios, sem asas, sem fôlego, desiludidos. Há silêncio na boca cerrada que não emite nem sons nem sopro. Há frio nos dias despojados de esperança e de reflexos quando se perdem em patamares de loucura que minam, ganham terreno e podem vitimar.

Os desiludidos da esperança não sentem a vibração da vida, não escutam o barulho dos dias e ficam incapazes de invadir, desafiar, provocar o ritmo que os conduz como prisioneiros quando arrastam grilhetas pelos caminhos do insucesso. Há que lembrar a imperiosa necessidade de trocar as voltas ao destino e ao pensamento. Há que conquistar ânimo, sucesso na luta por todas as vitórias. Há que competir consigo próprio, apelando à sua inteligência, ao seu querer. Queira.

Quando uma criatura humana desperta para um grande sonho e sobre ele lança toda a força de sua Alma, todo o Universo conspira a seu favor

 (Goethe)