Archive for Janeiro, 2013

AS ESTRADAS DA MEMÓRIAS

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Os moradores do Mundo, que somos todos nós, imbuídos de átomos e poeiras divinas têm, desde sempre, mais dúvidas do que certezas e a procura das respostas às sucessivas e sempre renovadas interrogações é constante. Questões como: Quem sou? Para onde vou? Qual é a minha missão? As perguntas tocam a todos e podem ser um excelente ponto de partida para salutares interiorizações. Hoje, mais do que nunca, através de técnicas de aperfeiçoamento há quem consiga conhecer-se bem ou razoavelmente, mas há também quem se sinta desajustado entre o corpo e o espírito. Viver não é fácil, é preciso saber activar mente e energia. Desvendar códigos e sentir alegria por se estar vivo, como a Natureza gosta!

Sentir alegria por se estar vivo, é poderosa essência capaz de operar verdadeiros milagres. Foi o caso de um soldado americano, vamos chamar-lhe “Tom”, ferido na Primeira Grande Guerra (1914/1918) que aliou a coragem à gratidão por sobreviver Das linhas da frente foi transportado para o hospital provisório na retaguarda das linhas do Castelo Tierry, onde se verificou que tinha sido ferido no lado direito, por detrás da clavícula, atravessando o pulmão, diafragma, vesícula e fígado. Além disso, tinha treze perfurações nos intestinos e seis delas eram duplas. Quando chegou ao hospital estava consciente e, enquanto o preparavam para a operação, Tom, esboçando um sorriso, por certo amarelado, não parava de dizer:

-Estejam calmos. Eu estou bem… estou vivo!

Abriram-lhe o estômago, coseram-lhe as perfurações e, espantosamente, sobreviveu. Ao acordar revelou uma vitalidade surpreendente, de tal maneira que o seu grito de guerra fez eco nas enfermarias:

-Eu estou bem. Estou vivo!

E todos os feridos se sentiram tocados pela forma como ele se agarrava à vida, apesar de ter colapsos, pulso anormal, febres altíssimas, delírios, mas quando recuperava e voltava a estar lúcido, repetia:

-Eu estou bem. Estou vivo!

Dos doze soldados que entraram com ele em estado muito grave, quatro morreram, mas os outros, seguindo o exemplo de Tom, agarraram-se à coragem transmitida pelo companheiro que, subitamente, lhes despertou o intenso desejo de lutar e de continuarem vivos. E, contrariando todos os prognósticos, sobreviveram. Tom não desistiu de lutar, apesar do quadro clínico inicial fazer crer que o desfecho seria fatal. Só que para ele continuar a percorrer a estrada da sua vida não era um desejo débil. Tinha a força gloriosa dos que são gratos por cada segundo das suas existências. Por isso, venceu!

Lembrei-me desta história, muito antiga é certo,ao ler, há tempos, que em França morreu o seu último veterano da Primeira Guerra Mundial (morreram 1,4 milhão de soldados franceses). Chamava-se Lazare Ponicelli. Tinha 110 anos e era de ascendência italiana.

Tive o privilégio de em 1983, creio, ter entrevistado (revista “Mais”) uma das enfermeiras portuguesas que esteve em França a apoiar Corpo Expedicionário Português. Penso que eram quatro (não tenho aqui a revista) e elas, foram, sem dúvida, as pioneiras mulheres portuguesas na guerra. Era uma senhora bastante idosa, de olhar sereno mas um pouco perdido, talvez, no horizonte das suas recordações. Entrevistei-a num lar, na zona de Campo de Ourique. O seu quarto, num primeiro andar, era uma espécie de montra de memórias. Havia muitas fotos. Ao longo do diálogo -revelou muita lucidez-, não disfarçou o orgulho por ter pertencido a um restrito grupo feminino que cumpriu a missão, ao lado dos soldados do seu País. Não posso afirmar, não me lembro, mas julgo que nunca chegou a receber qualquer condecoração por parte do Governo português.

No sangrento e vasto campo de batalha sucumbiram mais de nove milhões de soldados (de diferentes países). Quase dez mil portugueses mortos e milhares de feridos, colocados na Frente Ocidental, na Flandres (França). O Corpo Expedicionário Português (comandadas pelo general Gomes da Costa), participou na decisiva batalha de La Lys, uma das mais sangrentas travadas neste conflito, num período negro da História Mundial (iniciado a 28 de Julho de 1914). As tropas alemãs (com 50 mil homens) venceram, em sete horas, os militares portugueses num desaire verdadeiramente dramático. A 11de Novembro de 1918 foi assinado o Armistício que pôs fim ao conflito.

Passaram-se noventa e cinco anos e o Mundo, hoje, tal como há nove décadas atrás, continua vulnerável às ameaças quem vêm dos confins da existência: os humanos continuam a poder ser destruídos pela fome, pela guerra. Os perigos não desapareceram. É necessário que também exista a coragem e a gratidão que Tom, em 1914, demonstrou ter quando, mais morto do que vivo, decidiu agarrar-se à vida. (Maria Elvira Bento) (Foto: Jorel)

Assim como as pedras preciosas são tiradas da terra, a virtude surge dos bons actos e a sabedoria nasce da mente pura e tranqüila. Para se andar com segurança, nos labirintos da vida humana, é necessário que se tenham como guias a luz da sabedoria e virtude

 (Sakyamuni)


ESTAMOS NO MUNDO COM FIBRA DE EMBAIXADORES

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Há tempos, na RTP-2, assisti a um excelente documentário da BBC onde, pela magia dos efeitos especiais, se viu a colisão, verificada há milhões de anos, de um enorme meteorito com o Planeta Azul (o nosso), a Terra. O estrago foi imenso e dessa colisão os cientistas pensam que se verificou, entre muitas outras coisas, o desaparecimento dos dinossauros. As consequências foram terríveis, as alterações em turbilhão e, no momento do impacto, a Terra podia ter-se fragmentado no Espaço se não fosse a inesperada energia regenerativa do Planeta que teve a capacidade de, no momento exacto, reagir, modificar-se, adaptar-se às novas realidades e vencer a ameaça de extinção.

Há milhões de anos que a Natureza, ou qualquer outra denominação que seja mais correcta, tem tomado conta desta bola azul que se move, impressionantemente, numa sincronia de milésimos de segundos perfeitos, eficazes e seguros nesta galvanizante valsa dos astros. Surgiram, surgem (cada vez com mais frequência – a Terra está doente), e surgirão para bem da população terrena, ciclicamente, verdadeiros acertos, reajustamentos, em forma de terramotos, maremotos, tornados, furações, tsunamis, catástrofes que vencem (matam) mas,. ajudam!

Viver, é estar no percurso da existência terrena e nestes acertos há, fatalmente, aqueles que são sacrificados para que a vida na Terra continue. Não é justo (não é mesmo), mas é assim! É que depois das catástrofes nada fica igual. Mudam-se cidades, constroem-se outras novas, reúnem-se forças, unem-se ideias e capacidades e dá-se início a modificações radicais e necessárias. Depois de uma crise floresce a renovação. Não estou a fazer a apologia do caos, cuidado. Estou, apenas, a constatar algo que os séculos que encarregaram de confirmar.

Qual a atitude correcta que devemos ter perante a actual crise financeira que estamos a viver (como vírus informático a multiplicar-se. A Europa foi a grande atingida) a maior, pensam os analistas, desde a Depressão de 1929? Sejam quais forem as mentes brilhantes que trabalhem em conjunto ou isoladamente nada pode ser vencido se não se contiver o pânico Esta difícil situação não surgiu de um dia para o outro como em 1929, a ganância financeira, a má gestão bancária e a dinâmica de Wall Street fizeram do mundo um baralho de cartas e, num sopro, fizeram-nas cair.

A Europa tremeu (é justo lembrar que faltou e continua a faltar boa, forte, liderança europeia), o Euro entrou no rodopio do fica, não fica, cai, não cai. A Islândia, Irlanda, Grécia, Espanha, Portugal, Itália entraram em alerta vermelho. A França apesar de estar (como sempre) muito bem posicionada com o eixo alemão sentiu também oscilação e os ingleses (que nunca morreram de amores pela Europa -fala-se já num próximo referendo para saber se ficam ou não- acompanharam, à sua maneira, o que se passava entre a Alemanha e a instabilidade a partir da Grécia que passou a ser um problema e uma ameaça.

A situação agudizou-se e, demasiado lentamente as soluções, a ajuda, não surgiu. Os países da Europa do Sul ficaram fragilizados, os erros sucederam-se e as medidas espartanas da “troika” deixaram países em total desespero (Grécia e Portugal, principalmente). A austeridade passou a ser a dura realidade e fazer parte dos dias deprimidos dos portugueses que ainda hoje não sabem como vão conseguir sair da situação. A pobreza cresce, o desemprego cresce, o suicídio cresce, a doença cresce e a esperança desapareceu.

 Mas esta crise financeira, tal como o meteorito que há milhões de anos atingiu a Terra e a obrigou a adaptar-se às novas realidades, virou tudo do avesso, fez estragos: mais desemprego, grandes dificuldades, pobres ficaram ricos, ricos ficaram pobres, nada ficou como dantes! As mentalidades começaram a modificar-se e Portugal, que há anos viveu acima das suas possibilidades, aprendeu que tem mesmo de alterar hábitos.

É que Portugal além desta crise que nos deixa lívidos, ataca todos e tem em cima dos ombros outras igualmente alarmantes: a desertificação das grandes cidades (Lisboa é uma delas) e das pequenas vilas e lugarejos, de Norte a Sul do País, que deviam ter vida palpitante. Ergam-se os edifícios que caem e transformem-nos em hotéis (somos um país de turismo), retiros, centros de arte, florais, artesanato. Somos um país envelhecido (os idosos tem sido mal amados pelo círculo político e muitos deles, sós, doentes, passando por fortes dificuldades, morrem no silêncio das solidões que ninguém quis partilhar).Faltam crianças para o amanhã português! É alarmante.

Peguem em Portugal, enfrentem os tempos novos, regressem (os que puderem) às aldeias esquecidas: pintem-nas, estimem-nas, tornem-nas lindas! Façam-nas renascer do abandono. Você, pode! Pode transmitir entusiasmo, dinamismo e união para que os lugares que só têm vitalidade nas férias dos nossos emigrantes, permaneçam todo o ano, exuberantes, produtivos e saibam cativar visitantes. Nacionais e estrangeiros

Aposte-se, defenda-se, lute-se pela Educação (o pilar de uma nação). Criem-se escolas de música. Aposte-se em bons ginásios. Renovem a tradição dos preciosos coretos para unir as pessoas e readquira-se o hábito dos concertos aos domingos. Cultura e convivência. Há que partir para novos projectos com determinação, apoiados em ideias novas e desafiadoras. Temos bons (excelentes) cientistas, médicos que ombreiam com os melhores em qualquer latitude. Temos uma Unidade de Transplantes de Fígado que está na primeira linha mundial. Temos cirurgiões que nos hospitais do Estado ou particulares que fazem maravilhas e milagres.

Estamos na NASA, na Agência Espacial Europeia. Damos cartas em Tóquio, em África, na Austrália, no Dubai, e até estamos na Casa Branca com duas presenças (não é o Bo). Estamos nas melhores Universidades. Estamos no Mundo com a fibra de embaixadores. Temos bons estilistas, bons peritos em informática, bons empresários, bons desportistas (melhor árbitro, melhor jogador, melhor treinador, fora o resto). Os sapatos portugueses conquistam o mundo! Os tecidos, também! O nosso azeite é dos melhores do Globo. Temos excelentes vinhos (Porto, Madeira, tintos preciosos e excelentes brancos).Bons queijos, uma gastronomia de luxo. Até os pastéis de nata são disputados, no estrangeiro, a peso de ouro.

Temos a cortiça (somos o maior produtor mundial),tanta coisa boa! Temos bom clima. Temos um litoral privilegiado, paradisíaco, que nos permite captar energias do mar (somos já o primeiro país no mundo a ter um parque para captação da energia das ondas), do Sol, do vento Temos as maiores ondas do mundo, Nazaré. Temos a luz divinal de Lisboa. Temos tanta realidade boa. Não percamos a fibra de lutadores. Façamos a nossa parte e o Governo que faça a dele sem nos “matar” primeiro.

Que os emigrantes espalhados pelo mundo nos ajudem dando-nos as mãos para sermos a família portuguesa unida nos cinco cantos do Planeta. É nas crises que surgem as transformações. Comece por si. Ajude-se a si próprio e o Universo fará o resto.

Pensando friamente os analistas sabem que o mundo do dinheiro tem crises cíclicas, uns dizem de 20 em 20 anos, outros de 30 em 30, outros de nove em nove. É um dado adquirido. Esta não é a primeira desde 29, não. Já existiram muitas outras antes desta (agora percebo melhor a afirmação da actriz norte-americana Susan Sarandon quando esteve em Lisboa -adorou Sintra- onde participou no Festival de Cinema Digital Lisbon Village) quando disse: “todo o mundo devia votar nas eleições presidenciais americanas. Afinal, nós interferimos tanto nos vossos países” (aí, lembrei-me que a crise actual nasceu na América). (Maria Elvira Bento)

A causa da derrota não se encontra no obstáculo ou no rigor das circunstâncias; está no retrocesso na determinação e na desistência da própria pessoa. Se falasse em dificuldades, tudo realmente era difícil Se falasse em impossibilidades, tudo realmente era impossível Quando o ser humano regride em sua decisão os problemas que se erguem em sua frente acabam parecendo maiores e confundem-no como uma realidade imutável A derrota encontra-se exatamente nisso.

(Daisaku Ikeda)


QUERES SER COMANDO? QUERO

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Queres ser Comando?

-Quero!

Então vai e cumpre o teu dever

E ele cumpriu. Foi um militar brilhante que nunca abandonou os seus homens nem nunca abdicou dos seus ideais. O espirito de sacrifício, a disciplina, o saber, fizeram dele uma referência. Entrou para a Escola do Exército em 1953 e fez cinco missões de serviço em África e na Índia. Participou no 25 de Abril e liderou (em Novembro de 75) a intervenção dos Comandos ao quartel da Ajuda (Lisboa), onde obteve a rendição das chefias da Polícia Militar. Defendeu a Democracia como se fosse uma fortaleza indestrutível e soube defender a ameaça que desafiava as conquistas da Revolução dos Cravos.Defendeu a Liberdade como muito poucos. Em 95, foi condecorado pelo Presidente da República (Mário Soares) com a medalha de Grande-Oficial com Palma, da Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito. Na reserva (desde 1981), era um dos mais medalhados Comandos do Exército. Nunca deixou de ser admirado pelos seus homens e contestado pelos opositores. Morreu, hoje, o Major-General Jaime Neves. Mama Sume (Maria Elvira Bento)

http://www.youtube.com/watch?v=24TaTGljBAE

 

Aquele que conhece os outros é sábio, aquele que conhece a si próprio é iluminado

(Lao-Tsé)


PARABÉNS JOSÉ MOURINHO

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Hoje, todos dão os parabéns a José Mourinho. Desde o Porto, ao Inter, passando pelo Real Madrid e, sabe-se lá que resto do mundo o fará. Não vai adiantar nada já que ele nunca saberá que eu lhe quero dizer: Parabéns! Feliz Aniversário. Mas que importa isso se eu sinto alegria em fazê-lo? Parabéns Mou. Continue a conquistar o Mundo, sempre com Portugal no coração. Não quer ser meu amigo no FB? Tchim Tchim…À sua (Maria Elvira Bento)

O futuro pertence àqueles que acreditam na beleza de seus sonhos
(Elleanor Roosevelt)


ALI, ONDE NASCEM OS DEUSES

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Mexem nos meus sonhos sempre que soam ecos de conflitos no Tibete. Há anos que fujo espiritualmente para Lhassa (Lugar dos deuses), um santuário onde as feridas da vida saram, na tranquilidade dos lugares de silêncios profundos,nos cumes das serenidades e dos deuses. Os deuses nascem ali! No tecto do Mundo (encravado nas encostas dos Himalaias, entre a China e a Índia), para contemplarem a sublimação da existência humana que deveria ser esclarecida e gratificante.

Não sou budista (400 milhões de seguidores no mundo inteiro), mas aprecio a serenidade que essa filosofia de vida irradia e, sem nunca ter posto um pé no Tibete e, consequentemente, no Palácio Potala, o Branco e o Vermelho (declarado pelaUNESCO, em 1994, Património Cultural da Humanidade), majestoso no cimo da Montanha Vermelha, a roçar as nuvens, nos seus 3.700 metros acima do nível do mar, sinto conhecer-lhe cantos, recantos, paredes, escadarias, patamares, muros, paisagens, janelas. Tantos foram os filmes que vi, os artigos, os vídeos que colecciono.

O povo tibetano há 100 anos que sente a supremacia chinesa no seu território eo Dalai-Lama (quer dizer Oceano de Sabedoria), Prémio Nobel da Paz, em 1989, está exilado há 52 anos na Índia. Deixou Lhassa a 17 de Março de 1959 e, nos últimos anos, crê-se, que tem tido conversas informais com as autoridades chinesas na procura de solução para o conflito, embora a China o indique publicamente como instigador das rebeliões. As divergências, as lutas, as revoltas no Tibete e as sistemáticas ocupações por parte da China têm sido, uma constante. É pena. Lá, onde nascem os deuses, a Paz deveria ser tão pura como o ar que ali se respira (Maria Elvira Bento) 

A esperança é um sonho que caminha
(Aristóteles)