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ESTEJAS ONDE ESTIVERES, EU ESTOU LÁ!

senhora e o copo

Se estiveres lá, eu estou aí! No começo das brumas das manhãs, no escurecer das tardes, no silêncio das noites. Sou a sombra da tua sombra desmaiada na moldura do tempo. Se estiveres além, estou lá! Fascinada e fascinante, na paixão intensa que o silêncio não acorda. Se estiveres aqui, eu estou cá! Aqui. Estou aqui. Contigo, em todas as estações da tua vida, acordando as memórias do fascínio que as vigílias aumentaram, acendendo saudades tão imensas e tão profundas, tão ternas e tão intensas como as ondas de espuma rendilhada que me beijam os pés, na praia dos encontros. Se não estiveres só, eu estou aí! Sabendo que sempre que rasgares a cortina da distância e te encontrares com a emoção e a saudade te lembrarás que mim.

(Maria Elvira Bento)

ESCREVER, É ENFEITAR A VIDA

senhora no ar 888

Escrever, é como voar sem asas! É guardar folhas verdes para que mudem de cor, de tom. É juntar letras e laçar palavras, passar mel e colar em Almas! Escrever, é enfeitar a vida, é dar forma no sentir, é apalpar as emoções, tactear as lágrimas, sentir o riso! Escrever, é soltar balões, é deitar-se no chão, perfumar-se de estrelas, enfeitar-se de Lua, colorir-se com raios de Sol! Escrever, é parir sem dor, é cura pela palavra, é medicina de Alma! Escrever, é sair da caverna, é abrir o peito, é tirar o véu, é saber-se Céu, é esvaziar-se do nada, é preencher-se de Infinito!

(Kareemi Ponce)

O SORRISO DE TERESA DE CALCUTÀ

TERESA DE CALCUTÁ

Creio que foi em Setembro de 1986 que Madre Teresa de Calcutá se deslocou a Portugal e visitou o Santuário de Fátima (por sugestão de João Paulo II). Coube-me fazer a reportagem e quando partimos pensei que nunca seria um trabalho como os outros: pela forte personalidade e carisma da visitante. Todavia, nunca pensei que iria ser um percurso que teve de tudo: tensão, alegria, cansaço e emoção. Depois de ser recebida pelo Reitor do Santuário de todo a equipa de Madre Teresa, preparei-me para iniciar o trabalho. Começou por uma espécie de conferência de imprensa. Quando esta terminou saíram todos e juntaram-se ali naquele espaço sufocante, o dia era de calor tórrido.

Tudo corria calmamente até que começo a ouvir a meu lado a voz do secretário de Madre Teresa que, embora contido, dizia “missing” (desaparecida) ”missing”” missing”. Como estava perto vi que estava lívido, nervosíssimo, mas eu não conseguia entender quem é que estava desaparecida, até perceber que era mesmo Madre Teresa que tinha deixado de ser vista. Fiquei sem pinga de sangue. Lembrei-me logo de rapto. Aliás, não me lembrei de mais nada já que não tinha capacidade para pensar. Perder uma Santa no Santuário?! Não podia acontecer. Nunca soube o que lhe sucedeu mas sei que voltou a aparecer para calma de todos, especialmente do secretário (um padre muito jovem e lindíssimo) que esteve perto de ter um ataque cardíaco.

Madre Teresa não era de sorriso fácil (embora tivesse ocasiões eu que o fazia muito), a sua fisionomia era quase sempre de concentração e, por vezes, de expressão dura. Depois de readquirida a calma dirigimo-nos para o itinerário no interior de Fátima que nos conduziria à azinheira onde se diz que Nossa Senhora apareceu aos Pastorinhos. Parecia não ser difícil. Parecia. Vou explicar o porquê da não facilidade: o dia estava sufocante e ninguém nunca imaginou não conseguir acompanhar o ritmo de Madre Teresa. Parecia que tinha asas nos pés e a própria equipa que a acompanhava viu-se e desejou-se para não a perder de vista (novamente). Quando dei por mim estava bem atrás. Tive de fazer um esforço para alcançar a linha da frente e participar na oração feita por Teresa de Calcutá junto da azinheira.

Mais tranquilos atravessamos os campos de Fátima, de regresso ao Santuário e, aí, tivemos tempo de falar um pouco, descontrair, e, como a foto demonstra, Madre Teresa sorriu com simpatia. Passados tantos anos é o que consigo recordar de um dia irrepetível onde uma Santa falou e sorriu para mim. Obrigada.

(Maria Elvira Bento)

AMEI!

senhora de cara tap'ada

Amei mais do que pensei que um dia iria amar, amei menos do que muitas vezes pensava que amava. Mas amei. Intensamente. Perdidamente. Profundamente. Sedutoramente. Como só os apaixonados o sabem fazer. Amei em luz, em momentos breves, em pura tranquilidade e inarráveis desassossegos. Amei em silêncios e em júbilo. Amei e flutuei em tempo apaixonante, em tempo de música espalhada pelos nevoeiros, pelos ecos do vento, pela hostilidade dos mares, pelo adormecimento dos mesmos quando, como bilros rendilhados e adormecidos, ficam na praia a beijar areias, pedras, conchas e pés. Amei mais do que pensei que um dia amaria. Amei na saudade. Na distância, no desespero, nos desvarios dos reencontros. Amei quando foste o meu Sol e o riso da minha Vida. (Maria Elvira Bento)

NÃO DESISTAS DE MIM

senhora 6

Mesmo que eu não te convide para escutarmos no jardim, nos nossos cadeirões preferidos, ao cair da tarde, os acordes de Mozart e não te diga pela centésima vez que és um amor, não desistas de mim. Mesmo que eu não te convide para o jantar de logo à noite, onde o teu prato preferido vai ser estrela e não me sente a teu lado com o vestido que te deixa bem próximo da sedução máxima (aquele negro coleante e lindo), e mesmo que eu não te premeie com mais uma história inventada que te deixa –sempre- entre o embevecido e o incrédulo, não desistas de mim.

Mesmo que num próximo serão eu não me aninhe no teu colo e não te cante ao ouvido o “Talvez” da Carminho, naquele tom sussurrado que tira facilmente do sério, não desistas de mim Mesmo que amanhã não tomemos banho no rio de prata e não te dê o prazer de me deixares salpicada de flores, e não corra atrás de ti para te fazer mergulhar até que peças –sonoramente- rendição, não desistas de mim. Quero estar contigo, com Mozart, com os jantares demorados ao pé da lareira crepitante, com as loucas histórias tiradas, sei lá de que gaveta da imaginação. Quero saborear as nossas loucuras, as nossas alegrias, as nossas aventuras que dão cor à vida. Quero olhar esse teu mar de azul e partilhar desse sorriso que dão voos e abraçam Almas. (Maria Elvira Bento)