CAMELOT – O REINO DE ARTUR

O deslumbramento foi sentido na infância e, ainda hoje, já para lá das sete décadas, o encanto continua intocável.  O que povoou e povoa longas meditações, o que imagino e saboreio com dúvidas e prazer é o tema do Reino de Camelot . Hoje, como ontem! As mesmas dúvidas e o mesmo deleite. Penso que o rei Artur, sábio e justo, coroado aos 15 anos (mesmo sendo lenda), ao unificar a Inglaterra, ao criar a Távola Redonda, onde unia em sessões especiais 150 nobres Cavaleiros (podendo sentar 1.600), em espaço de verdadeira irmandade, igualdade, regendo-se por um espartano código de conduta, foi um verdadeiro democrata do seu tempo.

A Excalibur, espada mística, de poderes mágicos, que se diz ter sido enterrada numa pedra pelo pai de Artur antes de morrer, é um elemento fascinante, embora particularmente goste bem mais da ideia de Excalibur ter sido atirada para o lago de Avalon e depois ter sido devolvida a Artur pela Dama do Lago. Quando ela ergue o braço e rompe das profundezas com a espada na mão é uma visualização poderosa. Avalon é a ilha sagrada cheia de mistérios, magias, fadas, feiticeiras, onde Artur, ferido, foi curado pela belíssima e maléfica Morgana, sua meia-irmã. Pensa-se que na batalha final contra Lancelot -o seu melhor amigo, forte e corajoso mas que não resistiu à beleza da sua rainha-, Artur foi ferido violentamente e levado para Avalon onde acabou por falecer.

Diz-se que nas escarpas da Cornualha foi edificado o castelo do rei. Ficava a 180 metros de altura e, aí, surgiu o paradisíaco reino de Camelot, belíssimo, calmo, onde Artur, Guinevere viveram juntos 12 anos felizes. Lancelot (o cavaleiro que conquistou o coração de Guinevere), Merlin (o mago com muitos poderes e muitos segredos ) entre outros personagens, deambularam por terras encantadas neste universo imaginário e eterno. E, nesse mundo encantado dizem, ainda hoje, ecoar pelas costas bravias da Cornualha, uma voz forte que diz: Consolai-vos. Ficai seguros que voltarei quando a terra da Bretanha precisar de mim. Simplesmente encantador. Apaixonante. Sempre. O Reino Encantado de Camelot continua a viver comigo e, apesar dos anos, vou sempre descobrindo aqui e ali, pozinhos novos que conseguem avivar o brilho da imaginação.

E, curioso, quando apanho na Portela de Sintra a camioneta para Mafra, antes de chegar a Ondrinhas, do lado esquerdo, fica um monte cheio de meníares e árvores diferentes, com raios de luz projectando-se nas rochas redondas, brilhantes, onde se sentam damas de cabelos longos, entrelaçados com flores, por onde cavaleiros de armaduras de couro e prata, cavalgam a trote. E, há dias, quando os fixo melhor, que os vejo saudarem-me…

A imaginação é mais importante que o conhecimento

(Albert Einstein) 

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