HÁ UMA ANSIEDADE QUE DESINQUIETA

Paris, France: A model presents a creation by Iris Van Herpen

Está gélido o ar do tempo. Os corpos estão frios e os olhos lacrimejantes não amansam no sibilar da aragem com voz de neve. Não há calor envolvente que nos sopre murmúrios gentis aos ouvidos, e as lembranças mimosas que adoçam o coração congelam na invernia de um tempo cortante que não apetece abraçar. Não há ilusão que resista ao tiritar incontrolável que nos tolhe as palavras e oferece silêncios nesta temperatura sem encanto e sem brandura.

Continua gélido o ar do tempo que toma formas quando falamos, que saem do peito contraído ao ritmo de cada respiração. Gostava de vencer este cinzento húmido de uma Primavera sem brilho. Sem envolvência. Há uma ansiedade que desinquieta, há uma necessidade de procurar calor que provoque vertigem e que leve ao entusiasmo. Há demasiada quietude melancólica, fria, trémula, desconfortável e eu com tanta coisa para dizer. Vou embrulhar as palavras para que elas não empalideçam com o frio. Não congelem. Vou arrumá-las em ti. (Maria Elvira Bento)

 

Estou aqui não porque deva estar, nem porque me sinto cativo nesta situação, mas porque prefiro estar contigo a estar em qualquer outro lugar no mundo

(Richard Bach)

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