Archive for Abril, 2013

EM CADA EMIGRANTE PORTUGUÊS ESTÁ A FORÇA DE PORTUGAL

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Ser-se emigrante português é sentir-se, no local onde se reside, em cada esquina do dia, o reflexo do Portugal distante. É sofrer saudades que emudecem afectos e confundem sentimentos. É um “até sempre” permanente que renova de vigor a cada descoberta que os transporta de imediato para a Pátria que lhes alimenta o sonho e lhes agudiza o presente. É um estar lá, estando aqui. É um ficar, gostando de partir. É um conversar solitário por entre idiomas que nem sempre se domina. É um não ter mas dar, reviver, partilhar, memórias, usos, hábitos, costumes. São, generosamente, os embaixadores itinerantes da Cultura Lusa.

Cada emigrante português guarda uma história para contar, guarda lágrimas vertidas em surdina e solidão quando agarram no tempo -para que a memória não se desvaneça- e alimentam  raízes, mantendo-as viçosas no passar dos anos, não se perdendo as histórias das suas vivências. Narrativas de memórias rodopiantes como um carrossel colorido, girando, esvoaçando, com pedaços de vida que abraçarão futuras gerações. Há emigrantes assim, permanentemente com Portugal no coração e há, também, os emigrantes que em terras distantes conhecendo outras realidades optem por ficar no país estranho que os acolheu e não voltam, não decidem regressar.

Podem até optar definitivamente por outras nacionalidades e deixar esbater o idioma do seu País mas, mesmo assim, no fundo, se libertarem a voz da Alma, ela comunicará em português. Cada emigrante distante, é a força de Portugal. E será deles que, mais cedo ou mais tarde, de todos os Continentes, chegará a ajuda, o voto de presença, de confiança, no País distante que será sempre o seu País que necessita de ter nas suas fileiras a força, a modernidade, a abertura de espirito, a coesão dos eternos e generosos Embaixadores de Portugal no Mundo. (Maria Elvira Bento) 

A grandeza das acções humanas mede-se pela inspiração que as faz nascer

(Pasteur)


O TANGO ROMÂNTICO E SENSUAL

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 Ainda hoje prevalecem dúvidas em relação ao local e data em que o tango nasceu para o mundo. Uns dizem que foi em África, o Uruguai reclama paternidade mas, sem dúvida, é a Argentina (e o seu povo) que o respira, durante as 24 horas, pelos poros. É visceral. Oficialmente esta dança sensual, erótica, nasceu nos fins do século XIX. Em 1910 partiu para Paris e deixou a Cidade Luz absolutamente louca, deslumbrada, rendida a tanta sensualidade. Em 1913… foi proibida pela Igreja. Em 1928 Carlos Gardel deixava o mundo a suspirar com as interpretações das quentes melodias que tocavam corações (levou-as para Hollywood) e, apesar de ter morrido há muito tempo (1935), os argentinos dizem que ele está cada vez a cantar melhor. É amor indelével. Autêntico.!

Em 1950 Astor Piazzolla entra no tango e, mantendo-lhe as raízes, altera-lhe o brilhantismo e, magistralmente, eleva-o harmoniosa e revolucionariamente a níveis de total rendição. O mundo fascina-se com Pizzolla. Harmoniosamente ainda hoje a sua herança dá ao tango, novas harmonias, arranjos audaciosos e revolucionários. Engrandeceu-o, quase o endeusou E quando dois corpos se unem, em qualquer local do Planeta, em passos marcados pelo arrebatamento ao som de um qualquer tango, acontece magia. Intimida. É quase pecado. Arrepia. Faz suspirar. (Maria Elvira Bento)

A música é a linguagem universal da humanidade
(Longfellow)


LISBOA, O SEU NOVO AMOR

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 É preciso pegar em Lisboa, mansamente, assim como quando se olha um riacho límpido e cantante e ficarmos assim, parados, dengosos até, a contemplar um braço bonito da Natureza. Lisboa é moura encantada que gosta de carinho. É preciso, a certas horas do dia, agarrarmo-nos bem a uma mesa, uma janela, uma árvore, pois ao olhar-se o firmamento, mesclado de tonalidades tão luminosas, de luz tão diáfana, tão absorvente, podemos correr o risco de levitar (b…em-vindo a esta luz). A força do encantamento tira-nos o peso dos pés. Ficamos soltos ao sabor da leveza da emoção. É preciso ter a coragem de ir ao Terreiro de Paço e, primeiro, olhar o Tejo. Delicie-se com a imensidão e nobreza de um rio que ultrapassa fronteira e, aos pés da escadaria alfacinha (por onde já passaram famosos do mundo inteiro), e das colunas poderosas e elegantes que abrem os braços, numa relação assumida e ardente.

Depois, olhar para a direita, em seguida para a esquerda. Não se esqueça de respirar perante a beleza e harmonia de uma arquitectura majestosa que ladeia o espaço onde a cor amarela aviva e agita a estonteante descoberta. Agora vire-se de frente, para o sublime Arco da Rua Augusta. Que tal? Se não tiver desmaiado por ter absorvido tanta beleza junta e imponente quase a tocar sua mão e dentro do seu olhar, parabéns, tem emoções tremendas mas suporta o impacto. É preciso saber olhar para o Castelo de São Jorge e do Castelo de São Jorge. É grandioso, chega mesmo a ser avassalador o tapete de cores que alcançamos. Perca-se nos miradouros, corra no Parque Eduardo VII, sinta-se feliz. Deite-se nesse espaço relvado e, se for de noite, veja bem como as estrelas o olham sofisticadamente. Têm um tal brilho, têm um tal descaramento que, imagine, parece que dançam sedutoramente para si.

Conheça Lisboa apalaçada, conheça as ruelas dos bairros, vá às tasquinhas, aguente o impacto frente ao Monumento das Descobertas que assinala a partida dos Portugueses para a conquista de metade do Mundo. Surpreenda-se, deleite-se, com a grandiosidade e o rendilhado dos Jerónimos e cada passo que der dentro dele será um grande passo para o esplendor do seu encantamento. Vá às casas de fado, torne-se tu cá tu lá com o fado, essa canção nostálgica que nasce da Alma e descompassa o coração, e perca-se perdidamente de amores desvairados pela quarta cidade mais bonita do mundo, gritada agora aos sete ventos, através do poder imparável da Informação, em todas as suas vertentes. Lisboa, o seu novo amor. Sorria-lhe. (Maria Elvira Bento)

Eu avistei mais longe que muitos porque fiquei de pé em ombros de gigantes

(Albert Einstein)


EXISTIRÃO MAIS “TERRAS”?

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A procura para determinar se planetas como o nosso são raros ou não deu, há dias, um passo em frente, graças às “novidades” enviadas pela nave espacial Kepler, da NASA. Os astrónomos encontraram planetas do tamanho da Terra orbitando estrelas distantes. Uma nova análise de dados da Kepler mostra que cerca de 17 por cento das estrelas têm um planeta do tamanho da Terra numa órbita mais próximo do que Mercúrio. Uma vez que a Via Láctea tem cerca de 100 biliões de estrelas, há pelo menos 17 biliões de “mundos”, do tamanho do “Planeta Azul”, espalhados por esse imenso Universo. A missão Kepler descobriu dois novos sistemas planetários que incluem três super planetas (do tamanho da Terra) na “zona habitável” (a faixa de distância de uma estrela onde a temperatura da superfície de um planeta em órbita poderá ser mais adequado para a existência de água líquida).

Os cientistas não sabem se a poderá existir vida nos planetas recém-descobertos, mas os sinais recebidos deixa-os mais perto de encontrar um mundo semelhante ao nosso em torno de uma estrela como o nosso Sol. Lembrando Carl Sagan: “Se não existe vida fora da Terra, então o Universo é um grande desperdício de Espaço”. Será que o futuro lhe dará razão? Continuemos com Sagan:

“Observe-a, uma vez mais. É aqui. É a nossa casa. Somos nós. É a Terra. Nela vivem ou viveram todas as pessoas que ama, todas as pessoas que conhece, todas as pessoas de que ouviu falar, todos os seres humanos que alguma vez existiram. A conjunção da nossa alegria e do nosso sofrimento, milhares de religiões confiantes, ideologias e doutrinas económicas, todos os caçadores e recolectores, todos os heróis e cobardes, todos os criadores e destruidores da civilização, todos os reis e camponeses, todos os jovens casais apaixonados, todas as mães e pais, crianças esperançadas, inventores e exploradores, todos os professores de moral, todos os políticos corruptos, todas as “super estrelas”, todos os «líderes supremos», todos os santos e pecadores da História da nossa espécie viveram aqui, numa partícula de poeira suspensa num raio solar”. Lindo. (Maria Elvira Bento)

Qualquer coisa que possa fazer ou sonhar, pode começar. A ousadia tem genialidade, poder e magia em si
(Johan Wolfgang Von Goethe)


É TEMPO PARA PARAR, PENSAR, DECIDIR

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Existem momentos duros nas nossas vidas em que sentimos estar a enfrentar uma penosa travessia no deserto. São tempos difíceis, geralmente solitários e depressivos e faríamos tudo para que eles não acontecessem. Na ânsia de querermos quebrar solidões ligamos para uns, escrevemos para outros, mendigamos por migalhas de amor e carinho, pelo calor humano, por afecto. Enganamo-nos, fingimos que as pessoas estão interessadas em nós quando na verdade centralizam tudo nelas. Viramos objecto de cobiça, de endeusamento, de bajulação e, por vezes, de maus tratos. Tudo isso com a nossa permissão porque deixamos o outro invadir a nossa vida, a nossa mente, o nosso corpo, a nossa alma, o nosso espírito.

Violentamo-nos por não querermos aceitar o deserto, por não querermos ficar só. Deserto, é o tempo de ficar só. É a interiorização em pleno. É o lugar de meditação, contemplação. É um lugar de escassez, onde os elementos vitais, como a água e o alimento, características básicas, quase não existem. O deserto é uma maldição? Depende do ponto de vista, do ângulo em que se olha. Deus ama-nos e quer falar connosco, por isso leva-nos à imensidão e ao silêncio do deserto? Parece antagónico! Mas, não é. Precisamos de saber encontrar-nos connosco próprias e no deserto não temos tempo para nos dispersarmos, e o que nos parecia fundamental sob a óptica do deserto, vira futilidade. Basta o essencial, a palavra só por si diz tudo: essência.

Só há um deserto que não é bom na nossa vida: o deserto da quebra de valores, de princípios, do pecado, da rebelião. Deserto, é tempo de ser alimentado por Deus e não por homens; tempo para ouvir, para meditar, tempo para estar calada. Tempo de dar tempo ao tempo. Tempo de ser fortalecida e curada. Sarada das mazelas que o mundo e os outros nos causam. Como é difícil ser amada! (poderá pensar frequentemente). Amar? Amar é fácil! Você entrega-se, dá-se, torna as suas 24 horas em 48 h. ao esperar aquele telefonema, aquela mensagem, aquele olá. Não consegue pensar em mais nada. Não se importa com a saúde física nem mental, o corpo está abatido, sem tonicidade, sem garra. É tempo para parar, pensar e decidir.

Devemos lembrar-nos que alimentar o corpo e a alma não pode ficar a mercê de ninguém. Mesmo que o outro não nos queira, não nos ame, nos engane, nos provoque desilusão e tristeza, iremos sobreviver. Amor, é algo que só é possível dar quando se tem. Se o outro não tem para si mesmo, como vai ter para si? Não tenha medo da solidão, lembre-se que no meio do ameaçador deserto também há os verdejantes oásis: água fresca, palmeiras, flores, sombras para esconder a intensa luz e o imenso calor do Sol abrasador. Que possamos passar pelos desertos das nossas vidas, fazermos as necessárias e solitárias travessias, sem perecermos mas sairmos de lá fortalecidas. Em paz connosco e com o Universo. (Maria Dirce Barcelos)

Uma vida é uma obra de arte. Não há poema mais belo que viver em plenitude
(Georges Clemenceau)