Archive for Fevereiro, 2013

NA HORA DO ADEUS

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A esta hora Bento XVI estará a descansar em Castel Gandolfo, após uns tempos marcados por grande intensidade. Para o Papa chegar à firme decisão de renunciar muitos devem ter sido os problemas e as realidades que enfrentou e, perante isso, sentiu-se fisicamente diminuído para os solucionar. Teve a coragem de decidir partir e de manter essa decisão.

 Bento XVI recebeu um legado que não era fácil de igualar. João Paulo II foi um Papa que ainda hoje vive no coração dos fiéis e, substitui-lo, requeria muita humildade, muito saber e muito Amor. Os primeiros tempos não foram fáceis para o Papa Emérito (reformado) mas não há dúvida que ao longo dos oito anos, no Vaticano, Bento XVI conquistou gradualmente o seu lugar e hoje, tanto no Vaticano como em Castel Gandolfo, recebeu –na hora do adeus- multidões a saudá-lo com tristeza e admiração.

 Bento XVI sentiu isso e partilhou dessa emoção, desse respeito e dessa saudade. Ficou ainda mais próximo daqueles que aprenderam a conhecê-lo e a admirá-lo. O seu sucessor vai ter pela frente desafios tremendos para que a renovação na Igreja Católica seja, no futuro, uma realidade. Após João Paulo II, Bento XVI também entrou no coração dos fiéis.(Maria Elvira Bento)

A única obrigação em qualquer período da vida consiste em seres fiel a ti mesmo

(Richard Bach)

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O COLECTIVO SINAL DE SOLIDARIEDADE

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Vale a pena refletir sobre o que realmente levamos desta vida e por quem vale a pena lutar.

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Uma jovem militar iniciou o curso na GNR. Durante o curso descobre que tem uma doença oncológica. A estrutura de Comando rapidamente lhe manifesta o apoio incondicional em tudo o que ela necessitar. Um superior hierárquico é autorizado/voluntaria-se para a acompanhar nas consultas mais críticas e nos tratamentos de quimioterapia. Inevitavelmente o cabelo começa-lhe a cair e vê-se na contingência de ter que o cortar a passar a usar um lenço na cabeça.

Ontem, a jovem militar preparava-se para sair para mais uma sessão de quimioterapia. O pelotão a que pertence encontrava-se formado, numa ponta da parada, a fazer operações de segurança na Espingarda G3, antes de iniciarem mais uma sessão de Tática. Mesmo à distância, a jovem repara que, secretamente, na tarde/noite anteriores os seus camaradas tinham rapado o cabelo das respetivas cabeças, num sinal surdo de solidariedade. Um Oficial Superior aproxima-se do Pelotão. Conhecendo antecipadamente a razão, questiona, em voz bem alta, o chefe de turma, sobre o motivo pelo qual os militares do seu pelotão não tinham o cabelo regularmente cortado. O mesmo justificou-se com a palavra camaradagem (o sinónimo dos civis para solidariedade).

Em voz alta e de frente para o pelotão, o Oficial explica a gravidade de os regulamentos não serem cumpridos, principalmente quando tal é feito de forma concertada. Em voz mais baixa e de costas voltadas para o pelotão, o mesmo Oficial enaltece o acto altruísta e de profundo partilhar da dor com uma camarada que tanto apoio necessita. Alguém sábio recentemente afirmou que os Regulamentos não são Leis. Como tal nem sempre devem ser cumpridos cegamente e em todas as situações. Se assim fosse tinham-lhe dado a designação de “Cumprimentos” e não de Regulamentos”.

Sendo assim… e assim sendo…A vida deve ser vivida momento a momento. Dizem que é por isso que as pessoas lhe chamam de “Presente”, ou seja uma oferta, uma dádiva que deve ser saboreada em cada segundo, em cada minuto e à medida que vai acontecendo. A atitude ontem tomada por aquele Pelotão pode ser inútil e inconsequente. No entanto, pelo menos para uma jovem militar, foi um grande contributo para vencer mais uma batalha que a vai levar a, no final, ganhar a sua guerra pessoal contra a doença. (Ricardo Lisboa – Foto SMD- site: Paula Ferreira e Alice Nazareth)

Tudo que somos surge com os nossos pensamentos. Com eles, nós fazemos o mundo

(Buda)


CHEGÁMOS AO LIMITE DA DESESPERANÇA

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Já tenho esta foto há muito tempo e, sempre que a olho fico de olhos brilhantes. Trata-se de Barack Obama, o Presidente da América, a abraçar uma mulher deficiente, mostrando as duas próteses nas pernas que não tem, motivado seguramente por… algum acto agressivo quer por motivo de doença, quer por qualquer outro cenário de violência. O importante, não é ser o Presidente Obama, é ser um homem que abraça com sinceridade (a foto transpira isso) e amargura uma mulher a quem o destino não tratou bem. O que me sensibilizou e sensibiliza foi a capacidade de um homem se dar a uma mulher que precisava naquele momento de um ombro para se apoiar e chorar, como âncora que a agarrasse à esperança. É uma atitude nobre e, isso, é divino.

É que no mundo actual as dificuldades são tantas, o começo dos dias sem metas é pródigo em provocações. Desorientam. Convidam ao isolamento de grande parte da população, mesmo sem ser a envelhecida. A solidão esmaga. Dentro desses muros de isolamento que são as casas que habitam, cresce nos dias que se sucedem os silêncios gritantes, viscerais, que são capazes de quebrar as vidraças que as resguardam das intempéries do tempo e do mundo lá fora que nem dá pela sua existência. E, por certo, o que mais as faz chorar e distanciar-se, é a falta de um ombro onde possam encostar o rosto e sentir o calor um abraço que não necessita de palavras. Velhas, doentes, desesperadas, pobres e sós, Portugal está vergonhosamente a recusar-lhes esperança. (Maria Elvira Bento)

Ninguém é mais solitário do que aquele que nunca recebeu um abraço

(Elias Canetti)


O FRIO QUE AGRIDE

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Portugal continua a passar por uma vaga de frio que, comparada com a que fustiga o Leste da Europa, é leve. Neva só no Norte português é verdade, mas em todo o País há mãos geladas, há um ar frio (a que não estamos habituados) que nos avermelha o nariz, as orelhas e nos deixa inquietas debaixo de camisolas, gorros, meias, luvas e grossos casacos de Inverno. E, mesmo assim, o frio ultrapassa todas as barreiras. Devem estar, neste momento, quatro graus em  e eu mal consigo tocar no teclado. Todavia, se quiser, posso ligar o aquecimento (não gosto). O problema não sou eu, nem largos milhares de outros como eu. O problema do frio que me agride até à Alma é pensar nos que enroscados na vida, aos cantos das portas, envoltos em cartões, cobertores, jornais ou plásticos, desligados do mundo que os rodeia, absortos nos silêncios sem exigências e sem luz, ficam noite após noite, dia após dia, a fingir que vivem ou a viverem aconchegados de recordações que ainda lhes povoam os sonos.

Não consegui saber quantos sem-abrigo existem em Portugal. Parece que, em Lisboa, há mais de mil e, horroroso, cada vez se encontram mais jovens, mais mulheres, mais pessoas que conheceram o ritmo de uma vida normal e as surpresas, a crise, atiraram-nos para as noites em céu aberto. Esse frio é mais cortante que todo o nosso e por muito que se vista, se lembrarmos os que a esta hora estão espalhados pelo gelo das ruas, com as suas fraquezas, os seus medos no centro dos seus vendavais ou já sem medos, anestesiados por uma dor que já dilacerou e já não conta, não podemos deixar de ficar profundamente infelizes. (Maria Elvira Bento)

A riqueza de uma nação mede-se pela riqueza do povo e não pela riqueza dos príncipes.

(Adam Smith)


E O ÓSCAR VAI PARA…

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Pelo entusiasmo sempre demonstrado ao longo de anos sucessivos nas edições dos Óscares que viu em vários Continentes, dando sempre prioridade a este espectáculo maior da indústria do Cinema da Academia de Hollywood, transmitido geralmente em horas tardias da noite. Pela fascinação que nunca ocultou frente ao desfilar dos artistas que elegeu como favoritos, protagonistas de filmes que por este ou aquele motivo, ou um conjunto válido de factores, catalogou como os preferidos, imperdíveis (caso “E Tudo o Vento Levou”, “África Minha”, entre uma extensa lista de títulos).

Pela ansiedade bem gerida antes da transmissão das cerimónias, a partir dos EUA, para mais de 200 países, que não a impediu de ver atentamente o decorrer das galas até ao momento final. Pela alegria sentida por testemunhar “in loco” o movimentar dos seus eleitos, testemunhar as suas alegrias, partilhar as suas emoções, reparar nos desencantos de alguns, contrastando com a euforia de outros. Pelo encantamento indisfarçado pelo que se passava no espaço pleno de magia e de história que é sempre o palco por onde passam lendas, realidades e futuros, Maria Elvira Bento, de Portugal, vence nesta 85º edição dos Óscares, na categoria de “Espectadora Encantada”. Parabéns.

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Não tenho palavras. Obrigada a todos. Estou muito feliz. Queria agradec…….. (Maria Elvira Bento)

A diferença entre o possível e o impossível está na vontade humana

(Louis Pasteur)