É TEMPO PARA PARAR, PENSAR, DECIDIR

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Existem momentos duros nas nossas vidas em que sentimos estar a enfrentar uma penosa travessia no deserto. São tempos difíceis, geralmente solitários e depressivos e faríamos tudo para que eles não acontecessem. Na ânsia de querermos quebrar solidões ligamos para uns, escrevemos para outros, mendigamos por migalhas de amor e carinho, pelo calor humano, por afecto. Enganamo-nos, fingimos que as pessoas estão interessadas em nós quando na verdade centralizam tudo nelas. Viramos objecto de cobiça, de endeusamento, de bajulação e, por vezes, de maus tratos. Tudo isso com a nossa permissão porque deixamos o outro invadir a nossa vida, a nossa mente, o nosso corpo, a nossa alma, o nosso espírito.

Violentamo-nos por não querermos aceitar o deserto, por não querermos ficar só. Deserto, é o tempo de ficar só. É a interiorização em pleno. É o lugar de meditação, contemplação. É um lugar de escassez, onde os elementos vitais, como a água e o alimento, características básicas, quase não existem. O deserto é uma maldição? Depende do ponto de vista, do ângulo em que se olha. Deus ama-nos e quer falar connosco, por isso leva-nos à imensidão e ao silêncio do deserto? Parece antagónico! Mas, não é. Precisamos de saber encontrar-nos connosco próprias e no deserto não temos tempo para nos dispersarmos, e o que nos parecia fundamental sob a óptica do deserto, vira futilidade. Basta o essencial, a palavra só por si diz tudo: essência.

Só há um deserto que não é bom na nossa vida: o deserto da quebra de valores, de princípios, do pecado, da rebelião. Deserto, é tempo de ser alimentado por Deus e não por homens; tempo para ouvir, para meditar, tempo para estar calada. Tempo de dar tempo ao tempo. Tempo de ser fortalecida e curada. Sarada das mazelas que o mundo e os outros nos causam. Como é difícil ser amada! (poderá pensar frequentemente). Amar? Amar é fácil! Você entrega-se, dá-se, torna as suas 24 horas em 48 h. ao esperar aquele telefonema, aquela mensagem, aquele olá. Não consegue pensar em mais nada. Não se importa com a saúde física nem mental, o corpo está abatido, sem tonicidade, sem garra. É tempo para parar, pensar e decidir.

Devemos lembrar-nos que alimentar o corpo e a alma não pode ficar a mercê de ninguém. Mesmo que o outro não nos queira, não nos ame, nos engane, nos provoque desilusão e tristeza, iremos sobreviver. Amor, é algo que só é possível dar quando se tem. Se o outro não tem para si mesmo, como vai ter para si? Não tenha medo da solidão, lembre-se que no meio do ameaçador deserto também há os verdejantes oásis: água fresca, palmeiras, flores, sombras para esconder a intensa luz e o imenso calor do Sol abrasador. Que possamos passar pelos desertos das nossas vidas, fazermos as necessárias e solitárias travessias, sem perecermos mas sairmos de lá fortalecidas. Em paz connosco e com o Universo. (Maria Dirce Barcelos)

Uma vida é uma obra de arte. Não há poema mais belo que viver em plenitude
(Georges Clemenceau)

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