O HÉLIO DA ESPERANÇA

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(…) Juntos, tinham passado por muitas alegrias e por enormes perigos. Veio-lhe à memória o dia em que a salvou, quando a arrastou para uns arbustos no meio de um combate nas matas do Luso, debaixo de fogo cruzado. Ou quando a teve nos braços, desmaiada, a esvair-se em sangue, após ter sido alvejada com um tiro que a atingiu na zona abdominal. Ao recordar, voltou a sofrer a mesma amargura pela espera do hélio de evacuação que tardou aflitivamente a chegar. Além da jornalista, havia mais feridos: um alferes atingido pelos fragmentos de uma granada (o rosto era uma massa disforme), dois soldados, um deles com queimaduras extensas nas mãos. Catarina, inerte nos seus braços, indefesa, enquanto o combate continuava, estava protegida pelo cumprimento das medida de segurança a ter para com jornalistas em zona de combate.

Com a chegada do hélio o capitão deitou-a, inconsciente, e ajudou a apertar as tiras da maca. Do bolso do camuflado da jornalista caíram duas cassetes que o capitão Fernandes guardou. Ajudou, ainda, na entrada dos outros feridos, e, finalmente, exausto, bateu com a mão na fuselagem como que dizendo: partam depressa há vidas em perigo, fujam daqui. Ficou a olhar o hélio que desaparecia sem incidentes. Cá em baixo, no inferno do fogo cruzado, sentiu uma inesperada tranquilidade e uma profunda angústia (…) (Maria Elvira Bento)

Não é a força, mas a constância dos bons sentimentos que conduz os homens à felicidade
(Friedrich Nietzsche)

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