QUANDO OS VENTOS SE CRUZAM

 folha no vento

As noites macias sabem a silêncios mimados e têm a luz plácida das estrelas que crepitam no rendilhado do vitral fosco do firmamento, realidade diferente da que estamos a sentir agora. Estamos a viver desusados tempos de vendavais dispersos, de ventos doloridos, sem brandura, que agitam com severidade invernal. E a invulgaridade dos remoinhos dos ares cruzados, em fúrias, amedronta. No “ninho” do sofá confortável, no silêncio e na quietude, muitas vezes cúmplice de ilusões e de fugas, os poetas -ou nós-, simples mortais, falamos mais alto nos livros que lemos e relemos em surdina, nas tais noites de magia quando a chuva cai mansa e desliza pelas vidraças das janelas fechadas. Mas quando os ventos se cruzam em uivos e ecoam pelas veredas das serras ou caem nos mares crispados com sons de medos e destruições, aí, sentimos a pequenez da nossa imensidão. (Maia Elvira Bento) Foto : Matthias Schrader

 

 

As vezes ouço passar o vento; e só de ouvir o vento passar, vale a pena ter nascido

(Fernando Pessoa)

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