Archive for Outubro, 2013

A HISTÓRIA UNIVERSAL DA INFÂMIA

 Portugal - Prime Minister - José Sócrates

Entre os portugueses e a luxúria do poder, Passos Coelho escolheu o poder. Fica registado

Este Governo, o de Pedro Passos Coelho, nasceu de uma infâmia. No livro “Resgatados”, de David Dinis e Hugo Coelho, insuspeitos de simpatias por José Sócrates, conta-se o que aconteceu. O então primeiro-ministro chamou Pedro Passos Coelho a São Bento para o pôr a par do PEC4, o programa que evitava a intervenção da troika em Portugal e que tinha sido aprovado na Comissão Europeia e no Conselho Europeu, com o apoio da Alemanha e do BCE, que queriam evitar um novo resgate, depois dos resgates da Grécia e da Irlanda.

Como conta Sócrates na entrevista que hoje se publica, Barroso sabia o quanto este programa tinha custado a negociar e concordava com a sua aplicação, preferível à sujeição aos ditames da troika, uma clara perda de soberania que a Espanha de Zapatero e depois de Rajoy evitou. Pedro Passos Coelho foi a São Bento e concordou. O resto, como se diz, é história E não é contada por José Sócrates, que um dia a contará toda. No livro, conta-se que uma personagem chamada Marco António Costa, porta-voz das ambições do PSD, entalou Passos Coelho entre a espada e a parede. Ou havia eleições no país ou havia eleições no PSD. Pedro Passos Coelho escolheu mentir ao país, dizendo que não sabia do PEC4. Cavaco acompanhou. E José Sócrates demitiu-se, motivo de festa na aldeia.

Detenho-me nesta mentira porque, quando as águas se acalmam no fundo do poço, é o momento de nos vermos ao espelho. Pedro Passos Coelho podia ter agido como um chefe político responsável e ter recusado a chantagem do seu partido. Podia ter respondido ao diligente Marco António que o país era mais importante do que o partido e que um resgate seria um passo perigoso para os portugueses. Não o fez, fraquejou. Um Governo que começa com uma mentira e uma fraqueza em cima de uma chantagem não acaba bem. Houve eleições, esse momento de vindicação do pequeno espaço político que resta aos cidadãos, e o PSD ganhou, proclamando a sua pureza ideológica e os benefícios da anunciada purga de Portugal. Os cidadãos, zangados com o despesismo de Sócrates e do PS, embarcaram nesta variação saloia do mito sebástico. O homem providencial. Os danos e o sofrimento que esta estupidez tem provocado a Portugal são impossíveis de calcular.

Consumada a infâmia, a campanha contra José Sócrates continuou dentro de momentos. Todos os dias aparecia uma noticiazinha que espalhava pingos de lama ou o Freeport, ou a Face Oculta, ou a TVI, ou todas as grandes infâmias de que Sócrates era acusado. Ao ponto de o então chefe do Bloco de Esquerda, Francisco Louçã, que se tinha aliado ao PCP e ao PSD para deitar o Governo abaixo e provocar a demissão e eleições (no cálculo eleitoralista misturado com a doutrina esquerdista que ignorava a realidade e as contas de Portugal), me ter dito numa entrevista que considerava “miserável” a “campanha pessoal” da direita contra Sócrates. Palavras dele.

Aqui chegados, convém recordar o que o Governo de Passos Coelho tem dito e feito. Recordar as prepotências de Miguel Relvas, os despedimentos, os SMS, os conluios entre a Maçonaria e os serviços secretos, os relatórios encomendados, os escândalos, a ameaça da venda do canal público ao regime angolano, e, por fim, o suave milagre de um inexistente diploma. Convém recordar as mentiras sobre o sistema fiscal, os cortes orçamentais, a adiada e nunca apresentada reforma do Estado, as privatizações apressadas e investigadas pelo MP, os negócios e nomeações, a venda do BPN, as demissões (a de Gaspar, a “irrevogável” de Portas), as mentiras de Maria Luís, os swaps e, por último, cúmulo das dezenas de trapalhadas, o espetáculo da “Razão de Estado” vista pela miopia de Rui Machete.

Convém recordar que na semana de demissão de José Sócrates os juros do nosso financiamento externo passaram de 7% para 14%. E os bancos avisaram-no de que não aguentavam. Sócrates sentou-se e assinou o memorando. Que o atual primeiro-ministro não hesitasse, mais uma vez, em invocar um segundo resgate para ganhar as eleições autárquicas que perdeu, diz tudo sobre a falta de escrúpulos deste Governo, a que se soma a sua indigência, a sua incompetência, o seu amadorismo. A intransigência.

Este é o problema, não a austeridade. José Sócrates foi estudar. Escreveu uma tese, agora em livro, que o honra porque tem um ponto de vista bem argumenta-do, politicamente corajoso vindo de um ex-primeiro-ministro. E vê-se que sabe o que diz. Podem continuar a odiá-lo, criticá-lo, chamar-lhe nomes. Não alinho nas simpatias ou antipatias pela personagem, com a qual falei raras vezes. O que não podem é culpá-lo de uma infâmia que levou o país ao colapso político, financeiro, cívico e moral. Entre os portugueses e a luxúria do poder, Passos Coelho escolheu o poder. Fica registado. (Clara Ferreira Alves) -Revista Expresso 19/OUT/13-

 

A humildade é a única base sólida de todas as virtudes
(Confúcio)

Anúncios

A DESESPERANÇA PORTUGUESA

 1385177_10201798606461429_1556864707_n

Milhares de portugueses estão a passar por uma fase sem esperança. Falta-lhes realidades que os animem. Por falar em esperança recordo uma mulher que, vinda do nada, soube agarrar a Alma de um país e teve a audáci…a (apesar da sua aparente fragilidade física) de incutir a um povo desmoralizado, energia, confiança e coragem. Desafiou poderosos e sistemas, moveu-se por entre armadilhas e despertou cóleras, ódios e traições. Amou o seu povo e por ele foi idolatrada. Criou uma imagem de marca (rotina actual no staff de princesas, políticos e actores), revelando-se perita numa área ainda desconhecida na época. Foi vibrante, dinâmica e contagiou com a sua energia quando abanou a Argentina e lhe mostrou que não era proibido sonhar. Marchou ao lado de descamisados com determinação, intrepidez, iluminando os deserdados da sorte que na hora da sua morte a choraram dolorosamente, legando às gerações futuras uma saudade mítica. Tornou-se imortal. Para uns continua a ser a bandeira, o arco-íris, a santa; para outros: a“pega” que, vestida de sedas, peles e pérolas, enganou os fracos e desprotegidos. Quem foi a verdadeira Evita? Julgue quem puder aquela que soube dar esperança a um povo. (Maria Elvira Bento)

Ainda que os teus passos pareçam inúteis, vai abrindo caminhos, como a água que desce cantando da montanha. Outros te seguirão…
(Saint-Exupéry)


O MEDO ATORDOA A LUCIDEZ

1379206_10201777511854077_119743347_n

Por vezes somos levadas a dizer: Ah! A Carminho é uma mulher sem medo, a Berta nem se fala! O Coutinho é audaz a tempo inteiro e o Gustavo é um destemido, um temerário. Errado. Nenhum dos citados é isento da sensação de medo porque ela faz parte da sensibilidade humana. Já testemunhei a palidez mortal de pára-quedistas, à porta do avião, na altura do lançamento; todavia, dado o passo para o vazio, venciam o temor. Vi homens nas linhas da frente, nos combates em Angola, na Guiné, e o pânico estava lá, no coração, nos nervos, na alma. Mas, a partir do momento em que intervinham, modificavam-se.

Testemunhei o pavor de alguns toureiros antes de pisarem as arenas- o que me apetecia era fugir daqui para fora-, desabafou, um dia, um nome de cartaz, horas antes de entrar no redondel. Horas depois, nos médios, levou a praça ao rubro. Vestido de seda e ouro, era a imagem da coragem.

Ao lado de pilotos da Fórmula I, testemunhei como se concentravam em verdadeiros exercício de profunda interiorização, antes de se sentarem nos seus bólides (já noutra dimensão) e conseguiram vitórias estonteantes. Estive com 12 leões, ao lado do maior domador da época, o espanhol Angel Cristo, e não sei quem é que fechado na jaula teve mais medo. Quase que apostava que era ele porque eu, numa mescla de inconsciência e pânico, entrei em piloto automático, não encontrei espaço para pensar!

O medo existe tanto nos que na vida têm profissões de alto risco como nos que, pacatamente, apanham comboios e se preparam para um dia-a-dia sem sobressaltos. O medo está com a mãe prestes a dar à luz, com a jovem que deixa pela primeira vez a casa de seus pais ou com aquela que enfrenta uma separação inesperada! Só que todas elas, chegado o momento de enfrentarem os seus pavores, recorrem, por vezes sem se aperceber, à fonte da força interior e dão o passo em frente. Cada ser humano encerra em si uma força imensa, poderosa; só que, por vezes, é esquecida. (Maria Elvira Bento)

 

Há os que se queixam do vento. Há os que esperam que ele mude e há os que os preparam as velas
(Regina Brett)


O HOMEM E O INFINITO

1383507_10201721965945464_872009147_n

Noites há em que a Lua ilumina uma estrada de prata que brilha com as estrelas que nela se reflectem. São noites mansas, noites macias que envolvem o homem que olha o Infinito com uma religiosidade tocante e poderosa. …Que coragem que fé, que humildade, que confiança ele –o navegador solitário-, conseguiu arrebatar e guardar no coração para assim enfrentar a imensidão, a profundidade e as fúrias dos Oceanos? Que desafios ele sonhou, que lutas ele travou, que emoções ele sentiu para partir, sozinho, mar fora, desafiando a calmaria ou a tempestade das águas? Que força de solidão sentirá, capaz de o tornar num verdadeiro herói frente às ondas que tanto podem ter o ritmo de uma ondulação serena como se revelarem imponentes, desapiedadas, mortíferas?

Como consegue o navegador solitário estar no meio do nada tendo por companhia apenas o ritmo da sua respiração? Que olhares ele olhará, que cânticos entoará, que rezas ou meditação fará? Como se pode ser tão frágil e tão imenso nesse desafio fascinante e enigmático? Como se pode flutuar assim mar fora, sozinho, num Oceano profundo, por vezes sem luz e sem cor, agreste, hostil? O navegador solitário é o menos solitário dos solitários porque consigo leva o entusiasmo de um desafio que o provoca e a conquista torna-se na meta ambicionada. Ele o seu “Eu” numa viagem de cansaços e deleites mar fora, sem testemunhas, agarrando a vida nos minutos de luares, de Sol, de raios, de chuva, com a magistral grandeza da pequenez humana. Tanto silêncio e tanto mar para o homem e para o seu barco numa estrada que para eles é azul. (Maria Elvira Bento)

Acho impossível que um indivíduo contemplando o céu possa dizer que não existe um Criador

(Abraham Lincoln)


VOCÊ, É ÚNICA!

1379450_10201680595791236_923549761_n

Tire um tempo para si e abra-se , de coração e de mente, ao Universo e agradeça-lhe por fazer parte dele. Agradeça-lhe diariamente, nos bons e maus momentos, e não só quando tudo parece deslizar sobre mel. Faça uma introspec…ção honesta, isenta, exigente, não pactue com o facilitismo. Seja a sua maior crítica. Sem dualidades ou enganos reconheça a pessoa especial, forte, talentosa, guerreira e poderosa em que se transformou. Sinta-se renovada, preparada. Decidida. Sinta tudo isso e, vá em frente. Pode, é capaz, merece! Está poderosa! Está confiante! Então? Segure os sonhos (é crime abandonar, perder, um sonho), visualize as metas, as directrizes e, diariamente, agarre as oportunidades. Não tema a concorrência -nem sempre leal e honesta- ponha em prática a sua capacidade de saber e de querer. Parta para os desafios já vencedora. Com lucidez e segura das suas capacidades. Renove a esperança, duplique a alegria torne o amor infindável (há muitas formas de amar). Não se compare a ninguém. Ninguém é igual a ninguém e, você, é única! Com disciplina, energia, consolidará o seu espírito indomitável e, ninguém, será capaz de a impedir de dominar o vigor da sua vida. A determinação e coragem permitem-lhe ser dona de si própria mas, não se esqueça de abrir os braços ao Universo e em grito, sussurro, murmúrio, ou, mentalmente, agradeça-lhe por fazer parte dele. (Maria Elvira Bento)

O amor é o perfume das almas.
(Dom Hélder Câmara)