ESTAMOS NO MUNDO COM FIBRA DE EMBAIXADORES

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Há tempos, na RTP-2, assisti a um excelente documentário da BBC onde, pela magia dos efeitos especiais, se viu a colisão, verificada há milhões de anos, de um enorme meteorito com o Planeta Azul (o nosso), a Terra. O estrago foi imenso e dessa colisão os cientistas pensam que se verificou, entre muitas outras coisas, o desaparecimento dos dinossauros. As consequências foram terríveis, as alterações em turbilhão e, no momento do impacto, a Terra podia ter-se fragmentado no Espaço se não fosse a inesperada energia regenerativa do Planeta que teve a capacidade de, no momento exacto, reagir, modificar-se, adaptar-se às novas realidades e vencer a ameaça de extinção.

Há milhões de anos que a Natureza, ou qualquer outra denominação que seja mais correcta, tem tomado conta desta bola azul que se move, impressionantemente, numa sincronia de milésimos de segundos perfeitos, eficazes e seguros nesta galvanizante valsa dos astros. Surgiram, surgem (cada vez com mais frequência – a Terra está doente), e surgirão para bem da população terrena, ciclicamente, verdadeiros acertos, reajustamentos, em forma de terramotos, maremotos, tornados, furações, tsunamis, catástrofes que vencem (matam) mas,. ajudam!

Viver, é estar no percurso da existência terrena e nestes acertos há, fatalmente, aqueles que são sacrificados para que a vida na Terra continue. Não é justo (não é mesmo), mas é assim! É que depois das catástrofes nada fica igual. Mudam-se cidades, constroem-se outras novas, reúnem-se forças, unem-se ideias e capacidades e dá-se início a modificações radicais e necessárias. Depois de uma crise floresce a renovação. Não estou a fazer a apologia do caos, cuidado. Estou, apenas, a constatar algo que os séculos que encarregaram de confirmar.

Qual a atitude correcta que devemos ter perante a actual crise financeira que estamos a viver (como vírus informático a multiplicar-se. A Europa foi a grande atingida) a maior, pensam os analistas, desde a Depressão de 1929? Sejam quais forem as mentes brilhantes que trabalhem em conjunto ou isoladamente nada pode ser vencido se não se contiver o pânico Esta difícil situação não surgiu de um dia para o outro como em 1929, a ganância financeira, a má gestão bancária e a dinâmica de Wall Street fizeram do mundo um baralho de cartas e, num sopro, fizeram-nas cair.

A Europa tremeu (é justo lembrar que faltou e continua a faltar boa, forte, liderança europeia), o Euro entrou no rodopio do fica, não fica, cai, não cai. A Islândia, Irlanda, Grécia, Espanha, Portugal, Itália entraram em alerta vermelho. A França apesar de estar (como sempre) muito bem posicionada com o eixo alemão sentiu também oscilação e os ingleses (que nunca morreram de amores pela Europa -fala-se já num próximo referendo para saber se ficam ou não- acompanharam, à sua maneira, o que se passava entre a Alemanha e a instabilidade a partir da Grécia que passou a ser um problema e uma ameaça.

A situação agudizou-se e, demasiado lentamente as soluções, a ajuda, não surgiu. Os países da Europa do Sul ficaram fragilizados, os erros sucederam-se e as medidas espartanas da “troika” deixaram países em total desespero (Grécia e Portugal, principalmente). A austeridade passou a ser a dura realidade e fazer parte dos dias deprimidos dos portugueses que ainda hoje não sabem como vão conseguir sair da situação. A pobreza cresce, o desemprego cresce, o suicídio cresce, a doença cresce e a esperança desapareceu.

 Mas esta crise financeira, tal como o meteorito que há milhões de anos atingiu a Terra e a obrigou a adaptar-se às novas realidades, virou tudo do avesso, fez estragos: mais desemprego, grandes dificuldades, pobres ficaram ricos, ricos ficaram pobres, nada ficou como dantes! As mentalidades começaram a modificar-se e Portugal, que há anos viveu acima das suas possibilidades, aprendeu que tem mesmo de alterar hábitos.

É que Portugal além desta crise que nos deixa lívidos, ataca todos e tem em cima dos ombros outras igualmente alarmantes: a desertificação das grandes cidades (Lisboa é uma delas) e das pequenas vilas e lugarejos, de Norte a Sul do País, que deviam ter vida palpitante. Ergam-se os edifícios que caem e transformem-nos em hotéis (somos um país de turismo), retiros, centros de arte, florais, artesanato. Somos um país envelhecido (os idosos tem sido mal amados pelo círculo político e muitos deles, sós, doentes, passando por fortes dificuldades, morrem no silêncio das solidões que ninguém quis partilhar).Faltam crianças para o amanhã português! É alarmante.

Peguem em Portugal, enfrentem os tempos novos, regressem (os que puderem) às aldeias esquecidas: pintem-nas, estimem-nas, tornem-nas lindas! Façam-nas renascer do abandono. Você, pode! Pode transmitir entusiasmo, dinamismo e união para que os lugares que só têm vitalidade nas férias dos nossos emigrantes, permaneçam todo o ano, exuberantes, produtivos e saibam cativar visitantes. Nacionais e estrangeiros

Aposte-se, defenda-se, lute-se pela Educação (o pilar de uma nação). Criem-se escolas de música. Aposte-se em bons ginásios. Renovem a tradição dos preciosos coretos para unir as pessoas e readquira-se o hábito dos concertos aos domingos. Cultura e convivência. Há que partir para novos projectos com determinação, apoiados em ideias novas e desafiadoras. Temos bons (excelentes) cientistas, médicos que ombreiam com os melhores em qualquer latitude. Temos uma Unidade de Transplantes de Fígado que está na primeira linha mundial. Temos cirurgiões que nos hospitais do Estado ou particulares que fazem maravilhas e milagres.

Estamos na NASA, na Agência Espacial Europeia. Damos cartas em Tóquio, em África, na Austrália, no Dubai, e até estamos na Casa Branca com duas presenças (não é o Bo). Estamos nas melhores Universidades. Estamos no Mundo com a fibra de embaixadores. Temos bons estilistas, bons peritos em informática, bons empresários, bons desportistas (melhor árbitro, melhor jogador, melhor treinador, fora o resto). Os sapatos portugueses conquistam o mundo! Os tecidos, também! O nosso azeite é dos melhores do Globo. Temos excelentes vinhos (Porto, Madeira, tintos preciosos e excelentes brancos).Bons queijos, uma gastronomia de luxo. Até os pastéis de nata são disputados, no estrangeiro, a peso de ouro.

Temos a cortiça (somos o maior produtor mundial),tanta coisa boa! Temos bom clima. Temos um litoral privilegiado, paradisíaco, que nos permite captar energias do mar (somos já o primeiro país no mundo a ter um parque para captação da energia das ondas), do Sol, do vento Temos as maiores ondas do mundo, Nazaré. Temos a luz divinal de Lisboa. Temos tanta realidade boa. Não percamos a fibra de lutadores. Façamos a nossa parte e o Governo que faça a dele sem nos “matar” primeiro.

Que os emigrantes espalhados pelo mundo nos ajudem dando-nos as mãos para sermos a família portuguesa unida nos cinco cantos do Planeta. É nas crises que surgem as transformações. Comece por si. Ajude-se a si próprio e o Universo fará o resto.

Pensando friamente os analistas sabem que o mundo do dinheiro tem crises cíclicas, uns dizem de 20 em 20 anos, outros de 30 em 30, outros de nove em nove. É um dado adquirido. Esta não é a primeira desde 29, não. Já existiram muitas outras antes desta (agora percebo melhor a afirmação da actriz norte-americana Susan Sarandon quando esteve em Lisboa -adorou Sintra- onde participou no Festival de Cinema Digital Lisbon Village) quando disse: “todo o mundo devia votar nas eleições presidenciais americanas. Afinal, nós interferimos tanto nos vossos países” (aí, lembrei-me que a crise actual nasceu na América). (Maria Elvira Bento)

A causa da derrota não se encontra no obstáculo ou no rigor das circunstâncias; está no retrocesso na determinação e na desistência da própria pessoa. Se falasse em dificuldades, tudo realmente era difícil Se falasse em impossibilidades, tudo realmente era impossível Quando o ser humano regride em sua decisão os problemas que se erguem em sua frente acabam parecendo maiores e confundem-no como uma realidade imutável A derrota encontra-se exatamente nisso.

(Daisaku Ikeda)

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