O TEU OMBRO MACIO

carinho

 Sem pudor e sem hesitações sinto que me apetece provocar a vida, irritá-la, confundi-la, tecer-lhe malhas que a espantem, desorientem; deixá-la olhar para mim, bem de frente, e, confundida, senti-la atordoada com o meu desplante. Nada de olhares doces ou sorrisos de veludo e muito menos encantos emocionais. Estou na real, quero ser audaz, provocante. Nada de silêncios conciliatórios, nada de amores perdidos ou de toques de arrebatamentos. Não, hoje, não recebo nada. Rejeito tudo. Não conto nem mais segundos, nem mais dias, nem mais saudades, nem mais amor, nem mais sonhos, nem mais sonos em noites invadidas por cenários resplandecentes. Não, hoje, apetece-me irritar a vida, perdidamente egoísta, incompreensível, sem generosidade, sem simpatia, sem deslumbramentos. Não quero asas, nem sequer voos. Rejeito abraços. Não quero ser como a Pipoca que não fecha a boca nem deita as unhas de fora. Eu quero arranhar, morder, desgastar. Nada de equilíbrios, nem de melancolias, nem esplendores. Mas, reconheço, faz-me faltar pousar a cabeça na tranquilidade do teu ombro macio. (Maria Elvira Bento)

Deixe as suas esperanças, e não os seus ferimentos, moldarem o seu futuro
(Robert H. Schuller)

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