Archive for Março, 2015

AMEI!

senhora de cara tap'ada

Amei mais do que pensei que um dia iria amar, amei menos do que muitas vezes pensava que amava. Mas amei. Intensamente. Perdidamente. Profundamente. Sedutoramente. Como só os apaixonados o sabem fazer. Amei em luz, em momentos breves, em pura tranquilidade e inarráveis desassossegos. Amei em silêncios e em júbilo. Amei e flutuei em tempo apaixonante, em tempo de música espalhada pelos nevoeiros, pelos ecos do vento, pela hostilidade dos mares, pelo adormecimento dos mesmos quando, como bilros rendilhados e adormecidos, ficam na praia a beijar areias, pedras, conchas e pés. Amei mais do que pensei que um dia amaria. Amei na saudade. Na distância, no desespero, nos desvarios dos reencontros. Amei quando foste o meu Sol e o riso da minha Vida. (Maria Elvira Bento)

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NÃO DESISTAS DE MIM

senhora 6

Mesmo que eu não te convide para escutarmos no jardim, nos nossos cadeirões preferidos, ao cair da tarde, os acordes de Mozart e não te diga pela centésima vez que és um amor, não desistas de mim. Mesmo que eu não te convide para o jantar de logo à noite, onde o teu prato preferido vai ser estrela e não me sente a teu lado com o vestido que te deixa bem próximo da sedução máxima (aquele negro coleante e lindo), e mesmo que eu não te premeie com mais uma história inventada que te deixa –sempre- entre o embevecido e o incrédulo, não desistas de mim.

Mesmo que num próximo serão eu não me aninhe no teu colo e não te cante ao ouvido o “Talvez” da Carminho, naquele tom sussurrado que tira facilmente do sério, não desistas de mim Mesmo que amanhã não tomemos banho no rio de prata e não te dê o prazer de me deixares salpicada de flores, e não corra atrás de ti para te fazer mergulhar até que peças –sonoramente- rendição, não desistas de mim. Quero estar contigo, com Mozart, com os jantares demorados ao pé da lareira crepitante, com as loucas histórias tiradas, sei lá de que gaveta da imaginação. Quero saborear as nossas loucuras, as nossas alegrias, as nossas aventuras que dão cor à vida. Quero olhar esse teu mar de azul e partilhar desse sorriso que dão voos e abraçam Almas. (Maria Elvira Bento)


O BATER DAS ASAS COLORIDAS DE UM ANJO

Anjo 999999

Ao passar agora pelos espaços que foram teus, os meus olhos apoderam-se emotivamente das imagens de encantamento que cativaram. Curiosamente, ficou uma liberdade saudável que não fere. Apenas uma intensa serenidade invade a memória das imagens outrora tocada por deuses, banhada por um Sol quente que ultrapassava os imensos vidros e envolvia a fascinante vontade de ser feliz. Sem dúvidas, sem abandono, sem solidão, sinto o” frou-frou” subtil do bater das asas coloridas de um anjo que, ainda, esvoaça nos corredores por onde respira o céu. Num gesto calmo,saúdo-o. (Maria Elvira Bento)

 

Cada pessoa que passa na nossa vida passa sozinha, e não nos deixa só, porque deixa um pouco de si e leva um pouquinho de nós…
(Charles Chaplin)