A ALEMANHA E A FRANÇA FORA DO EURO POR CINCO ANOS

A Europa, poderá vir a aproveitar a oportunidade que esta crise profunda lhe oferece: definir uma liderança política e económica que implica que os países que trabalham e que poupam e que consomem só o que podem comprar, e que têm um modelo de desenvolvimento que parece ser sustentável a prazo e que tantas vezes nos avisaram, passam a mandar nos outros países que não fazem nada disto, nem demonstram ainda (o que é quase incrível) planos razoáveis para o passarem a fazer e, no processo, entre outras coisas, merecerem a sua independência, com dignidade.

Os modelos políticos da maioria destes países Europeus, indefinidamente inviáveis porque é isso mesmo que são, sobrevivem numa base de compromissos essencialmente clientelistas que são sempre pagos usando o Estado que, utilizado ao limite, tem que deixar de ser (há muito que o deixou de ser) uma pessoa de bem.

No caso de Portugal, quanto mais rapidamente interiorizarmos que vamos até 2020 ou mais, viver 30% abaixo daquilo que percebemos ser hoje a nossa riqueza média merecida, mais fácil se torna a adaptação e a constatação de que, em metade do ano trabalharemos para o Estado e a outra metade para nós e para os nossos, e é se queremos que aos nossos filhos não aconteça o mesmo ou pior.

Neste quadro, ironicamente, é capaz de ser mais fácil para a Europa e para o Euro que, pelo menos a Alemanha e a França saiam do Euro por cinco anos e não Portugal ou a Grécia. O euro desvaloriza, o Marco e o Franco valorizam, as exportações Europeias sobem de forma geral e aquilo que a Alemanha e a França ganham menos em exportações, que poderão diminuir só no caso deles, passam a ganhar pelo encaixe do pagamento das dívidas que o resto da Europa, então, poderá começar a pagar (porque entretanto trabalha e exporta). Este mecanismo é tanto mais fiável quanto mais a Alemanha e a França passarem a mandar nos orçamentos Europeus, deixando pouca margem aos sistemas políticos que, de forma geral compram sempre, mas sempre, sempre mesmo, votos com o nosso próprio dinheiro, ou melhor, com o dinheiro que pedimos emprestado para lhes dar, para eles nos comprarem votos.

Quanto aos países pobres é preciso fazer a diferença entre os que são absolutamente pobres -porque têm um povo pobre e não têm dinheiro como país, e os países que têm um povo pobre mas têm muito dinheiro. Estes são as chamadas economias emergentes que, eventualmente, estão também a lutar por melhor as condições de vida dos seus povos pobres mas, entretanto, têm dinheiro, ou recursos, melhor dizendo, têm O dinheiro e os recursos para realmente intervirem na economia mundial com impacto significativo.

Entre esses temos a 1ª Liga das Economias Emergentes como um Brasil que terá autonomia energética e alimentar (e isto será quase tudo no futuro próximo, não desmerecendo o Carnaval), tendo apenas que lidar com uma pressão social crescente. A Índia, de tão absoluta pobreza que tem, verá o seu crescimento restringido, quase ameaçado até. A Rússia arrisca-se a ser o mais pobre dos emergentes (embora ainda assim com potencial para vir a fazer frente ao resto da Europa e aos EUA). A China voltará em breve (se é que já não está), a experimentar aquilo que ao longo de quatro milénios, sempre a conteve dentro das suas fronteiras, mesmo sendo quase sempre na história, a maior potencia mundial. Desta vez a contracção será mais interessante porque, pela primeira vez, existe um novo factor decisivo: a informação disseminada em tempo real que dotará toda aquela quase única tribo (95% do Chineses são de essencialmente de uma única tribo original) de uma arma que, colectivamente ainda não sabem usar, vão usar mal por cerca de 15 ou 30 anos e lhes vai consumir enormes riquezas, obrigando-os a voltar a olhar para dentro das suas  fronteiras, sendo essa arma a consciencialização colectiva, sobretudo da classe média que, em volume, será (em breve) maior que a população combinada da UE e dos EUA, e tem uma ansiedade quase incontrolável para passar directamente ao modelo ocidental de vida, a todo o custo, mesmo o custo que vão pagar.

Temos outras economias emergentes como a Africa do Sul, o México, a Turquia ou a Indonésia, que definirão novas regiões de influência, não só pelo seu dinheiro e recursos mas, sobretudo, porque saberão ser tampão de problemas estruturais nas suas regiões e, ao contrário do que agora se possa pensar, teremos até 2050, pelo menos, mais 50% de riqueza global do que a muita que hoje já temos, comparada com a que existia no início da Revolução Industrial que deveria ser por aí, 10% do que a que temos hoje. É importante sabê-lo, para termos a escala correcta dos nossos problemas de hoje em que a esperança média de vida já só está abaixo dos 40 anos, em um ou dois dos mais de 150 países do mundo, em que mais de 90% da população de então vivia por padrões hoje considerados de extrema pobreza, em que o conceito de justiça social não tinha praticamente sido inventado, em que não havia o conceito de género porque o mundo era só mesmo de e para os homens em que pior do que não haver luz (que ainda não havia), era não existirem casas de banho; enfim, em que ter esperança poderia ser um desejo secreto mas não um direito fundamental.

Por fim, falo de Obama, fragilizado pela conjuntura economico-financeira, mesmo tendo “comunicado” ter livrado o mundo do Bin Laden mau (os outros são quase todos bons e empreendedores), será oportuno dizer que, provavelmente, ainda terá tempo útil (até às próximas eleições), para provar que, com a estratégia de “soft power” poderá enfrentar com perspicácia e agilidade todos os tigres asiáticos que tem pela frente, usando a força do adversário para o vencer em marcial arte de geoestratégia.

Para fechar, o nosso Portugal. Vamos esperar que, mesmo não estando ainda a ser liderado em direcção a uma aposta para o desenvolvimento sejamos, pelo menos, geridos através da actual conjuntura de falência Nacional, confortavelmente ignorada, desde que, desde que, desde-de-que, um vulcão de inconformismo, idealismo e coragem que se venha a revelar, possa já estar por ai a nascer, incontido e determinado, para nos ajudar a provar que, afinal, saberemos no futuro viver por nós próprios como Nação, à falta dos Templários do século XII, das consequentes Descobertas do XIV, do consequentemente possível exercício contábil da Colonização do 18 ao 20, e da então seguramente consequente gestão intermitente (só porque foi por três vezes ainda assim relativamente espaçadas) da gestão pelo FMI, deste nosso Portugal.

Passam os séculos, os homens,as repúblicas, as paixões; a história faz-se dia por dia, folha a folha; as obras humanas alteram-se, corrompem-se, modificam-se, transformam-se.Toda a superfície civilizada da Terra é um vasto renascer de coisas e idéias

(Machado de Assis)

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