A GRATIDÃO DA ÁUSTRIA

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Ontem (24.01.2013), no Centro Cultural de Belém, concretizou-se um acordo entre o presidente da Cáritas Portuguesa, Eugénio Fonseca e Bemd Wachter, secretário-geral da Cáritas austríaca, que veio libertar uma nuvem de esperança na humanidade dos homens que têm por  missão tomar importantes decisões, em sectores diversos da sociedade. Foi um acto bonito. Muito bonito. Tocante. Soube bem saber que tal acto era verdade, que tinha ultrapassado o campo ilusório no imaginário humano e que a gratidão existe mesmo que passados 67 anos.

Na II Guerra Mundial -1939/1945- Portugal recebeu da Áustria, país na altura em dificuldades, 5500 crianças que ficaram em casas de famílias portuguesas onde, com carinho e cuidados, suavizaram as más lembranças que, por certo, os acontecimentos da época tinham deixado marcas naquelas crianças, geralmente muito tímidas e, na harmonia dessas famílias, conseguiram encontrar o conforto que as saudades dos familiares distantes lhes causava.

Agora que Portugal está em crise a Áustria, querendo retribuir o gesto para com as suas crianças na II Grande Guerra e, retribuindo a solidariedade recebida, enviará ajuda para as crianças portuguesas carenciadas. São atitudes como esta que (ainda) nos conseguem fazer sentir esperança no futuro. A nobreza dos sentimentos humanos engrandece as acções.

Conheci várias meninas austríacas recebidas em casa de famílias, em Abrantes. Algumas viviam perto de mim e encontrava-as frequentemente. Eu tinha na altura seis anos e recordo como sentia que elas eram diferentes, achava-as lindas e muito bem vestidas. Não entendia o drama das suas vidas, mas vi-as junto a pessoas que conhecia e olhava-as de alto a baixo. Os sapatos e os casacos ficaram-me na memória. Na missa de domingo juntavam-se com os seus elegantes casacos (os tais) e boinas, tapando os bonitos caracóis. Eram quase todas louras, de olhos azuis. Um pouco tristes, pensava. Mais tarde percebi o porquê. (Maria Elvira Bento)

Os nossos pensamentos reflectem-se na realidade do mundo. As nossas emoções podem alterar situações, somos uma continuação do Universo e o que se passa nele, seja onde for, toca-nos. Tal como nós lhe tocamos.

(Maria Elvira Bento)

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One response

  1. Eu tenho uma amiga que recolheu uma dessas crianças em sua casa.
    É bom não esquecer nada do passado para perceber melhor
    o presente.
    Bj.
    Irene Alves

    Janeiro 26, 2013 às 9:20 pm

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