AS FARÓFIAS FLUTUANTES

Gosto de olhar as nuvens. Fascinam-me. Vê-las, é entrar num espaço de deleite onde se é desafiado ao exercício da livre interpretação,  dando evasão  à imaginação, perante a sucessão de imagens onduladas, estilizadas, que fazem da tela azul uma paleta de mensagens, continuamente em movimento e modificação.

 As nuvens são mares por navegar, mundos por decifrar, mensagens por descodificar em imagens esbatidas, raiadas de luz e de surpresa: o rosto que nos fixa; a bailarina elegante que corre pelo espaço deixando um rasto de farrapos, de tule e de magia; o barco imponente, esfumado, que vagueia por cima da nossa cabeça, ao sabor das brisas dos ventos calmos; sereias serenas e deslizantes; mãos em preces; pianistas em pianos translúcidos; lutadores contorcidos em movimentos de ataque nos combates dos quais somos espectadores privilegiados e fascinados. Cada nuvem é um desafio, um ensinamento, uma provocação aos  sentidos. Um acordar de emoções perante os sucessivos quadros de água ou de humidade que adquirem vida nas imagens que continuamente criam.  Passam com a ligeireza de momentos e ficam com a intensidade da nossa imaginação.

Eu sou o sussurro do vento, o calor de seu Sol, a incrível individulidade e a extraordinária perfeicão de todos os flocos de nuvens.

(Neale Donald Walsch)

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