Archive for Agosto, 2013

PARA TI, MEU AMIGO

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Deambulas pela grandiosidade de espaços dispersos que olho com ternura e a tranquilidade que a vida dá. Olho em silêncio -a voz da imaginação- e atravesso os dias sentindo que a saudade não faz perguntas. Onde estiveres eu estou lá. De coração inteiro. (Maria Elvira Bento)

http://youtu.be/udjq8–V7Oo

Saudade é não saber. Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como frear as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche.

(Martha Medeiros)

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ENTRE O SOL E O NEVOEIRO

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Deixei a Ericeira envolta num manto de nevoeiro denso e possessivo já que guardou para si todo o mar, todo o Sol, todo o recorte impressionante do litoral Oeste. A transparência, o azul manso que habitualmente cobre todo este imenso e verdejante litoral, rumaram para lugar incerto, desconhecido e enigmático. A tarde ficou sombra e engoliu as praias que habitualmente alegram a cada vez mais cosmopolita Ericeira.

A caminho de Sintra quando vi, esplendoroso, majestático, lá bem no alto, qual Tibete a roçar o céu, os redondos dourados do Castelo uma certa inquietude que o manto de neblina me provocara, desapareceu por passo de magia como se fosse possível ela acontecer ali, ainda tão distante do centro estonteante que é Sintra, hoje envolta numa declarada onda de calor. O Sol deitou-se no mar imenso de verdes e fê-los resplandecer como nunca. Fugi para o alto do Jardim de Monserrate e, ali, olhando aquela espectacularidade que os anos desenharam, senti-me dona do mundo.  (Maria Elvira Bento)

As vezes ouço passar o vento; e só de ouvir o vento passar, vale a pena ter nascido.

(Fernando Pessoa)


O SONHO DA FELICIDADE COLECTIVA

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Há dias em que saímos desesperadamente com a febre de salvar o mundo numa corrida que supera o compromisso feito com o coração, na defesa voluntariosa de chegar lá, ao cimo da montanha, para realizar o sonho. O bom sonho da felicidade colectiva. Há dias assim, salpicados de emoção pura que nos motiva a sermos especiais. Temos em nós a consistência do audaz, a destreza do guerreiro, o querer do humano que, por vezes, compete com os deuses em de…safios tocantes de pureza. Há dias assim. Dias que contrastam com os outros, cinzentos, indefinidos, não agitam nem provocam. Não molham nem aquecem.

Mas, é no conjunto dessas emoções que desafiam e provocam que nasce a paixão da imbatibilidade. Imbatibilidade que dá poder. Imbatibilidade que, por magia, nos deixa donas absolutas da nossa vida e da vida do mundo inteiro. Ficamos sábias, determinadas, inflexíveis. Detentoras de caminhos e atalhos quando saímos de casa com uma arrepiante lucidez, não temos neurónios para entender o descontrolo do mundo. Prontas a iniciar a guerra numa postura de executiva nota 10, lá estamos nós na nossa corrida salvadora. Sem fugas. Instantes poéticos que o Universo tem a condescendência de compreender: o nosso querer –a chama da Vida. Pode não ganhar, nunca, a batalha, subir à tal montanha. Não importa! Supera-se a cada passo. (Maria Elvira Bento)

Quando uma criatura humana desperta para um grande sonho e sobre ele lança toda a força de sua Alma, todo o Universo conspira a seu favor

(Goethe)


UNIVERSIDADE DE COIMBRA – PATRIMÓNIO MUNDIAL DA HUMANIDADE

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Pare. Pare mesmo um pouco, não se pode entrar assim despreocupadamente no núcleo de mundos paralelos sem que isso nos possa destabilizar. Há que olhar a imponência do edifício e, interiorizados, conseguirmos aceder à vivência secular da Universidade mais antiga de Portugal (a terceira mais antiga da Europa). Há que conseguir “ver” e “sentir” as verdadeiras multidões que pululam por aquelas escadarias, por aquelas sa…las magníficas, plenas de história e de memórias. Na Universidade de Coimbra (fundada em 1290) vive-se o hoje, ao lado de um ontem antiquíssimo, mãos dadas com a fundação de Portugal, projectando-se, em conjunto, para futuros promissores que cumprirão Portugal.

Respire lentamente, não profundamente, lentamente. Domine a ânsia, o entusiasmo por dentro de minutos ir aceder a um espaço que é, desde ontem (21.06.2013), Património Mundial da Humanidade, classificação dada pelo comité da UNESCO, reunido em Phnom Penh (Camboja). Ali, formaram-se largos milhares de estudantes que espalharam pelos cantos do Mundo o saber, levando consigo uma batina escondida num canto especial da Alma e uma saudade permanente que nem a deslocação para outras dimensões foi capaz de fazer esquecer. Ali, a Língua Portuguesa ganhou canto e brilho. Tomou corpo e aumentou vida sempre que ultrapassou fronteiras, não se perdendo em manuscritos antigos, não se silenciou. Ganhou Canto e ganhou Alma.

Está pronta para entrar. Força. Merece conhecer, estar por dentro deste palácio de memórias por onde passam por ano milhares de alunos que frequentaram e concluíram as suas licenciaturas (Letras, Direito, Medicina, Ciências e Tecnologia, Farmácia, Economia, Psicologia e Ciências da Educação, Ciências do Desporto e Educação Física). Repare como eles, sorridentes, se entrecruzam com os mais novos, mais dinâmicos. Não se falam, não se tocam, mas coabitam num mundo que nunca foram capazes de abandonar e muito menos esquecer. Por isso é que Coimbra vai ser sempre inesquecível, enpolgante, vibrante, imensa, esplendorosa, como se libertasse, cantando permanentemente, a mais sentida serenata a nível planetário. Não dá para menos. Não dá mesmo. É energia Universal em movimento. (Maria Elvira Bento)

Nunca se dá tanto do que quando se dá esperança

(A.   France)

 


PORTO – O MELHOR DESTINO EUROPEU DE 2013

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Pronto, é assim: o Porto começa aqui e está tudo dito. Não se pode, não se deve, explicar o Porto. Há que olhá-lo de frente, tornar a olhá-lo e só depois, se conseguirá agarrar no roçar da mística desta cidade maravilhosa, forte, imponente. Não há que explicar o Porto, há que saber agarrar-lhe a imponência, a diversidade, a autenticidade e o conjunto de preciosidades espalhadas como pó de estrelas num dia de vento desabrido. O Porto …é orgulhoso e teimoso, bate o pé vigorosamente na defesa do seu Património, da sua História, das suas gentes.

O Porto é um mimo, mas não gosta de paninhos quentes, embora seduza descaradamente. Gosta de ser descoberto, lentamente, passo a passo, na esquina que se ultrapassa, na ponte que vislumbra em arquitectura ímpar, nos monumentos que abanam a nossa natural capacidade de nos esvairmos em deleite. O Porto, toca, brinca, mas não foge. Fica ali à nossa frente a desafiar-nos a avançarmos mais na doce rota de peregrinação da fascinante descoberta.

É assim,“O Melhor Destino Europeu de 2013” (escolhido pela Lonely Planet): o Porto. O nosso Porto (venceu 9 rivais). O Porto das Artes, da zona ribeirinha, da cultura, da gastronomia, do Futebol Clube do Porto. A cidade Invicta, a capital do Norte, conquistou o primeiro lugar dado por um júri exigente e credível, totalmente rendido a um conjunto de fascínio: o centro histórico, o internacional Porto, o Centro Histórico (Património Mundial) e a diversidade gastronómicas onde as Francesinhas, por exemplo, boiando num molho cremoso, aveludado, fazem a felicidade do mais exigente paladar. O Porto não se explica mesmo. Tem de ser descoberto, fixado, espiado à exaustão, e guardar para sempre no baú fofo das melhores memórias num Portugal apetecível.   (Maria Elvira Bento)

Cada homem tem em si um continente de carácter por descobrir. Feliz aquele que age como Colombo na sua própria Alma.
(J. Stephen)